BRKM5 dispara 3% após Câmara aprovar urgência para novo Reiq: o que muda para a Braskem?
As ações da BRKM5 registraram forte alta nesta terça-feira, 10 de fevereiro de 2026, com valorização superior a 3%, cotadas a R$ 9,87 e se destacando entre os principais ganhadores do Ibovespa. O movimento consolida o terceiro pregão consecutivo de ganhos para a petroquímica brasileira, ampliando a recuperação acumulada de cerca de 25% no ano.
A disparada da BRKM5 foi impulsionada pela aprovação, na véspera, pela Câmara dos Deputados do pedido de urgência para votação de projeto de lei complementar que amplia os benefícios do Regime Especial da Indústria Química (Reiq). A medida promete reduzir significativamente a carga tributária sobre o setor, gerando otimismo imediato no mercado de capitais.
Esse desenvolvimento reacende as expectativas sobre o impacto fiscal positivo para gigantes como a Braskem, em um momento de reestruturação societária e recuperação operacional da companhia.
Aprovação de urgência acelera tramitação do novo Reiq
A Câmara dos Deputados aprovou na segunda-feira o regime de urgência para o projeto que altera as regras do Reiq, beneficiando diretamente a cadeia química e petroquímica nacional. A proposta reduz a alíquota combinada de PIS/Cofins de 8,52% — já favorecida pelo regime atual — para 3,45%, contra os 9,25% da alíquota estatutária padrão.
Essa redução representa um ganho de 5,8 pontos percentuais (p.p.), um salto expressivo em relação aos atuais 0,73 p.p. de benefício do Reiq. Analistas estimam que o impacto fiscal total para o setor gire em torno de R$ 3,1 bilhões, com reflexos diretos sobre a rentabilidade das empresas beneficiadas.
Para o mercado, a aprovação de urgência sinaliza agilidade legislativa em um ano eleitoral, onde temas de competitividade industrial ganham tração política. A tramitação acelerada pode levar o texto à votação em plenário ainda neste mês, conforme fontes do Congresso Nacional.
Impacto financeiro estimado para a BRKM5 em 2026
Especialistas do mercado projetam que, se aprovado, o novo Reiq injetará um benefício adicional de US$ 290 milhões no Ebitda da Braskem em 2026, equivalente a cerca de 50% do Ebitda acumulado nos últimos 12 meses da companhia. Esse ganho operacional fortaleceria as margens em um cenário de pressão por custos de insumos e volatilidade nos preços internacionais de commodities.
O analista Regis Cardoso, da XP Investimentos, classifica a medida como “significativamente positiva” para a BRKM5. “O texto amplia a competitividade da indústria química brasileira frente a importações asiáticas e latino-americanas, especialmente em resinas e poliolefinas”, avalia.
Cardoso ressalta, no entanto, que o projeto ainda depende de aprovação final na Câmara, no Senado e da sanção presidencial. Um texto similar foi aprovado em novembro de 2025 como parte do Projeto de Lei Presiq, mas acabou vetado pelo então governo. “Diante do contexto atual, acreditamos que um veto seja improvável”, projeta o especialista.
Contexto de alta da BRKM5 no ano reforça otimismo
A valorização da BRKM5 em 2026 não se limita ao Reiq. Os papéis acumulam ganhos de 25% desde janeiro, impulsionados por mudanças na estrutura societária da Braskem e pela recuperação gradual do setor petroquímico brasileiro. A companhia, controlada por um consórcio liderado pela Novonor e com participação relevante de investidores estrangeiros, tem avançado em negociações para diluição de acionistas e maior governança.
No pregão desta terça, a BRKM5 figurou entre os destaques positivos do Ibovespa, que operava em leve alta em meio a um dia de agenda econômica leve. O volume negociado das ações da Braskem superou a média diária, refletindo o interesse renovado de investidores institucionais.
Esse desempenho contrasta com o cenário desafiador de 2025, marcado por pressões inflacionárias e oscilações no câmbio. A BRKM5 demonstra resiliência, ancorada em sua liderança na produção de resinas termoplásticas e PVC no Brasil.
Reiq histórico: da criação aos desafios atuais
O Regime Especial da Indústria Química (Reiq) foi instituído em 2012 como medida estratégica para fomentar o setor petroquímico nacional. Inicialmente temporário, o regime foi prorrogado diversas vezes, concedendo créditos presumidos de PIS/Cofins para compensar desvantagens competitivas frente a concorrentes globais.
