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Servidor revela: Governo Bolsonaro tentou ligar Lula a facção criminosa durante eleições de 2022

Depoimento revela uso da máquina pública para associar Lula ao Comando Vermelho durante as eleições através de fake news

por Redação
14/07/2025 às 17h33 - Atualizado em 14/05/2026 às 17h11
em Política, Brasil, Destaque, Notícias
Servidor Revela: Governo Bolsonaro Tentou Ligar Lula A Facção Criminosa Durante Eleições De 2022 Gazeta Mercantil

Governo Bolsonaro tentou ligar Lula a facção criminosa durante eleições, revela servidor ao STF

O Supremo Tribunal Federal (STF) colheu novos depoimentos que apontam para uma manobra política extremamente grave: o uso da inteligência do Ministério da Justiça, durante o governo de Jair Bolsonaro, para tentar associar o então candidato à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva, a facções criminosas, especialmente o Comando Vermelho.

O servidor Clebson Ferreira de Paula Vieira, analista de inteligência da Secretaria de Operações Integradas do Ministério da Justiça à época, revelou em audiência que recebeu ordens para elaborar relatórios que sugerissem correlação entre o desempenho eleitoral de Lula e regiões dominadas por facções.

Essa tentativa de ligar Lula a uma facção criminosa teria sido conduzida como estratégia para influenciar a opinião pública durante a corrida presidencial de 2022, o que coloca em xeque a legalidade e a ética de agentes estatais no processo democrático.


Servidor afirma que missão era encontrar ligações entre Lula e o Comando Vermelho

Clebson Vieira afirmou que recebeu, ainda no primeiro turno das eleições, uma ordem direta de sua chefe imediata, Marília de Alencar — então diretora de Inteligência da Secretaria de Operações Integradas — para investigar se havia correlação estatística entre os locais com maior votação de Lula e áreas controladas pelo Comando Vermelho (CV) no estado do Rio de Janeiro.

Segundo Vieira, o direcionamento não era técnico ou imparcial: apesar da solicitação abranger supostamente todos os candidatos, na prática, somente os dados sobre Lula foram considerados. Isso configura uma clara tentativa de produzir material que pudesse incriminar o então candidato por associação indireta a atividades criminosas, com fins eleitorais.


Análise eleitoral foi feita com viés político, segundo depoimento

Além da busca por correlação entre Lula e áreas dominadas por facções, outras tarefas atribuídas ao servidor Clebson também reforçam o caráter político da atuação. Ele contou que foi solicitado um levantamento de localidades onde os candidatos obtiveram mais de 75% dos votos. Porém, novamente, apenas os dados referentes a Lula receberam atenção da chefia.

Vieira declarou ainda que se sentia “mal” com as ordens recebidas, que deixavam claro o viés político da ação. Conversas com a esposa, por meio de aplicativos de mensagens, serviram de válvula de escape emocional diante do desconforto profissional e ético.


PRF também teria atuado para dificultar eleitores de Lula

Outro depoimento relevante foi prestado por Adiel Pereira Alcântara, ex-coordenador de Inteligência da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Ele confirmou que, nas eleições de 2022, houve orientação de intensificação das fiscalizações em estados estratégicos, como Rio de Janeiro, Goiás, Minas Gerais e São Paulo — de onde saem muitos eleitores em direção ao Nordeste, reduto tradicional de Lula.

As ações da PRF se concentraram em abordagens a ônibus e vans, o que poderia ter como objetivo dificultar o acesso de eleitores pró-Lula às urnas. A atuação da PRF nesse sentido já havia sido denunciada por entidades de direitos civis, e os novos depoimentos reforçam a gravidade das suspeitas.


Depoimentos integram ação penal sobre tentativa de golpe de Estado

As falas de Vieira e Alcântara foram prestadas no âmbito de uma das ações penais em curso no STF que investigam a tentativa de golpe de Estado articulada por membros do governo Bolsonaro. Os depoimentos visam esclarecer as ações do chamado “Núcleo 2”, que seria responsável por estratégias de inteligência, monitoramento de opositores e desinformação.

