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Fraude no INSS: CPMI deve ser instalada ainda em maio com articulação do governo Lula

por Gabriel Monteiro
15/05/2025 às 13h47
em Política
Fraude No Inss - Gazeta Mercantil

Fraude no INSS: CPMI deve ser instalada ainda em maio com articulação do governo Lula

A instalação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da fraude no INSS ganhou tração nos bastidores de Brasília e se tornou centro de uma nova batalha política entre governo e oposição. A oposição liderou o requerimento para investigar irregularidades em descontos indevidos aplicados a aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), mas o governo Lula (PT) mudou de postura e agora pretende disputar o controle da CPMI para evitar desgaste político.

Neste artigo, você entenderá os bastidores da criação da CPMI da fraude no INSS, o que está em jogo politicamente, o impacto para o governo federal e como essa comissão pode afetar milhões de beneficiários da Previdência Social.

Leia também: Há quatro anos, Lula e Bolsonaro iniciavam campanhas que definiriam a eleição de 2022.


O que é a CPMI da fraude no INSS?

A CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) da fraude no INSS é um colegiado composto por deputados e senadores com a missão de investigar suspeitas de irregularidades em descontos indevidos em aposentadorias e pensões pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social. O requerimento de criação foi apresentado por parlamentares da oposição, mas contou também com assinaturas da base aliada do governo, evidenciando a gravidade e amplitude do problema.

O principal objetivo da comissão será apurar como mais de 470 mil beneficiários sofreram descontos sem autorização em seus benefícios, envolvendo associações e entidades que supostamente estariam ligadas ao INSS, mas que operavam com pouca transparência e, em muitos casos, de forma fraudulenta.


Governo muda estratégia e quer o controle da CPMI

Inicialmente, o Palácio do Planalto indicava que poderia adiar a instalação da CPMI da fraude no INSS. No entanto, com o crescimento da pressão da oposição e a possibilidade de desgaste político, o governo Lula, por meio do líder no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), anunciou uma nova estratégia: disputar os cargos de comando da comissão.

Randolfe declarou publicamente que não há necessidade de adiar a CPMI e que a prioridade do governo agora é garantir tanto a presidência quanto a relatoria da comissão. A relatoria pode ficar com a deputada Tabata Amaral (PSB-SP), que é da base governista e assinou o requerimento de criação da comissão, mesmo sendo de um partido aliado do vice-presidente Geraldo Alckmin.

A ideia do governo é ocupar os principais cargos para evitar que a CPMI da fraude no INSS se torne uma ferramenta de desgaste político, como já ocorreu com outras comissões parlamentares no passado.


Tamanho das bancadas pode favorecer o governo

No Congresso Nacional, o preenchimento de cargos em comissões parlamentares segue a proporcionalidade das bancadas partidárias. Isso significa que, mesmo com a oposição articulando a criação da CPMI da fraude no INSS, o governo pode conseguir maioria dos assentos e emplacar aliados nos postos-chave.

Randolfe Rodrigues afirmou que há número suficiente de parlamentares aliados ao Planalto para comandar os trabalhos da CPMI, o que abriria espaço para uma condução menos hostil ao Executivo. Essa manobra tem como objetivo controlar os danos à imagem do governo Lula e redirecionar o foco da investigação para fraudes ocorridas também durante a gestão de Jair Bolsonaro (PL).


Oposição promete judicializar caso requerimento não seja lido

Apesar do avanço nas articulações, a CPMI da fraude no INSS ainda depende de um passo formal para começar a funcionar: a leitura do requerimento em sessão do Congresso Nacional. A leitura deve ser feita pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e está prevista para ocorrer até o final de maio.

Contudo, se Alcolumbre não pautar a leitura, a oposição já anunciou que poderá acionar o Supremo Tribunal Federal (STF) para obrigar o Congresso a dar andamento ao pedido. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), vice-líder da minoria, afirmou que esse será o caminho caso haja obstrução.

Essa tensão política adiciona mais instabilidade ao processo e pode gerar novos embates entre os Poderes, além de ampliar o desgaste público em torno da fraude no INSS.


A dimensão da fraude no INSS

As suspeitas de fraude no INSS atingem um número alarmante de beneficiários. Segundo dados mais recentes, 473,9 mil pessoas não reconheceram os descontos realizados diretamente em seus benefícios. Essas deduções, muitas vezes relacionadas a associações que operam como se fossem conveniadas do INSS, vêm sendo alvo de dezenas de ações judiciais.

A gravidade do caso levou à mobilização de diversas frentes parlamentares, entidades de defesa do consumidor e órgãos de controle. Há também indícios de que parte das fraudes pode ter ocorrido ainda no governo anterior, o que o governo Lula pretende explorar para dividir as responsabilidades.


Como as vítimas da fraude podem reagir?

Os beneficiários que identificarem descontos indevidos nos seus pagamentos devem seguir alguns passos imediatos:

  1. Consultar o extrato do benefício: disponível no site ou aplicativo Meu INSS.

  2. Registrar reclamação: no próprio INSS ou na Ouvidoria do Ministério da Previdência.

  3. Acionar o Procon e Defensoria Pública: para suporte jurídico.

  4. Buscar ressarcimento judicial: em caso de cobranças indevidas comprovadas.

Além disso, a criação da CPMI pode pressionar o governo a acelerar investigações e responsabilizar os envolvidos nas fraudes.


O impacto político da CPMI da fraude no INSS

A CPMI da fraude no INSS terá efeitos além das investigações técnicas. O foco da comissão poderá ser utilizado politicamente, tanto para atingir o governo atual quanto para questionar ações do governo anterior.

Do ponto de vista institucional, o governo Lula precisa agir com cautela para evitar que a comissão se transforme em um palanque político. A tentativa de controlar a presidência e a relatoria da CPMI é uma jogada para garantir que os trabalhos ocorram com equilíbrio, evitando ataques desmedidos à imagem da administração federal.

Por outro lado, a oposição vê na CPMI uma chance de ampliar sua visibilidade, desgastar o governo e reforçar seu discurso junto ao eleitorado aposentado, diretamente afetado pela fraude no INSS.


A instalação da CPMI da fraude no INSS é um marco importante na tentativa de esclarecer um dos maiores escândalos previdenciários dos últimos anos. Com quase meio milhão de aposentados afetados e entidades sob suspeita de conduta criminosa, a comissão tem potencial para revelar um esquema sistêmico de irregularidades.

Ao mesmo tempo, a disputa política pelo controle da CPMI mostra que o caso vai muito além do combate à fraude. Está em jogo o controle da narrativa pública, a proteção da imagem do governo e o fortalecimento de posições políticas.

O desenrolar da comissão será determinante para os rumos do debate sobre a gestão do INSS, a responsabilização por erros passados e a construção de mecanismos mais transparentes de proteção ao segurado.

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