Carla Zambelli e a Extradição na Itália: Entenda o Caso da Deputada Brasileira Presa em Roma
A prisão da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) em Roma, capital da Itália, chamou a atenção da imprensa nacional e internacional. O episódio marcou mais um capítulo na trajetória conturbada da parlamentar, que enfrenta uma condenação de dez anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O ponto mais sensível do momento é a possibilidade de extradição de Carla Zambelli para o Brasil ou a sua permanência em território italiano. Com o interrogatório marcado para o dia 1º de agosto, o caso envolve aspectos jurídicos internacionais, interesses políticos e tensões diplomáticas.
Aqui vamos destrinchar os detalhes do processo, o contexto da prisão, as alternativas legais e o impacto político da situação de Carla Zambelli na Itália.
Prisão de Carla Zambelli na Itália: O que aconteceu?
Carla Zambelli foi presa em Roma no dia 29 de julho de 2025, enquanto circulava pela capital italiana. A detenção ocorreu após o fornecimento de seu endereço à polícia italiana por um deputado do Partido Europa Verde. Desde então, ela está recolhida no presídio feminino de Rebibbia, enquanto aguarda o interrogatório judicial que definirá os próximos passos do processo de extradição.
Interrogatório: Ficar ou voltar?
No próximo dia 1º de agosto, Zambelli será formalmente interrogada pela justiça italiana, que a questionará sobre sua preferência entre retornar voluntariamente ao Brasil ou enfrentar um processo de extradição. Caso a parlamentar opte pela segunda alternativa, a justiça italiana analisará se ela deve permanecer presa, responder em prisão domiciliar ou aguardar em liberdade condicional.
Os trâmites legais da extradição de Carla Zambelli podem se estender por até dois anos, conforme estimativas de especialistas em direito internacional. Durante esse período, o sistema judicial italiano poderá aplicar diferentes medidas cautelares, sem necessariamente mantê-la encarcerada.
A posição da defesa de Carla Zambelli
A equipe jurídica de Carla Zambelli já deixou claro: ela não deseja retornar voluntariamente ao Brasil. Segundo o advogado responsável por sua defesa, o objetivo é permanecer na Itália e lutar contra a extradição. A parlamentar afirma buscar um julgamento imparcial e justo, alegando perseguição política no Brasil.
Essa narrativa é sustentada pela própria Zambelli, que declarou ter se entregado às autoridades italianas de forma voluntária, buscando proteção jurídica dentro do território europeu.
A condenação no Brasil: 10 anos de prisão e cassação do mandato
O pano de fundo da crise é a condenação imposta pelo STF, que determinou a prisão de Carla Zambelli por dez anos, além da perda do seu mandato parlamentar. Ela foi considerada mentora intelectual da invasão ao sistema do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), fato que resultou na emissão de um falso mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes.
Esse histórico pesou na decisão da justiça brasileira de solicitar a extradição da deputada, já que ela havia deixado o país após a sentença. A tentativa de fugir da aplicação da pena é vista como agravante pelas autoridades judiciais nacionais.
Itália e Brasil: Como funciona o processo de extradição?
O processo de extradição entre Brasil e Itália é regulado por acordos bilaterais e tratados internacionais dos quais ambos os países são signatários. Contudo, o pedido de extradição não é automático: a justiça italiana precisa analisar uma série de fatores, como:
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A natureza do crime cometido
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A pena imposta
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O respeito aos direitos humanos
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A possibilidade de julgamento justo no país de origem
No caso de Zambelli, o argumento da defesa é que ela não teria um julgamento imparcial no Brasil, devido ao seu histórico de confrontos com o STF e figuras de destaque no cenário político.
Pressões políticas na Itália
O caso de Carla Zambelli na Itália também tem despertado reações no campo político europeu. O deputado Angelo Bonelli, do Partido Europa Verde, foi um dos principais articuladores para alertar as autoridades italianas sobre a presença da deputada brasileira em solo europeu. Ele chegou a interpelar oficialmente ministros italianos sobre o assunto, pressionando pela aplicação das leis internacionais.
Essa movimentação política elevou o tom da situação, que passou de um simples caso de extradição penal para um potencial imbróglio diplomático, com repercussões entre os dois países.
Medidas cautelares: O que pode acontecer com Carla Zambelli?
Enquanto o processo de extradição corre, a justiça italiana poderá decidir por:
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Prisão preventiva em Rebibbia
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Prisão domiciliar sob monitoramento eletrônico
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Liberdade com restrições judiciais, como uso de tornozeleira eletrônica, comparecimento regular à justiça, retenção de passaporte, entre outros
O destino imediato de Carla Zambelli dependerá da decisão do juiz italiano, que levará em conta o histórico, a gravidade da acusação, e o risco de fuga.
O impacto político do caso Zambelli
O caso ganhou proporções maiores do que o jurídico. A extradição de Carla Zambelli pode se tornar um símbolo da reação institucional à radicalização política no Brasil. Além disso, coloca o governo brasileiro sob os olhos da comunidade internacional sobre como lida com crimes praticados por parlamentares com mandato popular.
Para o cenário político nacional, a prisão da deputada e a repercussão na Europa trazem reflexos importantes, especialmente para partidos da direita radical e figuras públicas associadas aos atos antidemocráticos de 8 de janeiro.
Extradição de Carla Zambelli pode redefinir cenário jurídico-político
O caso de Carla Zambelli e sua extradição da Itália para o Brasil é mais do que uma disputa jurídica: é um evento que mistura política, diplomacia e justiça. À medida que o processo avança, ele servirá de termômetro sobre a postura dos países democráticos em relação a crimes cometidos por políticos, mesmo aqueles em exercício de mandato.
Com o interrogatório marcado e a defesa já posicionada, resta aguardar os próximos passos das autoridades italianas. Um processo que, com certeza, continuará no radar da imprensa internacional — e da opinião pública brasileira.






