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Servidor revela: Governo Bolsonaro tentou ligar Lula a facção criminosa durante eleições de 2022

Depoimento revela uso da máquina pública para associar Lula ao Comando Vermelho durante as eleições através de fake news

por Gabriel Monteiro
14/07/2025 às 17h33
em Política
Servidor Revela: Governo Bolsonaro Tentou Ligar Lula A Facção Criminosa Durante Eleições De 2022 Gazeta Mercantil

Governo Bolsonaro tentou ligar Lula a facção criminosa durante eleições, revela servidor ao STF

O Supremo Tribunal Federal (STF) colheu novos depoimentos que apontam para uma manobra política extremamente grave: o uso da inteligência do Ministério da Justiça, durante o governo de Jair Bolsonaro, para tentar associar o então candidato à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva, a facções criminosas, especialmente o Comando Vermelho.

O servidor Clebson Ferreira de Paula Vieira, analista de inteligência da Secretaria de Operações Integradas do Ministério da Justiça à época, revelou em audiência que recebeu ordens para elaborar relatórios que sugerissem correlação entre o desempenho eleitoral de Lula e regiões dominadas por facções.

Leia também: Meio/Ideia: Lula abre 5,5 pontos sobre Flávio Bolsonaro em cenário de segundo turno.

Essa tentativa de ligar Lula a uma facção criminosa teria sido conduzida como estratégia para influenciar a opinião pública durante a corrida presidencial de 2022, o que coloca em xeque a legalidade e a ética de agentes estatais no processo democrático.


Servidor afirma que missão era encontrar ligações entre Lula e o Comando Vermelho

Clebson Vieira afirmou que recebeu, ainda no primeiro turno das eleições, uma ordem direta de sua chefe imediata, Marília de Alencar — então diretora de Inteligência da Secretaria de Operações Integradas — para investigar se havia correlação estatística entre os locais com maior votação de Lula e áreas controladas pelo Comando Vermelho (CV) no estado do Rio de Janeiro.

Leia também: Eleições em São Paulo: Ricardo Nunes Responde Críticas e Nacionaliza Debate no Segundo Turno.

Segundo Vieira, o direcionamento não era técnico ou imparcial: apesar da solicitação abranger supostamente todos os candidatos, na prática, somente os dados sobre Lula foram considerados. Isso configura uma clara tentativa de produzir material que pudesse incriminar o então candidato por associação indireta a atividades criminosas, com fins eleitorais.


Análise eleitoral foi feita com viés político, segundo depoimento

Além da busca por correlação entre Lula e áreas dominadas por facções, outras tarefas atribuídas ao servidor Clebson também reforçam o caráter político da atuação. Ele contou que foi solicitado um levantamento de localidades onde os candidatos obtiveram mais de 75% dos votos. Porém, novamente, apenas os dados referentes a Lula receberam atenção da chefia.

Vieira declarou ainda que se sentia “mal” com as ordens recebidas, que deixavam claro o viés político da ação. Conversas com a esposa, por meio de aplicativos de mensagens, serviram de válvula de escape emocional diante do desconforto profissional e ético.


PRF também teria atuado para dificultar eleitores de Lula

Outro depoimento relevante foi prestado por Adiel Pereira Alcântara, ex-coordenador de Inteligência da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Ele confirmou que, nas eleições de 2022, houve orientação de intensificação das fiscalizações em estados estratégicos, como Rio de Janeiro, Goiás, Minas Gerais e São Paulo — de onde saem muitos eleitores em direção ao Nordeste, reduto tradicional de Lula.

As ações da PRF se concentraram em abordagens a ônibus e vans, o que poderia ter como objetivo dificultar o acesso de eleitores pró-Lula às urnas. A atuação da PRF nesse sentido já havia sido denunciada por entidades de direitos civis, e os novos depoimentos reforçam a gravidade das suspeitas.


Depoimentos integram ação penal sobre tentativa de golpe de Estado

As falas de Vieira e Alcântara foram prestadas no âmbito de uma das ações penais em curso no STF que investigam a tentativa de golpe de Estado articulada por membros do governo Bolsonaro. Os depoimentos visam esclarecer as ações do chamado “Núcleo 2”, que seria responsável por estratégias de inteligência, monitoramento de opositores e desinformação.

Os nomes ligados a esse núcleo incluem:

  • Marília de Alencar, ex-diretora de Inteligência e responsável direta pelas ordens dadas a Vieira;

  • Filipe Martins, ex-assessor de Assuntos Internacionais de Bolsonaro;

  • Marcelo Câmara, também ex-assessor presidencial;

  • Silvinei Vasques, ex-diretor da PRF;

  • Mário Fernandes, general do Exército;

  • Fernando de Sousa Oliveira, ex-secretário-adjunto de Segurança do Distrito Federal.


Manipulação de dados para influenciar eleição é crime gravíssimo

A tentativa de associar Lula a uma facção criminosa como parte de uma estratégia eleitoral baseada na desinformação é considerada por juristas como uma violação grave da Constituição. A instrumentalização da máquina pública para atacar opositores políticos representa crime de responsabilidade, além de configurar possível abuso de autoridade e falsidade ideológica.

Se comprovada, a manobra pode levar à responsabilização criminal de diversos agentes públicos e à inelegibilidade de envolvidos, dependendo da gravidade e do grau de participação na operação.


O que se sabe até agora: uma ação orquestrada contra Lula

Os elementos colhidos até o momento indicam que houve uma estrutura organizada dentro do governo Bolsonaro para usar órgãos de Estado na tentativa de minar a candidatura de Lula com acusações de ligação com o crime organizado. A intenção seria abalar sua imagem junto ao eleitorado, especialmente nos estados do Sudeste.

A estratégia também se encaixa no contexto de outras ações relatadas no inquérito, como a tentativa de criar minutas golpistas, a disseminação de fake news e o estímulo à desconfiança nas urnas eletrônicas.


Mauro Cid pode ser peça-chave nas novas revelações

O ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, Mauro Cid, segue prestando depoimentos e cooperando com as investigações. Já considerado um dos delatores da trama golpista, Cid pode confirmar, nas próximas audiências, se o próprio Bolsonaro tinha conhecimento ou participação direta nas ordens para associar Lula a facções criminosas.


Democracia sob ameaça: por que o caso é tão grave

A tentativa de usar estruturas do Estado para interferir na eleição por meio da criação de falsas associações entre um candidato e organizações criminosas não apenas infringe leis, como ameaça os fundamentos do processo democrático.

Esse episódio é simbólico de uma fase sombria da política brasileira, marcada por ataques às instituições e tentativas de permanência no poder a qualquer custo. O caso reforça a importância da atuação independente do STF, do Ministério Público e da imprensa no combate a práticas autoritárias.


Associar Lula ao crime foi estratégia do governo Bolsonaro para influenciar eleição

As revelações trazidas pelos depoimentos reforçam que houve uma tentativa coordenada, dentro do governo Bolsonaro, de ligar Lula a facções criminosas como estratégia para desmoralizar o adversário político. Isso foi feito por meio do uso de inteligência estatal, manipulação de dados eleitorais e fiscalização direcionada por órgãos como a PRF.

Essas práticas representam um grave atentado à democracia brasileira e devem ser tratadas com máxima seriedade pelas autoridades. A responsabilização dos envolvidos é fundamental para preservar a integridade do sistema eleitoral e o equilíbrio entre os Poderes.

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