Os nomes ligados a esse núcleo incluem:

  • Marília de Alencar, ex-diretora de Inteligência e responsável direta pelas ordens dadas a Vieira;

  • Filipe Martins, ex-assessor de Assuntos Internacionais de Bolsonaro;

  • Marcelo Câmara, também ex-assessor presidencial;

  • Silvinei Vasques, ex-diretor da PRF;

  • Mário Fernandes, general do Exército;

  • Fernando de Sousa Oliveira, ex-secretário-adjunto de Segurança do Distrito Federal.


Manipulação de dados para influenciar eleição é crime gravíssimo

A tentativa de associar Lula a uma facção criminosa como parte de uma estratégia eleitoral baseada na desinformação é considerada por juristas como uma violação grave da Constituição. A instrumentalização da máquina pública para atacar opositores políticos representa crime de responsabilidade, além de configurar possível abuso de autoridade e falsidade ideológica.

Se comprovada, a manobra pode levar à responsabilização criminal de diversos agentes públicos e à inelegibilidade de envolvidos, dependendo da gravidade e do grau de participação na operação.


O que se sabe até agora: uma ação orquestrada contra Lula

Os elementos colhidos até o momento indicam que houve uma estrutura organizada dentro do governo Bolsonaro para usar órgãos de Estado na tentativa de minar a candidatura de Lula com acusações de ligação com o crime organizado. A intenção seria abalar sua imagem junto ao eleitorado, especialmente nos estados do Sudeste.

A estratégia também se encaixa no contexto de outras ações relatadas no inquérito, como a tentativa de criar minutas golpistas, a disseminação de fake news e o estímulo à desconfiança nas urnas eletrônicas.


Mauro Cid pode ser peça-chave nas novas revelações

O ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, Mauro Cid, segue prestando depoimentos e cooperando com as investigações. Já considerado um dos delatores da trama golpista, Cid pode confirmar, nas próximas audiências, se o próprio Bolsonaro tinha conhecimento ou participação direta nas ordens para associar Lula a facções criminosas.


Democracia sob ameaça: por que o caso é tão grave

A tentativa de usar estruturas do Estado para interferir na eleição por meio da criação de falsas associações entre um candidato e organizações criminosas não apenas infringe leis, como ameaça os fundamentos do processo democrático.

Esse episódio é simbólico de uma fase sombria da política brasileira, marcada por ataques às instituições e tentativas de permanência no poder a qualquer custo. O caso reforça a importância da atuação independente do STF, do Ministério Público e da imprensa no combate a práticas autoritárias.


Associar Lula ao crime foi estratégia do governo Bolsonaro para influenciar eleição

As revelações trazidas pelos depoimentos reforçam que houve uma tentativa coordenada, dentro do governo Bolsonaro, de ligar Lula a facções criminosas como estratégia para desmoralizar o adversário político. Isso foi feito por meio do uso de inteligência estatal, manipulação de dados eleitorais e fiscalização direcionada por órgãos como a PRF.

Essas práticas representam um grave atentado à democracia brasileira e devem ser tratadas com máxima seriedade pelas autoridades. A responsabilização dos envolvidos é fundamental para preservar a integridade do sistema eleitoral e o equilíbrio entre os Poderes.

