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Ambev 4T25: Resultados devem confirmar queda de volumes e margens pressionadas

por João Souza
09/02/2026 às 14h56
em Negócios
Ambev

Ambev 4T25: Analistas projetam resultados sem grandes surpresas e volumes em queda

O cenário para a Ambev 4T25 continua cercado de cautela por parte dos analistas de mercado. Com indicadores recentes do setor de bebidas no Brasil mostrando retração em volumes e efeitos climáticos desfavoráveis, as expectativas para os resultados da gigante da cerveja já parecem amplamente precificadas. A divulgação oficial ocorrerá no dia 12 de fevereiro, antes da abertura do pregão, e os investidores acompanham atentamente cada sinal sobre volumes, margens e potencial de lucro.

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Setor de bebidas no Brasil indica queda de volumes

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que o índice de produção industrial (PIM) recuou 5% em dezembro na comparação anual, refletindo o desaquecimento da indústria de bebidas no país. No mesmo período, o Grupo Petrópolis, principal concorrente da Ambev, registrou aumento de preços quase que dobrando na base mensal, mas com impacto direto na redução dos volumes em 22% frente ao ano anterior. Em contrapartida, a engarrafadora da Coca-Cola Andina apresentou crescimento da demanda de refrigerantes em dois dígitos, impulsionada por melhores condições climáticas, evidenciando a sensibilidade do setor a fatores externos.

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Esses dados indicam que, para o segmento de cervejas da Ambev 4T25, a retração de volumes já era esperada e está incorporada nas projeções de mercado. A pressão sobre os volumes, especialmente no portfólio de Cerveja Brasil, segue sendo o principal ponto de atenção para analistas e investidores.

Perspectiva do Goldman Sachs: risco limitado e pouca surpresa positiva

O Goldman Sachs avalia que as expectativas do mercado para queda de 3% a 4% ano a ano nos volumes de cerveja da Ambev 4T25 no Brasil já estão precificadas. O banco aponta que o risco de surpresas significativas é limitado, e que eventuais comentários positivos sobre preços ou custos de caixa dos produtos vendidos (cash COGS) podem gerar apenas movimentos modestos no valor das ações.

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“No médio prazo, seguimos enxergando um descompasso entre valuation e crescimento, o que sustenta nossa recomendação de venda para as ações da Ambev”, afirma o Goldman Sachs. O banco mantém preço-alvo de R$ 11,30, reforçando a cautela diante de um cenário sem grandes catalisadores.

Visão do Itaú BBA: resultados fracos, mas dentro do esperado

O Itaú BBA também projeta resultados contidos para a Ambev 4T25, com volume de cervejas no Brasil ligeiramente melhor do que o temido. O banco estima um EBITDA consolidado de R$ 8,4 bilhões, refletindo um desempenho alinhado com a percepção atual do mercado. A previsão de queda de 3% ano a ano nos volumes do segmento Cerveja Brasil se encontra no topo do consenso de mercado, que varia entre -3% e -5%.

Para o BBA, não há fatores relevantes capazes de alterar significativamente a percepção do mercado sobre a companhia. A combinação de tendências macroeconômicas desfavoráveis e condições climáticas já esperadas deve começar a se normalizar ao longo de 2026, especialmente no segundo e terceiro trimestres. As operações internacionais da Ambev devem registrar um quarto trimestre relativamente estável, sem eventos extraordinários.

A instituição mantém recomendação neutra para as ações, com preço-alvo de R$ 14, refletindo a abordagem cautelosa de investidores locais diante do múltiplo P/L de aproximadamente 15 vezes projetado para 2026.

Bradesco BBI: cautela com lucros e margens

O Bradesco BBI segue com postura prudente em relação aos lucros da Ambev 4T25 e para o ano de 2026. O banco destaca que ainda não se observa uma recuperação total do poder de precificação em Cerveja Brasil, o que pode manter margens pressionadas. O Bradesco BBI projeta aumento de 5,7% ano a ano no cash COGS/hl e crescimento moderado das despesas com vendas, gerais e administrativas (SG&A).

