BrasilAgro (AGRO3) volta ao lucro no balanço trimestral divulgado em fevereiro de 2026, mas operação ainda preocupa analistas
A BrasilAgro (AGRO3) registrou lucro líquido de R$ 2,5 milhões no segundo trimestre do ano-safra 2025/26, revertendo o prejuízo apurado no mesmo período do ciclo anterior. O resultado foi divulgado nesta quinta-feira, 6 de fevereiro de 2026, e trouxe alívio pontual ao mercado, ainda que o desempenho operacional da companhia siga pressionado, especialmente pela queda expressiva nos volumes e receitas da cana-de-açúcar.
O balanço mostra que a melhora no lucro não foi acompanhada por avanço operacional consistente. O Ebitda ajustado somou R$ 6,995 milhões no trimestre, representando um recuo de 77% na comparação anual, reflexo direto da combinação entre efeitos climáticos adversos, menor produção em culturas específicas e ausência de receitas extraordinárias com venda de terras.
No pregão desta quinta-feira, as ações da BrasilAgro reagiram de forma moderada ao balanço. Por volta das 15h16, os papéis AGRO3 subiam 0,50%, cotados a R$ 20,16, em movimento alinhado à leitura cautelosa dos investidores.
Clima adverso derruba cana-de-açúcar e pressiona resultado operacional
O principal fator negativo do trimestre foi o desempenho da cana-de-açúcar. A companhia informou que eventos climáticos extremos em diferentes regiões afetaram diretamente a produtividade e o volume colhido. A quantidade faturada da cultura caiu 52% no trimestre, totalizando 167,4 mil toneladas.
Com menor produção, a receita da cana-de-açúcar recuou 56% na comparação anual, somando R$ 28,1 milhões. O impacto foi determinante para a forte queda do Ebitda ajustado e reforçou a dependência da companhia em relação à diversificação de culturas para mitigar riscos climáticos.
Analistas destacam que a cana, historicamente relevante para a geração de caixa da BrasilAgro, segue mais exposta a oscilações climáticas, o que tende a manter a volatilidade dos resultados trimestrais.
Grãos aliviam pressão e sustentam recuperação parcial do lucro
Se, por um lado, a cana-de-açúcar decepcionou, por outro, o desempenho dos grãos evitou um resultado ainda mais fraco no trimestre. A receita da soja avançou 33%, alcançando R$ 61,1 milhões, impulsionada por maior volume comercializado e preços mais favoráveis em parte do período.
Além da soja, o milho e o algodão também contribuíram positivamente para o resultado consolidado, ajudando a compensar parcialmente as perdas em outras culturas. A diversificação do portfólio agrícola voltou a se mostrar um elemento-chave para a estratégia da BrasilAgro, sobretudo em um ambiente de maior imprevisibilidade climática.
Resultado reflete sazonalidade e fatores contábeis, avalia Genial
Na avaliação da Genial Investimentos, o trimestre foi marcado por um desempenho operacional sazonalmente fraco, influenciado principalmente pela retração nos volumes de cana-de-açúcar e pela ausência de vendas de terras no período.
Segundo os analistas, a melhora no lucro líquido foi apenas parcialmente explicada pela performance dos grãos e pelo suporte da linha financeira. Ainda assim, a Genial ressalta que a volatilidade recente dos resultados deve ser analisada sob uma ótica sazonal e contábil, e não como sinal de deterioração estrutural das operações da companhia.
Outro ponto destacado é a dinâmica de custos. Uma parcela relevante dos insumos foi adquirida antes dos recentes aumentos de preços, o que tem sustentado margens estruturalmente melhores na maioria das culturas, especialmente nos grãos. A expectativa é de que não haja novas pressões relevantes de custos nos próximos trimestres.
XP vê trimestre fraco, mas clima melhora e reduz riscos para safra
A XP Investimentos também classificou o resultado como fraco, destacando que o desempenho da safra de cana-de-açúcar deixou um “gosto amargo”. A corretora chama atenção ainda para bases comparáveis mais difíceis, decorrentes da já esperada ausência de vendas de fazendas no período.
Por outro lado, a XP observa melhora recente nas condições climáticas. As chuvas registradas em janeiro contribuíram para um cenário mais favorável em fevereiro, reduzindo riscos imediatos para parte das lavouras.
Para a segunda safra de milho, o principal ponto de atenção segue sendo o comportamento das chuvas em março e abril. Até o momento, no entanto, não há sinais relevantes de preocupação, segundo os analistas.
Estratégia de reciclagem de terras segue no radar do mercado
Mesmo sem vendas de propriedades no trimestre, a XP reiterou a confiança na estratégia de reciclagem de portfólio da BrasilAgro. A companhia tem utilizado recebíveis de vendas passadas de terras para adquirir fazendas de produtores em situação financeira mais pressionada, o que pode gerar ganhos relevantes de valor no médio e longo prazo.
Essa abordagem mantém o potencial de geração de caixa extraordinária, ainda que não contribua diretamente para os resultados trimestrais mais recentes.
BTG aponta revisão negativa em grãos, mas vê melhora na cana
O BTG Pactual destacou que o guidance revisado da BrasilAgro para a safra 2025/26 veio abaixo do esperado, com revisões negativas em importantes culturas. A soja teve queda estimada de 3% na produção esperada, enquanto o algodão apresentou revisão ainda mais significativa, com recuo de 22%.
O milho foi o único destaque positivo, com aumento de 1,4% na produtividade em relação ao guidance anterior. Com uma área plantada levemente maior, a produção total da cultura avançou 2%, segundo o banco.
Apesar do cenário menos favorável para os grãos, os analistas do BTG avaliam que as perspectivas para a cana-de-açúcar parecem mais construtivas daqui para frente, o que pode ajudar a melhorar o desempenho operacional nos próximos trimestres.
Recomendações seguem positivas apesar da volatilidade
Mesmo diante de um trimestre operacionalmente fraco, tanto o BTG quanto a Genial mantiveram recomendação de compra para as ações da BrasilAgro. Ambas as casas indicam preço-alvo de R$ 25 para os papéis AGRO3, o que sugere potencial de valorização relevante em relação às cotações atuais.
O consenso entre os analistas é de que os resultados de curto prazo seguem sujeitos a volatilidade, mas a tese estrutural da companhia permanece apoiada em diversificação agrícola, gestão ativa de terras e disciplina financeira.
O que o balanço da BrasilAgro sinaliza para o investidor em 2026
O balanço divulgado em fevereiro de 2026 reforça que a BrasilAgro atravessa um período de transição operacional. A reversão do prejuízo representa um avanço importante, mas o forte recuo do Ebitda ajustado evidencia que a recuperação ainda não está consolidada.
Para o investidor, o foco permanece na evolução do clima, na execução da estratégia de portfólio e na capacidade da companhia de transformar ganhos agrícolas em geração consistente de caixa ao longo do ciclo 2025/26.









