Ambev 4T25: Analistas projetam resultados sem grandes surpresas e volumes em queda
O cenário para a Ambev 4T25 continua cercado de cautela por parte dos analistas de mercado. Com indicadores recentes do setor de bebidas no Brasil mostrando retração em volumes e efeitos climáticos desfavoráveis, as expectativas para os resultados da gigante da cerveja já parecem amplamente precificadas. A divulgação oficial ocorrerá no dia 12 de fevereiro, antes da abertura do pregão, e os investidores acompanham atentamente cada sinal sobre volumes, margens e potencial de lucro.
Setor de bebidas no Brasil indica queda de volumes
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que o índice de produção industrial (PIM) recuou 5% em dezembro na comparação anual, refletindo o desaquecimento da indústria de bebidas no país. No mesmo período, o Grupo Petrópolis, principal concorrente da Ambev, registrou aumento de preços quase que dobrando na base mensal, mas com impacto direto na redução dos volumes em 22% frente ao ano anterior. Em contrapartida, a engarrafadora da Coca-Cola Andina apresentou crescimento da demanda de refrigerantes em dois dígitos, impulsionada por melhores condições climáticas, evidenciando a sensibilidade do setor a fatores externos.
Esses dados indicam que, para o segmento de cervejas da Ambev 4T25, a retração de volumes já era esperada e está incorporada nas projeções de mercado. A pressão sobre os volumes, especialmente no portfólio de Cerveja Brasil, segue sendo o principal ponto de atenção para analistas e investidores.
Perspectiva do Goldman Sachs: risco limitado e pouca surpresa positiva
O Goldman Sachs avalia que as expectativas do mercado para queda de 3% a 4% ano a ano nos volumes de cerveja da Ambev 4T25 no Brasil já estão precificadas. O banco aponta que o risco de surpresas significativas é limitado, e que eventuais comentários positivos sobre preços ou custos de caixa dos produtos vendidos (cash COGS) podem gerar apenas movimentos modestos no valor das ações.
“No médio prazo, seguimos enxergando um descompasso entre valuation e crescimento, o que sustenta nossa recomendação de venda para as ações da Ambev”, afirma o Goldman Sachs. O banco mantém preço-alvo de R$ 11,30, reforçando a cautela diante de um cenário sem grandes catalisadores.
Visão do Itaú BBA: resultados fracos, mas dentro do esperado
O Itaú BBA também projeta resultados contidos para a Ambev 4T25, com volume de cervejas no Brasil ligeiramente melhor do que o temido. O banco estima um EBITDA consolidado de R$ 8,4 bilhões, refletindo um desempenho alinhado com a percepção atual do mercado. A previsão de queda de 3% ano a ano nos volumes do segmento Cerveja Brasil se encontra no topo do consenso de mercado, que varia entre -3% e -5%.
Para o BBA, não há fatores relevantes capazes de alterar significativamente a percepção do mercado sobre a companhia. A combinação de tendências macroeconômicas desfavoráveis e condições climáticas já esperadas deve começar a se normalizar ao longo de 2026, especialmente no segundo e terceiro trimestres. As operações internacionais da Ambev devem registrar um quarto trimestre relativamente estável, sem eventos extraordinários.
A instituição mantém recomendação neutra para as ações, com preço-alvo de R$ 14, refletindo a abordagem cautelosa de investidores locais diante do múltiplo P/L de aproximadamente 15 vezes projetado para 2026.
Bradesco BBI: cautela com lucros e margens
O Bradesco BBI segue com postura prudente em relação aos lucros da Ambev 4T25 e para o ano de 2026. O banco destaca que ainda não se observa uma recuperação total do poder de precificação em Cerveja Brasil, o que pode manter margens pressionadas. O Bradesco BBI projeta aumento de 5,7% ano a ano no cash COGS/hl e crescimento moderado das despesas com vendas, gerais e administrativas (SG&A).
Apesar de as demais divisões da empresa ajudarem a compensar o efeito sobre margens, o potencial de alta é limitado. A casa projeta crescimento de volumes consolidados de 2,5% em 2026 (Cerveja Brasil +2,6%), EBITDA de R$ 30,1 bilhões (+4% na comparação anual) e lucro líquido ajustado de R$ 14,8 bilhões (+6%). Suas estimativas de EBITDA e lucro líquido estão 1% e 7% abaixo do consenso de mercado, respectivamente.
