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Coaf aponta repasses suspeitos de R$ 27,2 milhões do Banco Master ao site Metrópoles

por Júlia Campos - Repórter de Política
09/04/2026 às 16h36 - Atualizado em 14/05/2026 às 22h03
em Política, Destaque, Notícias
Metrópoles - Gazeta Mercantil

Ex-senador Luiz Estevão, dono do portal Metrópoles

Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) colocou sob forte suspeita repasses de R$ 27,2 milhões feitos pelo Banco Master ao site de notícias Metrópoles entre 2024 e 2025. O documento indica movimentações consideradas atípicas e aponta que parte dos recursos teria sido rapidamente redirecionada para empresas ligadas ao empresário Luiz Estevão, acendendo alerta no sistema de monitoramento financeiro.

A revelação amplia a pressão sobre as operações envolvendo o Banco Master e coloca o caso no centro do debate sobre rastreabilidade de recursos, compatibilidade financeira e uso de contratos de patrocínio como justificativa para transferências milionárias.

Relatório do Coaf vê padrão incomum nas operações

Segundo as informações divulgadas, o Coaf identificou indícios de movimentações fora do padrão em operações entre o Banco Master e empresas relacionadas ao grupo do Metrópoles. O foco do relatório não está apenas no volume dos repasses, mas principalmente na forma como o dinheiro circulou após o recebimento.

De acordo com o documento, parte dos valores enviados pelo Banco Master foi transferida em sequência para empresas vinculadas ao mesmo grupo familiar, como Madison Gerenciamento S/A, Sense Construções e Participações S/A e Macondo Construções e Participações S/A. Para o órgão, esse comportamento pode indicar uma movimentação de recursos em benefício de terceiros, o que elevou o nível de atenção sobre as transações.

O Coaf também apontou que houve operações com crédito seguido de débito imediato, dinâmica frequentemente tratada pelos sistemas de controle como sinal de alerta, sobretudo quando os valores são altos e a velocidade de circulação do dinheiro não parece compatível com a operação declarada.

Caixa apontou incompatibilidade entre movimentação e faturamento

As comunicações que embasaram o monitoramento foram feitas pela Caixa Econômica Federal, que também teria identificado incompatibilidade entre o volume movimentado e o faturamento médio mensal da empresa Metrópoles Marketing e Propaganda LTDA.

Esse ponto é um dos mais sensíveis do caso. Em investigações financeiras, a divergência entre a capacidade operacional aparente de uma empresa e o volume de recursos que transita por suas contas costuma ser um dos principais gatilhos para comunicações formais aos órgãos de controle.

O relatório ainda classificou os aportes do Banco Master como “inusitados”, destacando justamente o padrão de entrada e saída acelerada de recursos. Na prática, isso significa que o fluxo financeiro chamou atenção não só pelo montante milionário, mas pelo comportamento das operações.

Banco Master aparece como principal fonte de receita em 2025

Outro trecho relevante do material aponta que o Banco Master teria sido a principal fonte de receita do veículo em 2025, com transferências que chegaram a R$ 5,7 milhões em operações isoladas.

Esse dado reforça o peso do banco dentro do fluxo financeiro analisado e amplia a relevância do caso. Quando uma única origem concentra valores expressivos em curto intervalo de tempo, a análise dos órgãos de controle tende a se aprofundar, especialmente quando surgem sinais de pulverização posterior dos recursos.

A dimensão dos repasses coloca o Banco Master no centro da controvérsia e transforma um contrato apresentado como comercial em uma operação sujeita a questionamentos sobre cronologia, destinação e compatibilidade econômica.

Justificativa apresentada envolve patrocínio da Série D

Ao jornal O Estado de S. Paulo, Luiz Estevão defendeu a legalidade das operações e afirmou que os valores recebidos do Banco Master estariam ligados ao patrocínio do Will Bank para a transmissão da Série D do Campeonato Brasileiro.

