Banco do Brasil (BBAS3) descarta dividendos extraordinários em 2026 e mantém payout de 30%
O Banco do Brasil (BBAS3) realizou nesta quinta-feira (12) uma coletiva para detalhar seus resultados do quarto trimestre de 2025 e esclarecer expectativas para 2026, incluindo a política de dividendos. Apesar do lucro líquido ajustado ter superado as projeções do mercado, a instituição financeira deixou claro que os dividendos extraordinários não estão nos planos de curto prazo, priorizando a sustentabilidade dos resultados e a estabilidade do capital.
Sustentabilidade financeira e cautela nos dividendos
Durante o evento, o CFO do Banco do Brasil, Giovane Tobias, afirmou que, mesmo com a posição de capital confortável, o banco ainda não está em condições de anunciar pagamentos extraordinários. “Ainda estamos olhando de forma muito cautelosa a recuperação do agro e a cobrança do banco sobre essas dívidas”, explicou o executivo, reforçando que a prioridade neste momento é consolidar a saúde financeira da instituição.
Tobias destacou que o foco da diretoria permanece na execução de estratégias para elevar a rentabilidade do BBAS3 para níveis considerados ideais, sem comprometer a solidez do balanço. A política de dividendos para 2026, atualizada em janeiro, mantém o payout de 30%, sinalizando compromisso com a distribuição regular de proventos aos acionistas, mas sem excedentes extraordinários.
Nos últimos 12 meses, o Banco do Brasil apresentou um dividend yield de 4,61%, com base nos proventos distribuídos entre 12 de fevereiro deste ano e o mesmo período do ano anterior. O valor total dos dividendos por ação alcançou R$ 1,1829, de acordo com dados da Status Invest, mostrando consistência no retorno aos investidores mesmo em um ano marcado por desafios no setor de agronegócio.
Inadimplência rural pressiona resultados do BBAS3
A presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, ressaltou que o primeiro trimestre de 2026 ainda deve apresentar desafios, especialmente por concentrar operações do ciclo anterior de crédito rural. Essas operações foram contratadas antes da implementação dos novos modelos de mitigação de risco, o que mantém a inadimplência rural como fator relevante para o desempenho financeiro do banco.
Segundo Medeiros, a inadimplência no agronegócio continua impactando os resultados, mas a expectativa é que os efeitos se diluam ao longo do ano conforme as novas políticas de risco se consolidem. O retorno sobre o patrimônio (ROE) projetado para 2026 pelo BBAS3 varia entre 10% e 13%, abaixo dos níveis entregues por bancos privados, como o Itaú Unibanco (ITUB4), que registrou ROE anualizado de 24,4% em 2025.
Política de dividendos: foco no payout regular
O Banco do Brasil enfatizou que a distribuição de dividendos seguirá a política de payout de 30%, garantindo consistência e previsibilidade para os acionistas. Essa decisão reflete a estratégia de manter o capital do banco em níveis seguros, especialmente diante da necessidade de acompanhar a recuperação das operações rurais e da cobrança de créditos com atraso.
Giovane Tobias reforçou que, embora o capital esteja confortável para os próximos três anos, a decisão sobre dividendos extraordinários dependerá da consolidação da recuperação da rentabilidade e da evolução do agro, principal motor de risco no curto prazo.
Desempenho recente do BBAS3
Apesar das incertezas, o quarto trimestre de 2025 registrou lucro líquido ajustado acima das expectativas, mostrando capacidade do banco em manter resultados positivos mesmo em um cenário desafiador. A boa performance foi atribuída a uma combinação de gestão disciplinada de crédito e alavancagem operacional eficiente, mas não altera a decisão de manter cautela com dividendos extraordinários.
O Banco do Brasil (BBAS3) segue fortalecendo sua governança e estratégia de risco, garantindo previsibilidade aos acionistas e mantendo a credibilidade do mercado. A instituição aposta em práticas estruturais para reduzir inadimplência e ampliar a eficiência na cobrança do crédito rural, sem comprometer a política de distribuição regular de dividendos.
Perspectivas para 2026
Para o próximo ano, a expectativa é que o BBAS3 siga equilibrando crescimento, risco e retorno aos acionistas. O foco em crédito de alta qualidade, gestão de inadimplência e manutenção de payout consistente deve sustentar a confiança do mercado, mesmo sem a promessa de dividendos extraordinários.
A decisão de manter os dividendos dentro do patamar previsto reflete prudência diante de fatores macroeconômicos e setoriais, incluindo a recuperação do agronegócio e a evolução das políticas de mitigação de risco. Analistas do setor destacam que a estabilidade na política de dividendos reforça a imagem do banco como instituição sólida e confiável, capaz de enfrentar períodos de volatilidade sem comprometer a saúde financeira.
A manutenção de payout de 30% e a ausência de dividendos extraordinários reforçam a estratégia do BBAS3 de priorizar a sustentabilidade financeira, garantindo aos investidores previsibilidade e segurança, enquanto o banco ajusta suas operações rurais e comerciais ao novo cenário econômico.