Apesar de as demais divisões da empresa ajudarem a compensar o efeito sobre margens, o potencial de alta é limitado. A casa projeta crescimento de volumes consolidados de 2,5% em 2026 (Cerveja Brasil +2,6%), EBITDA de R$ 30,1 bilhões (+4% na comparação anual) e lucro líquido ajustado de R$ 14,8 bilhões (+6%). Suas estimativas de EBITDA e lucro líquido estão 1% e 7% abaixo do consenso de mercado, respectivamente.

O Bradesco BBI enfatiza que, com o crescimento deixando de ser o principal vetor de valorização, a avaliação relativa ganha maior peso para o desempenho da ação. Atualmente, a Ambev negocia a 14,8 vezes o lucro projetado para 2026, com desconto de 7% frente à AB InBev (ABI) e prêmio de 16% frente a outras cervejarias globais. Essa dinâmica sugere que fatores de valuation podem atuar como ventos contrários, levando a casa a manter recomendação neutra.

XP Investimentos: impacto de volumes, custos e clima

Segundo a XP Investimentos, a Ambev 4T25 deve continuar sofrendo pressão de menor volume de vendas, aumento de custos e condições climáticas mais frias ao longo do trimestre. A corretora destaca que, mesmo com algumas operações internacionais estáveis, o efeito sobre o consolidado será limitado. Para 2026, a expectativa é de melhora gradual nos volumes, acompanhada de ajustes de preços e estabilização do cash COGS, o que poderá gerar um desempenho mais equilibrado ao longo do ano.

Cenário macroeconômico e fatores externos

O desempenho da Ambev 4T25 não pode ser analisado isoladamente. O setor de bebidas, especialmente cervejas e refrigerantes, é sensível a fatores macroeconômicos como inflação, câmbio, consumo das famílias e clima. A retração observada no PIM de dezembro do IBGE e a forte redução de volumes na concorrência direta indicam que o trimestre foi desafiador. Entretanto, há espaço para ajustes de preços e recuperação de volumes ao longo de 2026.

Investidores também acompanham o fluxo de capital estrangeiro na Bolsa brasileira, que pode impactar diretamente o preço das ações da Ambev. Em um cenário de liquidez mais apertada, mesmo pequenas oscilações nos volumes ou margens podem gerar volatilidade significativa no mercado.

Valuation e percepção do mercado

Com o crescimento deixando de ser claramente o principal vetor de valorização, a avaliação relativa e o múltiplo P/L assumem papel central. O consenso indica que a Ambev negocia atualmente com múltiplos próximos a companhias globais, mas ainda abaixo de sua controladora AB InBev, sugerindo que oportunidades de arbitragem existem, embora limitadas. A atenção do mercado se concentra em margens, cash COGS e dinâmica de volumes.

A combinação de múltiplos estáveis, projeção de volumes contidos e margens pressionadas cria um cenário de cautela. Analistas reforçam que a Ambev 4T25 terá pouco espaço para surpresas positivas, e qualquer avanço significativo dependerá de eficiência operacional ou ajustes favoráveis de preços nos próximos trimestres.

O que esperar da divulgação dos resultados

A divulgação da Ambev 4T25 no dia 12 de fevereiro promete confirmar as expectativas já precificadas. Com consenso de mercado prevendo queda de volumes e pressão sobre margens, a atenção se volta para eventuais comentários prospectivos sobre custos, política de preços e estratégias de crescimento para 2026. Pequenas surpresas positivas podem surgir, mas não devem alterar substancialmente a percepção consolidada do mercado.

O cenário de cautela também sugere que investidores abordem a ação de forma seletiva, avaliando não apenas o desempenho operacional, mas também fatores externos, incluindo clima, fluxo de capitais e dinâmica de concorrência no setor de bebidas.

Ambev 4T25: mercado aguarda sinais de recuperação

Embora os resultados do quarto trimestre reforcem a tendência de retração de volumes no Brasil, há sinais de que 2026 poderá apresentar oportunidades de recuperação, principalmente nos trimestres mais quentes e com condições climáticas favoráveis. Operações internacionais estáveis e estratégias de precificação ajustadas podem reduzir o impacto sobre o consolidado, mas a perspectiva de curto prazo ainda é de moderação.

Investidores, analistas e gestores de fundos acompanham de perto os indicadores de consumo, volumes e margens, buscando identificar sinais de retomada. A Ambev 4T25 será, portanto, um termômetro para o setor de bebidas e para o mercado acionário brasileiro nos próximos meses.

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