Segundo a versão apresentada, os montantes pagos fariam parte de um acordo comercial compatível com os valores praticados pelo mercado. Estevão também afirmou que os repasses poderiam ter sido ainda maiores se os pagamentos não tivessem sido interrompidos após a liquidação do Banco Master pelo Banco Central.

A explicação tenta enquadrar os pagamentos como parte de uma operação legítima de mídia, publicidade e direitos comerciais. O problema, porém, está na cronologia revelada pelo próprio caso.

Cronologia do patrocínio virou peça central da suspeita

A Série D começou em 19 de abril de 2025, mas a exibição da marca do patrocinador nas transmissões e nos estádios só teria começado meses depois. O acordo de transmissão foi anunciado apenas em julho, e a presença da marca nas placas de publicidade ocorreu a partir da 14ª rodada, no fim daquele mês.

Esse desencaixe temporal passou a ser uma das principais fragilidades da justificativa apresentada. Isso porque os repasses do Banco Master teriam começado em janeiro de 2025, cerca de três meses antes do início da competição e aproximadamente seis meses antes do aparecimento efetivo da marca nas entregas visíveis do torneio.

No ambiente de fiscalização financeira, esse tipo de diferença entre o calendário dos pagamentos e a execução prática do contrato costuma elevar a necessidade de comprovação documental, detalhamento comercial e demonstração objetiva das contrapartidas.

Naming rights ampliam dimensão do negócio

Além do patrocínio, o acordo também envolveu naming rights, rebatizando a competição como Brasileirão Série D Will Bank. Foi a primeira vez que a CBF comercializou esse tipo de direito para o torneio.

Esse elemento ajuda a sustentar a tese de que a operação tinha dimensão comercial relevante. Ainda assim, o ponto central para os órgãos de controle não é apenas a existência de um contrato, mas a coerência entre valor, prazo, execução e caminho percorrido pelos recursos depois do pagamento.

Quando o dinheiro entra com grande volume e, em seguida, parte dele é direcionada para outras empresas do mesmo grupo, a análise deixa de se concentrar só no contrato de origem e passa a observar o fluxo financeiro completo.

Declaração de Luiz Estevão aumenta repercussão do caso

Ao defender a legalidade das operações, Luiz Estevão afirmou: “O dinheiro que eu recebi passa a ser meu e faço com ele o que eu quiser”.

A frase ampliou a repercussão do caso porque, embora reforce a linha de defesa de autonomia sobre os recursos recebidos, também expõe de forma direta o principal ponto de tensão da investigação: o que importa para os órgãos de controle não é apenas o recebimento do valor, mas o contexto das operações, a justificativa econômica e o destino do dinheiro.

No debate público, a declaração tende a intensificar a pressão por esclarecimentos adicionais sobre os repasses do Banco Master, sobretudo em um cenário em que o Coaf já identificou indícios de movimentação atípica.

Caso mistura mídia, sistema financeiro e futebol

O episódio ganhou grande relevância porque reúne três universos de alto impacto público: mídia, sistema financeiro e futebol brasileiro. Essa combinação amplia a repercussão e torna o caso mais sensível do ponto de vista institucional, político e reputacional.

De um lado, há um banco de grande exposição no mercado. De outro, um portal de notícias com forte presença nacional. No meio, um contrato ligado à transmissão e ao patrocínio de uma competição organizada sob a chancela da CBF. Esse conjunto faz com que o caso extrapole a esfera empresarial e passe a ser tratado como assunto de interesse público.

O que está em jogo daqui para frente

Até o momento, o relatório do Coaf aponta suspeitas e movimentações consideradas atípicas, mas não representa, por si só, uma condenação. Ainda assim, a gravidade dos valores, a rapidez das transferências subsequentes e o descompasso entre repasses e entregas comerciais indicam que o caso deve continuar produzindo desdobramentos.