O Bradesco BBI enfatiza que, com o crescimento deixando de ser o principal vetor de valorização, a avaliação relativa ganha maior peso para o desempenho da ação. Atualmente, a Ambev negocia a 14,8 vezes o lucro projetado para 2026, com desconto de 7% frente à AB InBev (ABI) e prêmio de 16% frente a outras cervejarias globais. Essa dinâmica sugere que fatores de valuation podem atuar como ventos contrários, levando a casa a manter recomendação neutra.
XP Investimentos: impacto de volumes, custos e clima
Segundo a XP Investimentos, a Ambev 4T25 deve continuar sofrendo pressão de menor volume de vendas, aumento de custos e condições climáticas mais frias ao longo do trimestre. A corretora destaca que, mesmo com algumas operações internacionais estáveis, o efeito sobre o consolidado será limitado. Para 2026, a expectativa é de melhora gradual nos volumes, acompanhada de ajustes de preços e estabilização do cash COGS, o que poderá gerar um desempenho mais equilibrado ao longo do ano.
Cenário macroeconômico e fatores externos
O desempenho da Ambev 4T25 não pode ser analisado isoladamente. O setor de bebidas, especialmente cervejas e refrigerantes, é sensível a fatores macroeconômicos como inflação, câmbio, consumo das famílias e clima. A retração observada no PIM de dezembro do IBGE e a forte redução de volumes na concorrência direta indicam que o trimestre foi desafiador. Entretanto, há espaço para ajustes de preços e recuperação de volumes ao longo de 2026.
Investidores também acompanham o fluxo de capital estrangeiro na Bolsa brasileira, que pode impactar diretamente o preço das ações da Ambev. Em um cenário de liquidez mais apertada, mesmo pequenas oscilações nos volumes ou margens podem gerar volatilidade significativa no mercado.
Valuation e percepção do mercado
Com o crescimento deixando de ser claramente o principal vetor de valorização, a avaliação relativa e o múltiplo P/L assumem papel central. O consenso indica que a Ambev negocia atualmente com múltiplos próximos a companhias globais, mas ainda abaixo de sua controladora AB InBev, sugerindo que oportunidades de arbitragem existem, embora limitadas. A atenção do mercado se concentra em margens, cash COGS e dinâmica de volumes.
A combinação de múltiplos estáveis, projeção de volumes contidos e margens pressionadas cria um cenário de cautela. Analistas reforçam que a Ambev 4T25 terá pouco espaço para surpresas positivas, e qualquer avanço significativo dependerá de eficiência operacional ou ajustes favoráveis de preços nos próximos trimestres.
O que esperar da divulgação dos resultados
A divulgação da Ambev 4T25 no dia 12 de fevereiro promete confirmar as expectativas já precificadas. Com consenso de mercado prevendo queda de volumes e pressão sobre margens, a atenção se volta para eventuais comentários prospectivos sobre custos, política de preços e estratégias de crescimento para 2026. Pequenas surpresas positivas podem surgir, mas não devem alterar substancialmente a percepção consolidada do mercado.
O cenário de cautela também sugere que investidores abordem a ação de forma seletiva, avaliando não apenas o desempenho operacional, mas também fatores externos, incluindo clima, fluxo de capitais e dinâmica de concorrência no setor de bebidas.
Ambev 4T25: mercado aguarda sinais de recuperação
Embora os resultados do quarto trimestre reforcem a tendência de retração de volumes no Brasil, há sinais de que 2026 poderá apresentar oportunidades de recuperação, principalmente nos trimestres mais quentes e com condições climáticas favoráveis. Operações internacionais estáveis e estratégias de precificação ajustadas podem reduzir o impacto sobre o consolidado, mas a perspectiva de curto prazo ainda é de moderação.
Investidores, analistas e gestores de fundos acompanham de perto os indicadores de consumo, volumes e margens, buscando identificar sinais de retomada. A Ambev 4T25 será, portanto, um termômetro para o setor de bebidas e para o mercado acionário brasileiro nos próximos meses.









