BofA mantém recomendação de compra para Bradesco após resultados e projeções para 2026
O Bank of America (BofA) decidiu manter a recomendação de compra para as ações do Bradesco (BBDC4), mesmo diante de um guidance mais conservador apresentado pelo banco brasileiro para 2026. A avaliação reflete a leitura de que a combinação entre crescimento consistente da carteira de crédito, controle da inadimplência, expansão gradual da rentabilidade e forte geração de caixa continua sustentando a tese de valorização do papel no médio prazo. Para o banco americano, os números reforçam que o processo de recuperação do Bradesco está em curso e apresenta bases mais sólidas do que em ciclos anteriores.
A decisão do BofA de reiterar a visão positiva ocorre após a divulgação dos resultados do quarto trimestre, que vieram amplamente em linha com as expectativas do mercado e com as próprias estimativas da instituição. O lucro líquido reportado no período somou R$ 6,48 bilhões, resultado que representa um avanço expressivo de 31% na comparação anual e ficou apenas 1% acima das projeções do banco americano. O desempenho confirma a melhora gradual da eficiência operacional e da qualidade dos ativos, fatores centrais para a manutenção da recomendação.
Resultados trimestrais confirmam trajetória de recuperação
Na avaliação do BofA, os números do quarto trimestre de 2025 reforçam que o Bradesco conseguiu consolidar a recuperação observada ao longo do ano. O Retorno Sobre o Patrimônio Líquido, indicador-chave de rentabilidade, alcançou 14,8% no fechamento de 2025, sinalizando um avanço consistente frente aos patamares mais baixos registrados em períodos anteriores.
Para os analistas, esse movimento não é pontual, mas resultado de uma estratégia de reequilíbrio entre crescimento de crédito, disciplina na concessão, revisão de processos internos e reforço da governança de risco. Esse conjunto de fatores sustenta a leitura de que a BofA recomenda compra do Bradesco não apenas com base em resultados passados, mas na expectativa de continuidade do ciclo positivo.
Guidance para 2026 é conservador, mas não altera a tese
Apesar do desempenho sólido, o guidance divulgado pelo Bradesco para 2026 trouxe projeções consideradas cautelosas pelo mercado. A instituição estima lucro líquido de R$ 27,6 bilhões e ROE de 15,5% para o próximo exercício, o que representa um crescimento de 11% em relação a 2025. Ainda assim, essas projeções ficam cerca de 4% abaixo do consenso de mercado e aproximadamente 7% aquém da estimativa do próprio BofA.
Segundo o relatório, essa diferença está diretamente relacionada à expectativa de despesas operacionais mais elevadas ao longo de 2026. O banco brasileiro prevê um pico de investimentos em tecnologia, com foco em modernização de sistemas, digitalização de processos e reforço da infraestrutura de dados. Embora esses gastos pressionem os resultados no curto prazo, o BofA avalia que se tratam de investimentos estruturantes, com potencial de gerar ganhos de eficiência e competitividade nos anos seguintes.
Tecnologia pesa nos custos, mas fortalece o modelo de longo prazo
O aumento das despesas operacionais é apontado como o principal fator por trás do guidance mais conservador. O Bradesco vem ampliando significativamente seus investimentos em tecnologia, em um movimento alinhado às transformações do setor bancário global. Para o BofA, esse esforço é necessário para preservar participação de mercado, melhorar a experiência do cliente e reduzir custos estruturais no médio e longo prazo.
Mesmo com a pressão de curto prazo, o banco americano destaca que a forte geração de caixa do Bradesco oferece conforto para atravessar esse período de investimentos mais intensos. Esse ponto reforça a leitura de que a BofA recomenda compra do Bradesco considerando uma visão estratégica e não apenas os resultados imediatos.
Expansão do crédito sustenta crescimento da receita
Outro pilar central da tese positiva está na perspectiva de crescimento da carteira de crédito. O guidance do Bradesco projeta expansão entre 8,5% e 10,5% em 2026, ritmo considerado saudável em um cenário macroeconômico ainda marcado por incertezas. Para o BofA, a combinação de crescimento moderado com critérios mais rigorosos de concessão reduz riscos e contribui para a manutenção da qualidade da carteira.
