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China aprimora sistema de gestão do yuan digital e amplia uso internacional da moeda

por Gabriel Monteiro
30/10/2025 às 10h15
em Economia
China Aprimora Sistema De Gestão Do Yuan Digital E Amplia Uso Internacional Da Moeda - Gazeta Mercantil

China anuncia aprimoramento do sistema de gestão do yuan digital e reforça controle sobre criptomoedas

O yuan digital — moeda virtual oficial da China — está prestes a entrar em uma nova fase de desenvolvimento. O Banco Popular da China (BPC), o banco central do país, anunciou um aperfeiçoamento do sistema de gestão e expansão dos serviços relacionados à moeda digital, com foco em modernizar o sistema financeiro nacional e ampliar o uso internacional do yuan digital.

O anúncio foi feito pelo presidente do BPC, Pan Gongsheng, durante a Conferência Anual 2025 do Fórum da Rua Financeira, em Pequim. Segundo ele, o banco central pretende fortalecer a estrutura tecnológica, regulamentar e institucional da moeda, ao mesmo tempo em que mantém rígido controle sobre a especulação com criptomoedas privadas, reforçando o compromisso do governo com a estabilidade monetária e a segurança econômica.


Expansão do uso do yuan digital no sistema financeiro chinês

O yuan digital foi lançado pelo governo chinês como uma resposta à crescente digitalização da economia global e como ferramenta estratégica para reduzir a dependência do dólar nas transações internacionais.

Na nova etapa, o Banco Popular da China planeja autorizar mais bancos comerciais a operar com o yuan digital, aumentando a capilaridade do sistema no varejo, no comércio exterior e nos serviços financeiros de grande escala.

A instituição também estabeleceu dois novos centros de operação voltados à expansão e ao controle da moeda:

  • Centro Internacional de Operações do Yuan Digital, em Xangai, voltado à cooperação e uso transfronteiriço;

  • Centro de Gestão e Desenvolvimento do Yuan Digital, em Pequim, responsável por manutenção técnica, inovação e segurança cibernética do sistema.

Com essa estrutura, o governo chinês pretende transformar o yuan digital em um pilar estratégico da política monetária nacional, além de consolidar o país como líder global em moeda digital de banco central (CBDC).


O papel do yuan digital no cenário monetário global

O projeto do yuan digital, também conhecido como e-CNY, é o mais avançado entre as moedas digitais de bancos centrais (CBDCs) em desenvolvimento no mundo.

O sistema, que já está em fase de implementação em dezenas de cidades chinesas, vem sendo utilizado para pagamentos públicos, salários, transporte, e-commerce e turismo. Além disso, o governo vem realizando testes internacionais para permitir transações transfronteiriças com parceiros comerciais da Iniciativa Cinturão e Rota (Belt and Road Initiative).

A meta do governo é ampliar o alcance global do yuan digital, facilitando pagamentos internacionais em moeda chinesa e reduzindo a dependência de sistemas dominados pelos EUA, como o SWIFT.

Para economistas, a expansão do yuan digital poderá redefinir fluxos de capital, políticas cambiais e sistemas de pagamento internacionais, posicionando a China como uma potência monetária digital.


Controle rigoroso sobre criptomoedas privadas e stablecoins

Ao mesmo tempo em que promove o yuan digital, o Banco Popular da China reafirmou que continuará a reprimir as atividades de especulação com criptomoedas privadas, como Bitcoin e stablecoins internacionais.

Desde 2017, o governo chinês proíbe transações com moedas virtuais não oficiais, alegando riscos de fraude, lavagem de dinheiro e instabilidade financeira.

O presidente Pan Gongsheng reiterou que o banco central, em cooperação com órgãos de aplicação da lei, mantém as medidas de controle e monitoramento ativas. As políticas implementadas desde então continuam em vigor, e novas ações serão tomadas conforme a evolução dos mercados digitais.

Além disso, o BPC acompanha o desenvolvimento das stablecoins estrangeiras, avaliando seus impactos potenciais na soberania monetária da China.


