Aumento no Número de Deputados: Câmara Aprova Projeto que Eleva Total para 531 Parlamentares
Nova composição da Câmara Federal pode impactar diretamente a representatividade dos estados e o orçamento público
A Câmara dos Deputados aprovou um projeto que altera de forma significativa a configuração legislativa brasileira: o aumento no número de deputados de 513 para 531 parlamentares. A medida, que reacende debates sobre representatividade e gastos públicos, ocorre após determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) que exigiu uma atualização na distribuição de cadeiras, com base nos dados populacionais mais recentes.
A mudança, segundo defensores do projeto, visa garantir maior justiça na representatividade da população brasileira, especialmente em estados que cresceram significativamente em número de habitantes desde a última atualização da composição legislativa, em 1993.
Determinação do STF e o papel do TSE
O projeto surge como resposta a uma determinação do STF, que concedeu prazo até 30 de junho para que o Congresso revise a distribuição de deputados federais com base no último censo demográfico. A ação que motivou a intervenção judicial foi iniciada pelo governo do Pará, que alega que o estado, desde 2010, tem direito a mais quatro cadeiras na Câmara dos Deputados.
O STF deixou claro que, caso o Congresso não cumpra o prazo, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) terá autoridade para fixar o novo número de parlamentares federais, estaduais e distritais, valendo para a legislatura que começa em 2027. Essa pressão judicial acelerou a tramitação da proposta no Legislativo.
Crescimento populacional e necessidade de atualização
A autora do projeto, deputada Dani Cunha, argumentou no plenário que a atualização é necessária, lembrando que desde a última reformulação da Câmara, há 31 anos, a população brasileira cresceu mais de 100%. Segundo ela, esse crescimento demográfico exige uma adequação proporcional da representatividade dos estados no Congresso Nacional.
Em 1993, o número de parlamentares foi aumentado de 480 para 513. Agora, com a população ultrapassando os 215 milhões de habitantes, o salto para 531 deputados é justificado, segundo os defensores da proposta, por critérios de proporcionalidade e justiça federativa.
Impacto orçamentário e controvérsias
Uma das maiores críticas à proposta gira em torno do impacto financeiro que o aumento no número de deputados poderá causar. Embora o documento aprovado não detalhe quais critérios foram utilizados para estimar o custo, estima-se que cada novo deputado gere uma despesa anual de aproximadamente R$ 3,6 milhões, considerando salários, verbas de gabinete, auxílio-moradia, passagens aéreas e outras despesas administrativas.
Dani Cunha rebateu as críticas afirmando que não haverá aumento nas despesas. De acordo com ela, a Câmara dos Deputados tem devolvido cerca de R$ 300 milhões por ano ao Tesouro, recursos que poderiam ser utilizados para cobrir os custos dos novos parlamentares sem sobrecarregar o orçamento público.
A justificativa, no entanto, não convenceu todos os congressistas e especialistas em finanças públicas. Críticos da medida apontam que, mesmo com a devolução orçamentária, os custos adicionais com 18 novos parlamentares podem comprometer investimentos em outras áreas prioritárias do país, como saúde, educação e infraestrutura.
Redefinição da representação dos estados
Com o aumento no número de deputados, estados com crescimento populacional acentuado, como Pará, Amazonas, Santa Catarina e Goiás, devem ser os principais beneficiados. Essas unidades federativas poderão conquistar novas cadeiras no parlamento, ampliando sua influência nas votações e na distribuição de recursos federais.
Já estados com população estável ou em declínio, como Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, podem não ser contemplados com mais vagas — e, em alguns cenários, correm o risco de perder representatividade relativa caso se mantenha o número de 513 deputados com redistribuição proporcional.
No entanto, o projeto aprovado eleva o total de cadeiras, o que evita a retirada de vagas de qualquer estado, optando por ampliar o número absoluto de representantes.
Reações no Congresso Nacional
O projeto gerou intensos debates na Câmara. Parte dos parlamentares defendeu a iniciativa como um avanço democrático e uma resposta ao aumento populacional do país. Para esses defensores, o crescimento do número de cadeiras é compatível com o tamanho do Brasil e sua complexidade federativa.
Outros, porém, consideram a medida um retrocesso. Parlamentares da oposição apontaram que o Congresso deveria focar na eficiência e na redução de custos, e não no aumento de vagas. Alguns alegaram que a medida poderá gerar descrédito da população em relação à política, especialmente em um momento de crise econômica e insatisfação social.
O que muda para o eleitor
Para o cidadão, o aumento no número de deputados poderá significar uma maior chance de ter suas demandas regionais representadas no Congresso, especialmente em estados hoje sub-representados. No entanto, também poderá haver um aumento na percepção de distanciamento entre os políticos e a população, se a medida for interpretada apenas como um mecanismo de ampliação de privilégios e gastos públicos.
Outro aspecto relevante é o possível impacto nas eleições. Com mais cadeiras disponíveis, partidos menores poderão ter maior chance de conquistar vagas, alterando a dinâmica eleitoral e a composição das bancadas no Congresso.
Transparência e pressão da sociedade
Diante das críticas e dos questionamentos sobre os custos, especialistas defendem maior transparência nos cálculos e estimativas que embasaram a proposta. O valor de R$ 3,6 milhões por deputado por ano, apesar de ser uma média plausível dentro dos padrões da Câmara, não foi detalhado no texto aprovado.
A pressão da sociedade civil organizada e dos meios de comunicação será essencial para garantir que o aumento de deputados resulte efetivamente em melhorias na representatividade e não em um inchaço da máquina pública.
O que esperar até 2027
Com o prazo do STF se aproximando, e o projeto já aprovado pela Câmara, o Senado deverá agora analisar e votar a proposta. Caso aprovada também pelos senadores, o novo número de deputados passará a valer a partir das eleições de 2026, com posse dos eleitos em 2027.
Se o Congresso falhar em regulamentar a nova distribuição, caberá ao TSE definir as regras — cenário que muitos parlamentares preferem evitar, para manter o controle legislativo sobre a questão.
O aumento no número de deputados é uma medida que, apesar das controvérsias, responde a uma exigência constitucional de adequação da representação proporcional. Embora os custos sejam uma preocupação legítima, a representatividade política também precisa acompanhar o crescimento populacional.
A decisão do Congresso marcará não apenas uma mudança numérica no parlamento, mas também um teste sobre o compromisso dos legisladores com a equidade federativa, a transparência e a responsabilidade fiscal.