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Após A Repercussão Da Suposta Compra Da Naskar, O Perfil Passou Por Alterações, Incluindo Arquivamento De Postagem, Mudanças Na Biografia, Remoção De Contas Seguidas E Bloqueio De Comentários. Naskar Deixou Investidores Sem Acesso Ao Aplicativo A Crise Da Naskar Começou Após A Fintech Não Realizar O Pagamento Mensal De Rendimentos Previsto Para 4 De Maio. Clientes Tentaram Contato Com Os Sócios Da Empresa Para Entender O Motivo Do Atraso, Mas, Segundo Relatos Reunidos No Texto-Base, Não Obtiveram Resposta. A Situação Se Agravou Quando O Aplicativo Da Naskar, Usado Pelos Investidores Para Acompanhar O Patrimônio Aplicado, Deixou De Funcionar Em 6 De Maio. Desde Então, Clientes Passaram A Relatar Dificuldade Para Acessar Informações Sobre Seus Saldos, Rendimentos E Eventual Cronograma De Devolução. A Naskar Atuava Há 13 Anos Captando Recursos De Clientes Com Promessa De Retorno De 2% Ao Mês, Patamar Muito Superior Ao Praticado Em Produtos Financeiros Tradicionais. Pela Estrutura Divulgada Aos Investidores, A Empresa Recebia Valores E Se Comprometia A Administrar O Patrimônio Dos Clientes, Pagando Rendimentos Mensais. O Modelo Atraiu Investidores De Diferentes Regiões Do País. A Crise, No Entanto, Expôs Riscos De Estruturas Privadas De Captação Com Promessa De Retorno Recorrente E Elevado. Quando Pagamentos Deixam De Ser Feitos, A Relação Entre Empresa E Cliente Rapidamente Passa Do Campo Comercial Para O Judicial E Regulatório. Segundo O Texto-Base, Os Valores A Serem Devolvidos Ou Ao Menos Esclarecidos Aos Clientes Superam R$ 900 Milhões. A Naskar, Por Sua Vez, Afirmou Que A Transação Com A Azara Capital Seria Uma “Operação Estratégica Voltada À Reorganização Das Atividades E À Continuidade Do Suporte Aos Investidores”. Azara Capital Não Informa Diretoria Nem Estrutura Operacional Um Dos Principais Pontos De Atenção É A Falta De Informações Institucionais Detalhadas Sobre A Azara Capital. 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Douglas Silva De Oliveira Aparece Ligado À Azara Segundo A Apuração Mencionada No Texto-Base, O Empresário Douglas Silva De Oliveira Se Apresentava Como Responsável Pela Azara Capital. Em Perfil Pessoal No Instagram, Ele Declarava Ser Fundador E Diretor Da Instituição, Mas A Informação Teria Sido Retirada Horas Após A Divulgação Da Transação Envolvendo A Naskar. Douglas Silva De Oliveira Consta Como Administrador E Sócio-Administrador De 11 Empresas Brasileiras, Sediadas No Distrito Federal E Em Diferentes Estados. Várias Dessas Companhias Têm Capitais Sociais Milionários, Segundo Os Dados Citados No Texto-Base. A Ligação Entre Douglas, Azara Capital E Naskar Passou A Ser Observada Com Mais Atenção Justamente Pelo Tamanho Da Operação Anunciada. A Suposta Compra De Uma Fintech Em Crise, Com Milhares De Investidores Aguardando Reembolso, Exige Comprovação De Capacidade Financeira E Clareza Sobre A Estrutura Jurídica Da Transação. A Naskar Informou Que A Azara Capital Passaria A Ser Responsável Pelo Contato Com Clientes Interessados Em Saber Quando Terão Seu Dinheiro De Volta. A Fintech Também Afirmou Que As Tratativas Para Devolução Começariam A Partir Da Semana Seguinte Ao Anúncio. Até A Última Atualização Do Texto-Base, Representantes Da Azara Capital Não Haviam Respondido A Tentativas De Contato Por Telefone, Whatsapp E E-Mail. Operação Envolveria Naskar, 7Trust E Next A Transação Anunciada Pela Naskar Não Se Limitaria À Gestora. Segundo A Empresa, A Azara Capital Teria Adquirido Também Outras Duas Companhias Do Grupo: 7Trust E Next. O Objetivo Declarado Seria Reorganizar As Atividades, Consolidar Informações Operacionais, Revisar Processos Existentes E Avançar Na Liquidação Com Investidores. O Valor Informado Para A Operação É De Aproximadamente R$ 1,2 Bilhão. A Cifra É Próxima Ao Montante Que Precisa Ser Devolvido Ou Explicado Aos Cerca De 3 Mil Clientes Da Fintech. Esse Alinhamento Entre Valor Da Transação E Passivo Estimado Aumenta