A partir de agora, o foco tende a ficar sobre três pontos: a documentação que sustenta a justificativa comercial, a explicação para o fluxo de recursos entre empresas relacionadas e a compatibilidade entre os pagamentos do Banco Master e a execução efetiva do acordo envolvendo a Série D.

No centro da crise, a cronologia virou o elemento mais explosivo. E é justamente ela que mantém o caso vivo no radar do noticiário político, empresarial e financeiro.

Tags: Banco CentralBanco MasterCaixa Econômica FederalCBFCoafinvestigação financeiraLuiz Estevãometrópolesmídianaming rightsnegóciosPolíticarepasses suspeitosSérie Dtransações atípicasWill Bank

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Douglas Silva De Oliveira Aparece Ligado À Azara Segundo A Apuração Mencionada No Texto-Base, O Empresário Douglas Silva De Oliveira Se Apresentava Como Responsável Pela Azara Capital. Em Perfil Pessoal No Instagram, Ele Declarava Ser Fundador E Diretor Da Instituição, Mas A Informação Teria Sido Retirada Horas Após A Divulgação Da Transação Envolvendo A Naskar. Douglas Silva De Oliveira Consta Como Administrador E Sócio-Administrador De 11 Empresas Brasileiras, Sediadas No Distrito Federal E Em Diferentes Estados. Várias Dessas Companhias Têm Capitais Sociais Milionários, Segundo Os Dados Citados No Texto-Base. A Ligação Entre Douglas, Azara Capital E Naskar Passou A Ser Observada Com Mais Atenção Justamente Pelo Tamanho Da Operação Anunciada. A Suposta Compra De Uma Fintech Em Crise, Com Milhares De Investidores Aguardando Reembolso, Exige Comprovação De Capacidade Financeira E Clareza Sobre A Estrutura Jurídica Da Transação. A Naskar Informou Que A Azara Capital Passaria A Ser Responsável Pelo Contato Com Clientes Interessados Em Saber Quando Terão Seu Dinheiro De Volta. A Fintech Também Afirmou Que As Tratativas Para Devolução Começariam A Partir Da Semana Seguinte Ao Anúncio. Até A Última Atualização Do Texto-Base, Representantes Da Azara Capital Não Haviam Respondido A Tentativas De Contato Por Telefone, Whatsapp E E-Mail. Operação Envolveria Naskar, 7Trust E Next A Transação Anunciada Pela Naskar Não Se Limitaria À Gestora. Segundo A Empresa, A Azara Capital Teria Adquirido Também Outras Duas Companhias Do Grupo: 7Trust E Next. O Objetivo Declarado Seria Reorganizar As Atividades, Consolidar Informações Operacionais, Revisar Processos Existentes E Avançar Na Liquidação Com Investidores. O Valor Informado Para A Operação É De Aproximadamente R$ 1,2 Bilhão. A Cifra É Próxima Ao Montante Que Precisa Ser Devolvido Ou Explicado Aos Cerca De 3 Mil Clientes Da Fintech. Esse Alinhamento Entre Valor Da Transação E Passivo Estimado Aumenta A Importância De Documentação Verificável. Em Operações De Aquisição, Especialmente Quando Há Passivos Relevantes E Clientes Prejudicados, É Essencial Diferenciar Anúncio De Intenção, Assinatura De Contrato, Transferência Efetiva De Controle E Execução Financeira. Sem Esses Elementos, Investidores Seguem Expostos À Incerteza. A Naskar Disse Que Os Próximos Passos Envolveriam Continuidade Do Processo De Circularização, Consolidação De Informações Operacionais, Revisão Técnica Dos Processos E Liquidação Com Os Investidores. Circularização É Um Procedimento Usado Para Confirmar Saldos, Obrigações E Dados Junto Às Partes Envolvidas. Na Prática, Esse