Braskem desaba mais de 11% após rumores sobre dívida bilionária com Banco do Brasil
As ações da Braskem (BRKM5) sofreram uma forte queda de 11,27% nesta quinta-feira (12), encerrando o pregão a R$ 9,61, após notícias de um suposto calote bilionário envolvendo o Banco do Brasil (BBAS3). O movimento ocorre em meio a um início de ano volátil para a indústria petroquímica e reflete preocupações do mercado quanto à estabilidade financeira da companhia, mesmo diante de negativas formais da empresa.
A queda segue um período de valorização expressiva dos papéis da Braskem, que registraram alta de cerca de 20% em apenas quatro sessões, impulsionadas por expectativas de estímulos setoriais e pela tentativa da companhia de fortalecer sua estrutura de capital. O movimento abrupto evidencia a sensibilidade dos investidores a notícias relacionadas à inadimplência e à saúde financeira da petroquímica.
Rumores de dívida bilionária com Banco do Brasil
Segundo informações divulgadas por veículos especializados e pelo Broadcast, a Braskem teria sido apontada como responsável por um calote de R$ 3,6 bilhões que uma única empresa teria deixado de pagar ao Banco do Brasil no quarto trimestre do ano passado. A informação provocou reação imediata no mercado, afetando a cotação das ações da companhia.
No entanto, a própria Braskem negou oficialmente a existência de qualquer dívida junto ao Banco do Brasil, afirmando que “não tem dívida com o referido banco, assim como não tinha em 2025”. A empresa ressaltou que a divulgação de informações incorretas causou volatilidade no mercado e impactos desnecessários sobre os investidores.
Carteira de crédito e inadimplência no BB
O Banco do Brasil informou que a inadimplência em sua carteira de pessoas jurídicas atingiu 3,75%, refletindo, principalmente, um caso específico relacionado a títulos e valores mobiliários (TVM) no valor de R$ 3,6 bilhões. Apesar do impacto, o banco não revelou o nome da empresa envolvida, limitando-se a afirmar que a dívida foi repassada a fundos especializados em crédito de maior risco, conhecidos como “gestoras de situações especiais”.
O episódio evidencia a importância da transparência nas operações de crédito corporativo e a necessidade de acompanhamento constante por parte de investidores e analistas de mercado, especialmente em setores com alto grau de complexidade financeira, como o petroquímico.
Braskem avalia estrutura de capital
Nos últimos meses, a Braskem vem revisando alternativas para fortalecer sua estrutura de capital, que se encontra pressionada por fatores externos e internos. Entre os desafios enfrentados pela companhia estão a queda prolongada nos preços internacionais da petroquímica, excesso de oferta global, e os custos relacionados a reparações decorrentes do afundamento de solo em Maceió.
A reformulação da estrutura financeira inclui avaliação de endividamento, revisão de investimentos e análise de parcerias estratégicas. Especialistas apontam que medidas de capitalização e ajustes na governança corporativa são fundamentais para recuperar a confiança do mercado e garantir a sustentabilidade da companhia.
Petrobras decide não exercer direito de preferência
Em paralelo, a Braskem confirmou que a Petrobras (PETR3; PETR4) decidiu não exercer seu direito de preferência em uma potencial venda de ações da companhia. A decisão envolve a possível venda de participação da Novonor para o Shine Fundo de Investimento em Direitos Creditórios de Responsabilidade Limitada (FIDC).
O movimento reforça a autonomia da Braskem nas negociações estratégicas e pode abrir caminho para a entrada de novos investidores, aumentando a liquidez e diversificando a base acionária. Analistas destacam que a não participação da Petrobras em transações desse porte reflete uma estratégia de gestão de riscos e foco em eficiência operacional.
Impacto no mercado e no setor petroquímico
O episódio gerou repercussão imediata no mercado financeiro, refletida na forte queda das ações da Braskem. A volatilidade evidencia como rumores sobre dívidas e inadimplência podem afetar a percepção de risco dos investidores, especialmente em setores estratégicos para a economia brasileira, como o petroquímico.
Especialistas afirmam que, embora a Braskem tenha negado as informações, o episódio reforça a importância de monitoramento contínuo de notícias, relatórios financeiros e movimentações estratégicas da companhia. A atenção do mercado sobre indicadores de crédito e solvência corporativa tende a permanecer elevada, dado o histórico recente da empresa.
Perspectivas para investidores
A Braskem permanece como uma das maiores empresas do setor petroquímico no Brasil e na América Latina, com relevância estratégica para a cadeia produtiva de plásticos e químicos. Apesar da volatilidade recente, analistas recomendam atenção à divulgação de resultados financeiros, comunicados de mercado e potenciais negociações envolvendo participação acionária.
Investidores e gestores devem considerar a possibilidade de ajustes na carteira de ações, acompanhando de perto movimentos corporativos que possam impactar diretamente a liquidez e o valor de mercado da Braskem. Além disso, a decisão da Petrobras de não exercer direito de preferência sugere abertura para novas oportunidades de investimento e reestruturação de governança.
Riscos e oportunidades no setor petroquímico
O setor enfrenta desafios estruturais que incluem oscilações nos preços internacionais, excesso de capacidade produtiva e pressões regulatórias. A Braskem, como líder do segmento, precisa equilibrar decisões estratégicas para manter competitividade, eficiência e sustentabilidade financeira.
As oportunidades incluem expansão de portfólio, diversificação de clientes e inovação em produtos químicos e plásticos de alto valor agregado. A gestão de riscos financeiros, governança corporativa e comunicação clara com investidores são cruciais para mitigar impactos de rumores ou informações incorretas.
Próximos passos e atenção do mercado
O episódio envolvendo a Braskem e o suposto calote bilionário evidencia a necessidade de acompanhamento próximo por parte do mercado, especialmente considerando que informações equivocadas podem gerar volatilidade significativa nas ações.
A companhia deve manter transparência nas suas operações e reforçar a comunicação com investidores, enquanto analistas monitoram possíveis desdobramentos de governança e reestruturação de capital. A indústria petroquímica global segue sob pressão, e a capacidade da Braskem de navegar por cenários adversos será decisiva para a confiança do mercado.