A instituição destaca que a provisão para perdas de crédito permanece sob controle, refletindo uma política mais conservadora adotada nos últimos trimestres. Esse fator é visto como essencial para sustentar o crescimento de lucro em dois dígitos, mesmo em um ambiente de custos mais elevados.
Segmento de seguros continua sendo diferencial estratégico
O relatório do BofA também chama atenção para o desempenho do segmento de seguros, tradicionalmente um dos pilares do Bradesco. Em 2025, a receita dessa área avançou 16%, superando a faixa prevista no guidance. Para 2026, a expectativa é de crescimento entre 6% e 8%, ritmo considerado robusto para um negócio já maduro.
Apesar de uma desaceleração pontual no quarto trimestre, quando o crescimento ficou em 2% devido ao aumento da sinistralidade em seguros de vida, o retorno sobre o patrimônio do segmento alcançou expressivos 24,3%. Para o BofA, esse nível de rentabilidade reforça a relevância estratégica da área e sustenta a visão de que a BofA recomenda compra do Bradesco com base em múltiplas fontes de geração de valor.
Receitas de tarifas mostram resiliência
Nas linhas de receita, o desempenho das tarifas também foi destacado de forma positiva. Em 2025, as receitas com tarifas cresceram 9%, atingindo o topo da meta estabelecida pelo próprio banco. Cartões e consórcios foram os principais vetores desse avanço, demonstrando capacidade de monetização mesmo em um ambiente competitivo.
Para o BofA, essa resiliência é fundamental para compensar pressões de custos e eventuais oscilações em outras linhas de negócio. A diversificação das fontes de receita contribui para a estabilidade dos resultados e reduz a dependência exclusiva da margem financeira.
Capitalização segue confortável apesar de leve recuo
O índice de capital principal do Bradesco encerrou o quarto trimestre em 11,2%, após recuo de 20 pontos-base. O movimento foi atribuído principalmente ao pagamento de dividendos e ao aumento dos ativos ponderados por risco. Ainda assim, o BofA considera o nível de capital confortável e compatível com a estratégia de crescimento do banco.
A desalavancagem gradual, aliada à forte geração de caixa, reforça a capacidade do Bradesco de sustentar investimentos, remunerar acionistas e absorver eventuais choques macroeconômicos. Esse conjunto de fatores reforça o racional por trás da decisão de manter a recomendação.
Expectativa de crescimento de dois dígitos reforça recomendação
Mesmo reconhecendo um cenário de despesas mais elevadas em 2026, o BofA projeta que o Bradesco será capaz de entregar crescimento de lucro de dois dígitos no ano. A combinação de crédito em expansão, seguros rentáveis, tarifas resilientes e provisões sob controle sustenta essa expectativa.
Para os analistas, o mercado tende a precificar excessivamente o impacto negativo do guidance mais conservador, abrindo espaço para valorização dos papéis à medida que os resultados confirmem a trajetória positiva. Nesse contexto, a avaliação é clara: a BofA recomenda compra do Bradesco como uma aposta em recuperação estrutural e geração consistente de valor.
Bradesco segue no radar dos investidores institucionais
A manutenção da recomendação de compra por uma instituição do porte do Bank of America reforça a relevância do Bradesco no radar de investidores institucionais, tanto locais quanto internacionais. O banco brasileiro aparece como um dos principais beneficiários de um ambiente macroeconômico mais previsível, desde que consiga executar com disciplina sua estratégia de investimentos e controle de custos.
O relatório indica que, mesmo com desafios no curto prazo, o Bradesco reúne condições para fortalecer sua posição competitiva no sistema financeiro brasileiro. Esse cenário sustenta a confiança do BofA e reforça a leitura de que o papel ainda oferece uma relação risco-retorno atrativa.









