Bancos brasileiros fecham 2025 com lucros sólidos e perspectivas de dividendos para 2026
O setor bancário brasileiro, responsável por quase 7% do peso do Ibovespa, encerrou 2025 com resultados que surpreenderam o mercado, reforçando a relevância dessas instituições para o índice e para investidores que buscam segurança e retorno consistente. Apesar de desafios macroeconômicos e a perspectiva de cortes na Selic ao longo de 2026, os grandes bancos privados — Bradesco, Itaú, BTG Pactual e Santander — mostraram capacidade de adaptação, enquanto o Banco do Brasil apresentou resultados mistos, ainda em recuperação.
A análise detalhada das demonstrações financeiras de cada banco revela nuances importantes para entender não apenas o desempenho passado, mas também as oportunidades de investimento no setor.
Por que os bancos brasileiros foram destaque no Ibovespa em 2025?
Os bancos brasileiros atuam em um cenário de juros elevados desde 2024, o que historicamente favorece a rentabilidade de operações de crédito e instrumentos de investimento. No entanto, essa condição também exige gestão operacional eficiente, controle de inadimplência e diversificação de receitas.
Em 2025, a combinação desses fatores levou as instituições a consolidarem lucros robustos, mantendo ROEs elevados e reforçando a distribuição de dividendos. A confiança do mercado refletiu-se na valorização das ações, mesmo em momentos de volatilidade no cenário macroeconômico nacional e internacional.
Segundo especialistas, o setor conseguiu equilibrar crescimento da base de clientes, expansão de produtos e eficiência operacional, garantindo resultados consistentes. Além disso, a política de dividendos continuou sendo um ponto central para atrair investidores defensivos que buscam previsibilidade de caixa.
Como o ROE impacta a rentabilidade de Bradesco, Itaú e BTG?
O Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE) é uma métrica fundamental para avaliar a eficiência de um banco em gerar lucros sobre o capital dos acionistas. Em 2025, o ROE variou significativamente entre as instituições:
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BTG Pactual: 26,9% — o maior entre os pares, indicando eficiência operacional e alta rentabilidade estrutural. A performance foi impulsionada por áreas de negociação de ativos, assessoria em negócios, empréstimos corporativos e gestão de fundos de clientes.
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Itaú Unibanco: 23,4% — segundo maior ROE, sustentado pela diversificação de receitas, aumento da base de clientes e manutenção da qualidade da carteira de crédito.
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Bradesco: 14,8% — considerado saudável, embora abaixo do patamar de ROEs de bancos de médio porte, beneficiando-se de reestruturação e foco em redução de custos.
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Santander: 17,6% — ROE satisfatório, sustentado por linhas de cartões e crédito imobiliário, apesar de margem e alíquota de imposto efetiva mais baixas.
Esses indicadores demonstram que a eficiência na alocação de capital e gestão de receitas é um fator decisivo para a performance do setor, especialmente em um cenário de juros em queda gradual, projetada para 12,25% ao final de 2026 segundo o boletim Focus.
Qual banco teve maior crescimento de lucro em 2025?
No comparativo anual, o BTG Pactual apresentou destaque com alta de 35% no lucro líquido, totalizando R$ 16,68 bilhões. O Itaú Unibanco liderou em volume absoluto com R$ 46,8 bilhões, seguido por Bradesco com R$ 24,6 bilhões e Santander com R$ 15,61 bilhões.
O Banco do Brasil registrou lucro líquido ajustado de R$ 20,7 bilhões, queda de 45% em relação a 2024, mas superou expectativas no quarto trimestre com R$ 5,7 bilhões, evidenciando recuperação parcial. A diferença entre lucro contábil e operacional reforça a necessidade de avaliação detalhada das métricas de cada instituição para decisões de investimento fundamentadas.
Banco do Brasil: recuperação ou fragilidade estrutural?
Apesar do movimento positivo no quarto trimestre, o ROE do Banco do Brasil de 11,4% ainda indica rentabilidade abaixo da média do setor privado. O lucro final foi impulsionado por ganhos tributários pontuais, enquanto o lucro antes dos impostos (EBT) ficou 17% abaixo do esperado.
Para investidores, isso significa que o lucro “real” da operação continua mais frágil, embora as ações apresentem valorização em 2026 após queda de 7,65% em 2025. O cenário sugere cautela, mas também potencial de recuperação caso a instituição fortaleça operações e diversifique receitas.
Como o ambiente macroeconômico influencia os bancos?
O cenário de juros futuros e expectativa de início de cortes na Selic ao longo de 2026 influencia diretamente o crédito e o consumo bancário. Juros menores tendem a estimular demanda por empréstimos pessoais, corporativos e financiamentos imobiliários, enquanto aumentam a pressão sobre margens de operações financeiras tradicionais.
Outros fatores macroeconômicos, como crescimento do PIB, inflação sob controle e estabilidade da carteira de crédito, determinam o desempenho sustentável do setor. Investidores monitoram indicadores como inadimplência, provisões para devedores duvidosos e qualidade de ativos, que impactam diretamente o ROE e a capacidade de distribuir dividendos.
O que esperar dos dividendos bancários em 2026?
Uma das principais teses para o setor continua sendo a remuneração de acionistas via dividendos. Bradesco, Itaú e Santander têm mantido política consistente de distribuição de proventos, tornando-se opções atrativas para investidores defensivos que priorizam previsibilidade de fluxo de caixa.
O BTG Pactual, embora com menor payout histórico, destaca-se pela rentabilidade estrutural elevada, o que também favorece retornos significativos a longo prazo. Já o Banco do Brasil precisa consolidar resultados mais robustos para garantir dividendos estáveis nos próximos ciclos.
Como o desempenho recente pode afetar o Ibovespa?
O setor bancário, representando cerca de 7% do Ibovespa, atua como força motriz para o índice. O desempenho positivo das ações privadas ajuda a sustentar o índice mesmo em períodos de volatilidade macroeconômica ou política.
Movimentos de valorização como os registrados no BTG Pactual (85% em 12 meses), Bradesco (16,7%) e Itaú (31%) indicam confiança do mercado e estabilidade relativa, reforçando a importância do setor para o desempenho geral da bolsa.
Perspectivas para crédito corporativo e consumo em 2026
Segundo especialistas, o mercado de crédito deve se manter moderado, com demanda concentrada em alta renda, PMEs e grandes empresas. Essa tendência impacta diretamente a carteira de ativos e a capacidade de geração de receita dos bancos.
Ainda que juros projetados mais baixos possam reduzir margens financeiras, o consumo bancário e a diversificação de serviços podem compensar, garantindo sustentabilidade e oportunidades de crescimento para investidores.
Cenário de investimento: vale a pena apostar nos bancos agora?
Com base nos resultados de 2025, a perspectiva para 2026 continua atraente para investidores que buscam:
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Dividendos consistentes — principalmente em bancos privados com ROEs acima de 20%.
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Exposição defensiva — segurança em meio a volatilidade macroeconômica e política.
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Rentabilidade estrutural — eficiência operacional, diversificação de receitas e gestão de risco.
Apesar do cenário favorável, é recomendada cautela, pois a economia brasileira ainda enfrenta incertezas quanto ao crescimento do PIB e à demanda por crédito corporativo e investimentos.









