Bolsas asiáticas fecham mistas em meio a tensões comerciais dos EUA e impacto do payroll decepcionante
Mercados da Ásia reagem a novas tarifas impostas por Trump e à desaceleração no emprego nos EUA
As bolsas asiáticas iniciaram a semana de forma mista, refletindo a instabilidade dos mercados globais diante de fatores geopolíticos e econômicos decisivos. As incertezas provocadas pelas novas tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos e os dados fracos do payroll — relatório oficial de empregos nos EUA — influenciaram diretamente o desempenho dos índices acionários na região, com investidores divididos entre cautela e expectativa.
O cenário, nesta segunda-feira (04/08), revela uma Ásia dividida: enquanto alguns mercados encerraram em alta moderada, outros recuaram, afetados por temores de desaceleração global, pressões inflacionárias e o fantasma de novas decisões do Federal Reserve (Fed).
Bolsas asiáticas sob o impacto das novas tarifas dos EUA
A imposição de tarifas “recíprocas” por parte da Casa Branca, anunciada na semana passada, alterou a percepção de risco entre os investidores asiáticos. As tarifas variam entre 10% e 41% e atingem 69 países parceiros comerciais dos EUA, incluindo importantes economias da Ásia. A medida começa a valer na próxima quinta-feira (07/08), gerando preocupações sobre o fluxo de exportações, cadeias produtivas e impacto nos resultados corporativos.
As bolsas asiáticas, sensíveis a qualquer alteração no comércio internacional, reagiram de forma desigual. A retaliação esperada por parte de algumas economias afetadas adiciona mais pressão ao cenário já fragilizado por indicadores econômicos abaixo do esperado nos EUA.
Japão em queda: Nikkei pressionado por bancos
Em Tóquio, o índice Nikkei caiu 1,25%, fechando a 40.290,70 pontos. O setor bancário liderou as perdas, refletindo preocupações com a rentabilidade das instituições diante de uma possível desaceleração econômica global e uma política monetária ainda incerta nos EUA e no Japão.
Os bancos japoneses, que tradicionalmente se beneficiam de ambientes de taxas mais altas, veem seu desempenho ameaçado por uma perspectiva de afrouxamento monetário contínuo. Além disso, a dependência do Japão em relação ao comércio internacional torna o país particularmente sensível às medidas protecionistas.
Coreia do Sul e Hong Kong em alta: respiro técnico após quedas anteriores
Na Coreia do Sul, o Kospi subiu 0,91%, encerrando aos 3.147,745 pontos, puxado por ações de tecnologia e exportadoras. A valorização ocorreu mesmo com a tensão no ar, sendo interpretada como um movimento de recuperação técnica após perdas recentes.
Em Hong Kong, o Hang Seng avançou 0,92%, a 24.733,45 pontos. Empresas do setor imobiliário e de tecnologia impulsionaram o índice. Investidores locais também avaliaram positivamente as perspectivas de novas medidas de estímulo por parte do governo chinês para conter os efeitos de desaceleração.
China continental registra alta com expectativa de estímulo interno
O Xangai Composto teve alta de 0,66%, a 3.583,31 pontos, e o Shenzhen Composto subiu 0,78%, para 2.192,56 pontos. A recuperação modesta dos índices chineses reflete o otimismo com a possibilidade de novas medidas de apoio à economia doméstica, diante da redução da demanda externa provocada pelas tarifas americanas.
Setores como infraestrutura, energia e tecnologia foram destaque, sustentados por rumores de que Pequim deve lançar pacotes fiscais e incentivos ao consumo ainda no segundo semestre de 2025.
Taiwan registra leve queda: impacto das exportações em foco
O índice Taiex, de Taiwan, recuou 0,24%, fechando em 23.378,94 pontos. A ilha, altamente dependente das exportações de semicondutores e produtos eletrônicos, sente o peso da possível redução de demanda dos EUA, principal parceiro comercial. A queda foi modesta, mas sinaliza o nervosismo dos investidores com as implicações das tarifas americanas.
Payroll fraco dos EUA intensifica temores de recessão
Outro fator que influenciou diretamente as bolsas asiáticas foi a divulgação dos dados do payroll dos EUA referentes a julho. O país criou apenas 73 mil empregos no mês, número muito abaixo das projeções dos analistas, que esperavam mais de 180 mil vagas. Além disso, os números de maio e junho foram revisados para baixo.
Esse desempenho fraco do mercado de trabalho americano elevou os temores de recessão e ampliou as apostas de que o Fed pode cortar os juros já na reunião de setembro. A possibilidade de uma política monetária mais branda, embora favoreça ativos de risco no longo prazo, gera incerteza no curto prazo sobre a saúde da economia global.
Wall Street em queda reforça cautela nos mercados asiáticos
Na sexta-feira anterior (01/08), os principais índices de Wall Street recuaram com força, arrastados pelos dados do payroll. O S&P 500, o Dow Jones e o Nasdaq encerraram com perdas significativas, o que contribuiu para o sentimento de aversão ao risco nas praças asiáticas nesta segunda-feira.
Além disso, o presidente dos EUA demitiu a chefe do órgão de estatísticas do país, aumentando a sensação de instabilidade institucional e prejudicando a confiança dos investidores.
Austrália registra estabilidade, mas segue sob vigilância
Na Oceania, a bolsa australiana teve desempenho praticamente neutro. O S&P/ASX 200 subiu 0,02%, alcançando 8.663,70 pontos em Sydney. A estabilidade reflete o equilíbrio entre setores exportadores, prejudicados pelas tarifas, e empresas internas beneficiadas por estímulos domésticos.
Os investidores australianos mantêm cautela, monitorando de perto os desdobramentos do comércio internacional e os impactos sobre as commodities — setor vital para a economia local.
Perspectivas para os próximos dias no mercado asiático
Os próximos dias prometem ser intensos nos mercados asiáticos. A entrada em vigor das tarifas dos EUA, programada para o dia 7 de agosto, será o principal catalisador de volatilidade. Dependendo da reação dos parceiros comerciais atingidos, novas medidas retaliatórias podem surgir, ampliando o risco geopolítico.
Além disso, os olhos estarão voltados para novas declarações do Fed, dados macroeconômicos da China e indicadores de atividade industrial no Japão e Coreia do Sul. Qualquer sinal de desaceleração ou estímulo pode provocar fortes movimentos nos índices regionais.
Cautela marca o início da semana nas bolsas asiáticas
O desempenho misto das bolsas asiáticas nesta segunda-feira revela um mercado dividido entre otimismo pontual e receio estrutural. Por um lado, os estímulos domésticos em países como China e Coreia do Sul oferecem algum suporte aos mercados. Por outro, as novas tarifas americanas e os dados decepcionantes do mercado de trabalho dos EUA criam um cenário de alerta global.
Em um ambiente de alta complexidade, a palavra de ordem entre investidores é prudência. Com a escalada das tensões comerciais e sinais de fraqueza econômica nos EUA, as bolsas asiáticas seguirão reagindo com volatilidade — reflexo de um mundo em transformação constante.






