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Presidente do conselho da Copasa renuncia após delações sobre Aegea e esquema de propina

por João Souza
12/02/2026 às 23h55
em Negócios
Presidente Do Conselho Da Copasa Renuncia Após Delações Sobre Aegea E Esquema De Propina - Gazeta Mercsantil

Presidente do conselho da Copasa renuncia após citações em delações sobre esquema de propina na Aegea

A Copasa comunicou nesta quinta-feira (12) ao mercado a renúncia de Hamilton Amadeo ao cargo de presidente do conselho de administração da companhia, com efeito imediato. A saída do executivo ocorre em meio à repercussão de delações premiadas relacionadas à Aegea, empresa da qual Amadeo foi presidente entre 2011 e fevereiro de 2020. A informação foi oficializada por meio de Fato Relevante.

A renúncia acontece em um momento sensível para a Copasa, que se prepara para seu processo de privatização, previsto por meio de oferta secundária de ações ainda no primeiro trimestre de 2026. Especialistas destacam que a saída de Amadeo pode influenciar a percepção do mercado sobre a governança corporativa da companhia, sobretudo diante das implicações legais e políticas que envolvem o caso.

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Contexto das delações e envolvimento de Hamilton Amadeo

Mais cedo, reportagem do UOL detalhou que delações premiadas homologadas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) apontam que a expansão da Aegea em concessões de água e esgoto envolveu pagamentos de propina a agentes públicos para obtenção ou manutenção de contratos em seis estados e 20 municípios. Entre os estados citados estão Santa Catarina, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul, e os relatos indicam repasses a conselheiros de tribunais de contas, prefeitos e intermediários políticos.

Executivos e colaboradores da Aegea admitiram, segundo as delações, repasses ilícitos que somaram ao menos R$ 63 milhões entre 2010 e 2018. Os pagamentos teriam ocorrido por meio de dinheiro em espécie, contratos fictícios, compra de imóveis e veículos, e até influência sobre órgãos de controle. Os documentos das colaborações premiadas ainda permanecem sob sigilo judicial.

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No caso de Hamilton Amadeo, os depoimentos indicam que ele teria autorizado os pagamentos durante seu período à frente da Aegea. Além disso, Amadeo aparece como um dos delatores do caso perante o STJ, o que contribui para a pressão que resultou em sua renúncia na Copasa.

Histórico da Aegea e impactos regulatórios

A Aegea procurou autoridades em 2020 e firmou um acordo de leniência com o Ministério Público Federal (MPF). Pelo termo, a companhia se comprometeu a pagar R$ 439 milhões à União, parcelados em 15 prestações anuais corrigidas pelo IPCA, além de reconhecer irregularidades ocorridas antes de 2018. A medida teve como objetivo garantir a integridade das operações da empresa e reduzir potenciais sanções administrativas e criminais.

Após o acordo, a empresa reforçou sua estrutura societária. A Itaúsa tornou-se sócia da Aegea, fortalecendo a governança corporativa. Posteriormente, a companhia conquistou blocos relevantes no leilão da Cedae, no Rio de Janeiro, o que ampliou sua atuação no setor de saneamento. Ainda assim, a citação do nome de Hamilton Amadeo nas delações coloca em evidência possíveis lacunas de compliance que podem ter impactos na confiança do mercado.

A Copasa, por sua vez, acompanha o caso com atenção. Analistas apontam que a renúncia de Amadeo, embora isolada, sinaliza a necessidade de reforço em práticas de governança e transparência, especialmente em um momento crítico de privatização.

Repercussão e posicionamento oficial das empresas

A Aegea informou que o acordo de leniência abrange “circunstâncias anteriores a 2018, apuradas em investigações internas e independentes, compartilhadas voluntariamente com o MPF”, e que os impactos financeiros decorrentes já foram refletidos nas demonstrações contábeis da companhia. A empresa reforçou que a citação de Amadeo se refere a episódios pretéritos e que as medidas corretivas internas foram implementadas para garantir conformidade.

Políticos citados nas delações negaram qualquer irregularidade. Os acordos de colaboração seguem sob sigilo e os desdobramentos cíveis e criminais permanecem em tramitação no Judiciário. O contexto ressalta a complexidade de casos envolvendo empresas de concessão de serviços públicos e a necessidade de acompanhamento rigoroso de contratos e processos administrativos.

Privatização da Copasa e impactos no mercado

O plano de privatização da Copasa envolve oferta secundária de ações prevista para o primeiro trimestre de 2026, e o episódio da renúncia de Amadeo ganha relevância nesse cenário. Investidores e analistas de mercado acompanham de perto a governança corporativa da companhia, avaliando os efeitos da saída do executivo sobre a percepção de risco e sobre o andamento do processo de venda.

Especialistas em economia destacam que casos de renúncia ligados a delações podem afetar temporariamente o valor das ações e a confiança do mercado. A transparência nos procedimentos e a comunicação rápida ao mercado são fatores determinantes para minimizar impactos negativos.

Além disso, o episódio reforça a necessidade de mecanismos sólidos de compliance em empresas estatais e privadas que atuam em setores estratégicos, como o saneamento básico. A Copasa mantém um plano de governança robusto, mas a saída de um membro do conselho exige atenção redobrada à estabilidade institucional e à continuidade operacional.

Implicações legais e cíveis

Os desdobramentos das delações e das colaborações premiadas ainda estão sendo acompanhados pelo Judiciário. A Aegea e seus executivos podem enfrentar processos cíveis e criminais relacionados a pagamentos ilícitos, contratos fictícios e outros atos de corrupção administrativa. O caso também evidencia a importância de auditorias independentes e da atuação de órgãos de controle, incluindo tribunais de contas estaduais e municipais.

Para a Copasa, embora a renúncia de Hamilton Amadeo não envolva diretamente a gestão da companhia, o episódio ressalta a exposição potencial de membros de conselhos e a necessidade de manter políticas internas de integridade claras e rigorosas, especialmente em período de transição acionária.

Governança corporativa e lições estratégicas

O episódio reforça a relevância da governança corporativa em empresas de capital aberto e em processo de privatização. Para investidores, a clareza na comunicação de fatos relevantes e a atuação rápida diante de riscos reputacionais são elementos cruciais para a manutenção da confiança no mercado.

Analistas do setor apontam que a Copasa pode usar a renúncia como oportunidade para fortalecer comitês internos, revisar práticas de compliance e consolidar políticas de transparência, garantindo que os processos decisórios estejam alinhados com os melhores padrões internacionais.

A atuação de Hamilton Amadeo na Aegea, especialmente no período citado nas delações, também serve como estudo de caso sobre como lacunas em controles internos podem gerar impactos duradouros sobre a imagem corporativa e sobre decisões estratégicas de mercado.

Desdobramentos futuros para a Copasa e setor de saneamento

Com a privatização no horizonte, a Copasa deve manter atenção especial à governança e à comunicação institucional. A saída de Amadeo reforça a necessidade de estruturas sólidas de conselho e de políticas internas que minimizem riscos reputacionais.

O setor de saneamento básico no Brasil continua sendo estratégico, e episódios como este mostram a importância de práticas transparentes e éticas na gestão de concessões e contratos públicos. O acompanhamento de órgãos reguladores, o cumprimento de acordos de leniência e a adoção de medidas preventivas são essenciais para assegurar a confiança do mercado e a sustentabilidade dos negócios.

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