Processo Pode Ser Decisivo Para Definir Quanto Cada Investidor Tem A Receber, Quais Contratos Serão Reconhecidos, Qual A Ordem De Pagamento E De Que Forma Eventuais Divergências Serão Tratadas. Promessa De Rendimento De 2% Ao Mês Elevou Risco Da Operação A Naskar Construiu Sua Base De Clientes Oferecendo Retorno De 2% Ao Mês. Em Termos Financeiros, Esse Patamar Representa Uma Remuneração Elevada, Especialmente Quando Comparada A Alternativas Tradicionais De Renda Fixa E Produtos Bancários Regulados. Promessas De Retorno Acima Do Mercado Não Significam Automaticamente Fraude Ou Irregularidade, Mas Exigem Explicação Robusta Sobre Estratégia, Risco, Liquidez, Garantias E Fonte Dos Ganhos. Quanto Maior A Rentabilidade Prometida, Maior Tende A Ser A Necessidade De Transparência. No Caso Da Naskar, Os Clientes Aplicavam Recursos Esperando Receber Rendimentos Mensais. O Exemplo Citado No Texto-Base Mostra Que Um Investimento De R$ 1 Milhão Geraria Pagamento Mensal De R$ 20 Mil. Essa Previsibilidade De Fluxo Ajudou A Atrair Investidores, Mas Também Ampliou O Impacto Quando Os Pagamentos Foram Interrompidos. Durante Anos, Segundo Relatos, A Empresa Teria Funcionado Sem Grandes Problemas Para Os Clientes. A Quebra Do Padrão De Pagamentos No Início De Maio, No Entanto, Foi Suficiente Para Desencadear Uma Corrida Por Informações E Colocar A Empresa Sob Forte Pressão. Além Da Falta De Pagamento, A Interrupção Do Aplicativo Agravou O Cenário. Sem Acesso Ao Sistema, Investidores Ficaram Sem Uma Ferramenta Direta Para Verificar Patrimônio, Rendimentos E Movimentações. Caso Coloca Governança Da Suposta Compradora Sob Pressão A Suposta Compra Da Naskar Pela Azara Capital Poderia Representar Uma Alternativa De Reorganização Para A Fintech, Mas A Falta De Informações Públicas Sobre A Compradora Dificulta A Avaliação Da Operação. A Ausência De Executivos Identificados No Site, O Endereço Associado A Outro Banco, O Perfil Recente Em Rede Social E A Falta De Cadastro Aparente Em Órgãos Reguladores Americanos Formam Um Conjunto De Pontos Que Exigem Esclarecimento. Para Os Investidores, O Fator Central Continua Sendo A Devolução Dos Recursos. Qualquer Solução Dependerá De Cronograma, Comprovação De Caixa, Validação Dos Saldos E Formalização Das Responsabilidades Assumidas Pela Empresa Que Teria Comprado A Naskar. Para O Mercado Financeiro, O Caso Reforça O Debate Sobre Estruturas De Captação Privada, Fintechs Que Operam Fora Do Circuito Tradicional De Instituições Reguladas E Promessas De Rentabilidade Recorrente Acima Dos Padrões De Mercado. A Crise Também Pode Aumentar A Pressão Sobre Distribuidores, Intermediários E Empresas Que Apresentaram A Naskar A Investidores. Em Disputas Desse Tipo, Clientes Frequentemente Buscam Responsabilizar Todos Os Agentes Que Participaram Da Oferta, Recomendação Ou Operacionalização Dos Contratos. Enquanto A Azara Capital Não Apresentar Informações Verificáveis Sobre Sua Estrutura, Seus Executivos, Sua Autorização Regulatória E Sua Capacidade Financeira, A Suposta Aquisição Tende A Permanecer Cercada Por Dúvidas. O Desfecho Do Caso Dependerá Menos Do Anúncio Da Compra E Mais Da Comprovação De Que Há Recursos, Governança E Instrumentos Jurídicos Suficientes Para Devolver O Dinheiro Dos Investidores. - Gazeta Mercantil
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