A Importância De Documentação Verificável. Em Operações De Aquisição, Especialmente Quando Há Passivos Relevantes E Clientes Prejudicados, É Essencial Diferenciar Anúncio De Intenção, Assinatura De Contrato, Transferência Efetiva De Controle E Execução Financeira. Sem Esses Elementos, Investidores Seguem Expostos À Incerteza. A Naskar Disse Que Os Próximos Passos Envolveriam Continuidade Do Processo De Circularização, Consolidação De Informações Operacionais, Revisão Técnica Dos Processos E Liquidação Com Os Investidores. Circularização É Um Procedimento Usado Para Confirmar Saldos, Obrigações E Dados Junto Às Partes Envolvidas. Na Prática, Esse Processo Pode Ser Decisivo Para Definir Quanto Cada Investidor Tem A Receber, Quais Contratos Serão Reconhecidos, Qual A Ordem De Pagamento E De Que Forma Eventuais Divergências Serão Tratadas. Promessa De Rendimento De 2% Ao Mês Elevou Risco Da Operação A Naskar Construiu Sua Base De Clientes Oferecendo Retorno De 2% Ao Mês. Em Termos Financeiros, Esse Patamar Representa Uma Remuneração Elevada, Especialmente Quando Comparada A Alternativas Tradicionais De Renda Fixa E Produtos Bancários Regulados. Promessas De Retorno Acima Do Mercado Não Significam Automaticamente Fraude Ou Irregularidade, Mas Exigem Explicação Robusta Sobre Estratégia, Risco, Liquidez, Garantias E Fonte Dos Ganhos. Quanto Maior A Rentabilidade Prometida, Maior Tende A Ser A Necessidade De Transparência. No Caso Da Naskar, Os Clientes Aplicavam Recursos Esperando Receber Rendimentos Mensais. O Exemplo Citado No Texto-Base Mostra Que Um Investimento De R$ 1 Milhão Geraria Pagamento Mensal De R$ 20 Mil. Essa Previsibilidade De Fluxo Ajudou A Atrair Investidores, Mas Também Ampliou O Impacto Quando Os Pagamentos Foram Interrompidos. Durante Anos, Segundo Relatos, A Empresa Teria Funcionado Sem Grandes Problemas Para Os Clientes. A Quebra Do Padrão De Pagamentos No Início De Maio, No Entanto, Foi Suficiente Para Desencadear Uma Corrida Por Informações E Colocar A Empresa Sob Forte Pressão. Além Da Falta De Pagamento, A Interrupção Do Aplicativo Agravou O Cenário. Sem Acesso Ao Sistema, Investidores Ficaram Sem Uma Ferramenta Direta Para Verificar Patrimônio, Rendimentos E Movimentações. Caso Coloca Governança Da Suposta Compradora Sob Pressão A Suposta Compra Da Naskar Pela Azara Capital Poderia Representar Uma Alternativa De Reorganização Para A Fintech, Mas A Falta De Informações Públicas Sobre A Compradora Dificulta A Avaliação Da Operação. A Ausência De Executivos Identificados No Site, O Endereço Associado A Outro Banco, O Perfil Recente Em Rede Social E A Falta De Cadastro Aparente Em Órgãos Reguladores Americanos Formam Um Conjunto De Pontos Que Exigem Esclarecimento. Para Os Investidores, O Fator Central Continua Sendo A Devolução Dos Recursos. Qualquer Solução Dependerá De Cronograma, Comprovação De Caixa, Validação Dos Saldos E Formalização Das Responsabilidades Assumidas Pela Empresa Que Teria Comprado A Naskar. Para O Mercado Financeiro, O Caso Reforça O Debate Sobre Estruturas De Captação Privada, Fintechs Que Operam Fora Do Circuito Tradicional De Instituições Reguladas E Promessas De Rentabilidade Recorrente Acima Dos Padrões De Mercado. A Crise Também Pode Aumentar A Pressão Sobre Distribuidores, Intermediários E Empresas Que Apresentaram A Naskar A Investidores. Em Disputas Desse Tipo, Clientes Frequentemente Buscam Responsabilizar Todos Os Agentes Que Participaram Da Oferta, Recomendação Ou Operacionalização Dos Contratos. Enquanto A Azara Capital Não Apresentar Informações Verificáveis Sobre Sua Estrutura, Seus Executivos, Sua Autorização Regulatória E Sua Capacidade Financeira, A Suposta Aquisição Tende A Permanecer Cercada Por Dúvidas. O Desfecho Do Caso Dependerá Menos Do Anúncio Da Compra E Mais Da Comprovação De Que Há Recursos, Governança E Instrumentos Jurídicos Suficientes Para Devolver O Dinheiro Dos Investidores. - Gazeta Mercantil
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