Yuan digital e o futuro da inclusão financeira

O yuan digital não é apenas uma ferramenta de política monetária, mas também uma estratégia de inclusão financeira e digitalização econômica.

A tecnologia permite que milhões de cidadãos chineses tenham acesso a serviços bancários mesmo sem conta tradicional, bastando apenas um aplicativo oficial. Isso é especialmente relevante em áreas rurais e regiões com infraestrutura bancária limitada.

Com transações instantâneas, baixas taxas e integração com carteiras digitais populares como Alipay e WeChat Pay, o yuan digital vem substituindo o uso do dinheiro em papel e reduzindo custos operacionais para o governo e para os bancos.

O sistema também aumenta a transparência fiscal e o combate à corrupção, já que todas as transações são registradas em blockchain controlada pelo Estado, com rastreabilidade total.


Benefícios e desafios do yuan digital

A implementação do yuan digital apresenta uma série de vantagens estratégicas, mas também desafios significativos para o governo chinês.

Principais benefícios:

  • Fortalecimento da soberania monetária chinesa diante de moedas estrangeiras;

  • Aumento da eficiência dos pagamentos no comércio doméstico e internacional;

  • Maior controle sobre fluxos de capital e política fiscal;

  • Combate à lavagem de dinheiro e evasão fiscal;

  • Modernização da infraestrutura financeira nacional.

Principais desafios:

  • Equilíbrio entre privacidade e controle estatal, já que o sistema permite rastreamento total de transações;

  • Integração com bancos e empresas privadas em larga escala;

  • Aceitação internacional limitada, especialmente em países aliados aos EUA;

  • Concorrência com outras CBDCs, como o euro digital e o real digital (Drex).

Mesmo assim, analistas consideram o yuan digital um dos projetos mais promissores de moeda digital estatal do mundo, com potencial de redefinir as bases do sistema financeiro global.


O yuan digital e o desafio geopolítico do dólar

Especialistas em economia internacional avaliam que o yuan digital faz parte de uma estratégia de longo prazo da China para reduzir a hegemonia do dólar e fortalecer sua influência financeira global.

Ao promover transações internacionais em moeda digital soberana, a China busca facilitar o comércio com países parceiros sem depender de intermediários financeiros ocidentais.

Essa mudança tem implicações diretas para o sistema financeiro internacional, podendo gerar uma nova arquitetura de pagamentos globais, com menor exposição ao dólar e ao sistema bancário dos EUA.

Com a consolidação do yuan digital, Pequim pode aumentar o uso da moeda chinesa em contratos internacionais de energia, commodities e tecnologia, reduzindo custos de câmbio e fortalecendo a autonomia econômica do país.


Perspectivas para 2026 e além

Segundo o Banco Popular da China, o plano para os próximos anos inclui aperfeiçoar a interoperabilidade internacional do yuan digital, aprimorar mecanismos de segurança cibernética e proteção de dados e expandir o uso da moeda em transações internacionais estratégicas.

O governo também pretende estabelecer parcerias com bancos centrais de outros países para interconectar sistemas de pagamento digital e criar um ecossistema global seguro e eficiente para o uso de CBDCs.

Além disso, a China deve continuar investindo em pesquisa e desenvolvimento de tecnologias de blockchain, criptografia e inteligência artificial, que servirão de base para o avanço do yuan digital como moeda digital líder no mundo.


Yuan digital consolida liderança global da China em moedas digitais estatais

O yuan digital representa um marco na história econômica da China e do sistema financeiro mundial.

Com o aperfeiçoamento de sua gestão, expansão internacional e integração tecnológica, a moeda se consolida como ferramenta estratégica de poder financeiro e inovação.

Ao mesmo tempo, o governo chinês demonstra firme controle sobre o ecossistema das criptomoedas, garantindo estabilidade e segurança.

Para analistas, o sucesso do yuan digital pode redefinir as relações monetárias globais e marcar o início de uma nova era de moedas digitais estatais, onde a China lidera a transformação financeira do século XXI.

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