Ao longo dos anos, o Reiq beneficiou empresas como Braskem, Unipar e Suzano, gerando estimados R$ 20 bilhões em créditos tributários acumulados. Críticos apontam que o mecanismo distorce a concorrência interna, mas defensores argumentam que ele preserva empregos e capacidade instalada em um setor intensivo em capital.
A proposta em tramitação representa a maior ampliação do benefício desde a criação do regime, alinhando-se à agenda de industrialização promovida pelo governo atual. Para a BRKM5, o ganho seria especialmente relevante em plantas como as de Camaçari (BA) e Triunfo (RS), que enfrentam concorrência de importados argentinos e mexicanos.
Análise técnica e projeções para a BRKM5
Do ponto de vista técnico, a BRKM5 rompeu recentemente a resistência dos R$ 9,50, consolidando um padrão de alta sustentado por volume crescente. Indicadores como o RSI (Índice de Força Relativa) apontam para território de sobrecompra moderada, mas sem sinais de reversão iminente.
Projeções para 2026 incorporam o potencial do novo Reiq, com analistas revisando preços-alvo para cima. A XP, por exemplo, mantém recomendação de compra para a BRKM5, com meta em torno de R$ 12,00, considerando margens expandidas e demanda estável por plásticos na construção civil e embalagens.
Riscos incluem atrasos legislativos, volatilidade no spread de nafta e oscilações cambiais. Ainda assim, o consenso do mercado vê a BRKM5 como uma das apostas mais atrativas no setor de commodities químicas.
Setor petroquímico brasileiro em momento decisivo
O avanço do projeto Reiq ocorre em um contexto favorável para a indústria química nacional. Com capacidade ociosa em queda e investimentos em modernização, o setor projeta crescimento de 5% a 8% ao ano até 2030, segundo a Abiquim (Associação Brasileira da Indústria Química).
A Braskem, como maior produtora de resinas do país, está bem posicionada para capturar essa expansão. Iniciativas como a produção de biopolímeros e a expansão em etileno vinílico reforçam sua estratégia de sustentabilidade e inovação.
Investidores monitoram também o impacto sobre pares como Unipar (UNIP3) e Química Delta, que igualmente se beneficiariam do regime ampliado.
Governança e estrutura societária impulsionam confiança na BRKM5
Paralelamente ao Reiq, a BRKM5 avança em sua reestruturação acionária. Negociações com a Petrobras e o governo federal visam diluir a participação da Novonor, reduzindo passivos ambientais herdados do controle da Odebrecht. Essa evolução melhora a percepção de risco e atrai fluxo estrangeiro, que já representa 40% do free float da companhia.
A transparência crescente e o foco em ESG (Ambiental, Social e Governança) posicionam a Braskem como referência no setor, atraindo fundos globais dedicados a emergentes sustentáveis.
Tramitação legislativa e próximos passos para o Reiq
O projeto agora segue para votação em plenário da Câmara, com previsão de análise nos próximos 15 dias. Caso aprovado, rumará ao Senado, onde deve encontrar apoio da bancada industrial. A sanção presidencial, em um governo simpático à pauta setorial, é vista como formality.
Para a BRKM5, a materialização do benefício em 2026 poderia elevar o múltiplo EV/Ebitda de 4,5x para níveis mais atrativos, justificando novas rodadas de cobertura positiva por parte de casas de análise.
Mercado reage com otimismo controlado à BRKM5
O pregão desta terça-feira ilustra a sensibilidade do mercado à agenda legislativa. Volumes elevados e cobertura de posições curtas impulsionaram a alta da BRKM5, que testou máximas intradiárias próximas a R$ 9,95.
Analistas recomendam cautela, mas coincidem na tese de que o Reiq ampliado reforça a narrativa de recuperação da petroquímica brasileira. A BRKM5 emerge como termômetro do otimismo industrial em 2026.
Ibovespa e contexto macroeconômico favorecem alta da BRKM5
O desempenho da BRKM5 se insere em um Ibovespa positivo, beneficiado por fluxo estrangeiro e expectativas de corte na Selic. Com inflação controlada e PIB projetado em 2,5% para o ano, o ambiente macro suporta ações cíclicas como a da Braskem.
O setor de químicos, que representa 2% do índice, ganha relevância com a pauta tributária, posicionando a BRKM5 como protagonista de um possível rali setorial.









