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Datafolha mostra avaliação negativa do governo Lula estável em 39%

Pesquisa indica oscilação dentro da margem de erro em maio; aprovação pessoal do presidente fica em 45%, enquanto 51% dizem reprovar seu desempenho

por Júlia Campos - Repórter de Política
16/05/2026 às 20h42
em Política, Destaque, Notícias
Datafolha Mostra Avaliação Negativa Do Governo Lula Estável Em 39% - Gazeta Mercantil

A avaliação negativa do governo Lula 3 ficou praticamente estável entre abril e maio, segundo pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (16). O levantamento mostra que 39% dos entrevistados classificam a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como ruim ou péssima, ante 40% na rodada anterior. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, a variação indica estabilidade no quadro de percepção pública sobre o governo federal.

O Datafolha também aponta que 30% avaliam o governo como bom ou ótimo. Em abril, esse índice era de 29%. Outros 29% consideram a administração regular, mesmo patamar registrado no levantamento anterior. O resultado mantém o Palácio do Planalto sob pressão, apesar da leve melhora numérica em relação ao pior momento da série recente.

A pesquisa Datafolha foi realizada entre terça-feira (12) e quarta-feira (13), com 2.004 pessoas de 16 anos ou mais. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

Reprovação segue próxima do maior nível do mandato

O índice de 39% de ruim ou péssimo mantém a avaliação negativa do governo Lula próxima do pico de 41% registrado em fevereiro de 2025. Naquele momento, a gestão petista enfrentava desgaste político após a crise envolvendo o monitoramento do Pix, episódio que elevou a temperatura no debate público e ampliou a pressão sobre o governo.

O melhor momento do terceiro mandato de Lula, de acordo com a série citada pela pesquisa Datafolha, ocorreu em junho de 2023, quando 27% avaliavam o governo como ruim ou péssimo. Desde então, a percepção negativa avançou em diferentes momentos, refletindo dificuldades na economia, desgaste político, ruídos de comunicação e disputa permanente com a oposição.

Embora a oscilação de abril para maio não represente mudança estatisticamente relevante, o patamar atual revela que a administração segue enfrentando resistência expressiva de parte do eleitorado. A estabilidade da avaliação negativa mostra que o governo ainda não conseguiu transformar agendas econômicas, programas sociais e articulação política em melhora consistente de popularidade.

Ao mesmo tempo, o campo positivo permanece em torno de 30%, sugerindo um núcleo de apoio relevante, mas insuficiente para inverter o saldo geral da avaliação. A fatia que considera a gestão regular, também próxima de 30%, continua sendo decisiva para a leitura política do Planalto.

Aprovação pessoal de Lula fica em 45%

Além da avaliação do governo, o Datafolha mediu a percepção dos entrevistados sobre o desempenho pessoal do presidente. Nesse recorte, 45% dizem aprovar Lula, enquanto 51% afirmam reprovar o trabalho do petista.

A diferença entre a aprovação pessoal do presidente e a avaliação positiva do governo mostra uma divisão importante. Enquanto 30% consideram a gestão boa ou ótima, um percentual maior afirma aprovar Lula individualmente. Isso sugere que parte dos entrevistados separa a imagem pessoal do presidente da avaliação administrativa do governo.

Essa distinção é relevante em ano de reorganização do debate eleitoral. A aprovação pessoal de Lula tende a influenciar a capacidade do governo de defender sua agenda pública, mobilizar a base política e enfrentar a oposição. Já a avaliação da gestão pesa diretamente sobre a percepção de eficiência administrativa e entrega de resultados.

A reprovação de 51% ao trabalho do presidente, porém, reforça o ambiente de desgaste. Mesmo com base social consolidada, Lula chega a maio com maioria numérica de entrevistados declarando reprovação ao seu desempenho pessoal.

Maioria diz que governo fez menos do que o esperado

A pesquisa Datafolha também avaliou a percepção sobre o quanto o governo entregou ao país desde o início do atual mandato. Para 59% dos entrevistados, a gestão Lula fez menos do que o esperado. Outros 23% afirmam que o Executivo cumpriu as expectativas, enquanto 13% dizem que o governo fez mais do que esperavam.

Esse dado aprofunda a leitura sobre a avaliação negativa. Não se trata apenas de rejeição ideológica ou partidária. O resultado indica frustração de parcela majoritária da população com as entregas concretas do governo federal.

A percepção de que o governo fez menos do que o esperado pode estar relacionada a diferentes fatores, como custo de vida, crédito, emprego, renda, segurança pública, serviços públicos e comunicação das ações federais. Ainda que indicadores econômicos possam apresentar desempenho positivo em determinadas áreas, a avaliação popular costuma depender da percepção direta do eleitor sobre sua vida cotidiana.

Para o Planalto, esse é um dos pontos mais sensíveis do levantamento. Governos podem conviver com oposição forte quando conseguem convencer o eleitorado de que entregam resultados. Quando a percepção majoritária passa a ser de entrega abaixo do esperado, a dificuldade política tende a aumentar.

Derrotas superam vitórias para 47% dos entrevistados

Outro dado do Datafolha mostra que 47% dos entrevistados veem o governo Lula com mais derrotas do que vitórias. Para 39%, a gestão teve mais vitórias do que derrotas.

Esse indicador sintetiza a percepção sobre a força política do governo. Ele envolve tanto a agenda administrativa quanto a relação com o Congresso Nacional, os embates públicos com adversários, a condução econômica e a capacidade de impor prioridades.

Desde o início do terceiro mandato, Lula governa em um ambiente parlamentar fragmentado, com forte presença do Centrão, oposição organizada e necessidade recorrente de negociação para aprovar medidas no Congresso. A percepção de derrotas pode refletir esse cenário de disputas sucessivas e concessões políticas.

Também pesa o fato de que a oposição mantém capacidade de pautar debates de grande alcance nas redes sociais, sobretudo em temas ligados a costumes, tributação, segurança e gastos públicos. A comunicação do governo, nesse contexto, tem sido apontada por aliados como um dos desafios para reduzir ruídos e ampliar a percepção de entrega.

Eleitorado de Lula mantém apoio majoritário ao governo

Entre os eleitores de Lula, a avaliação do governo é amplamente positiva. Segundo o Datafolha, 68% dos que declaram voto no presidente avaliam a gestão como ótima ou boa. Outros 30% consideram o governo regular, enquanto apenas 1% o classifica como ruim ou péssimo.

O recorte mostra que a base lulista permanece majoritariamente fiel. A baixa rejeição dentro do próprio eleitorado indica que o presidente ainda preserva capital político entre seus apoiadores mais próximos.

Esse núcleo é importante para a sustentação do governo em momentos de crise. Ele ajuda a manter a mobilização política, dá respaldo a pautas defendidas pelo Planalto e reduz o risco de erosão acelerada da base social do presidente.

Por outro lado, a força dentro do eleitorado próprio não tem sido suficiente para melhorar a avaliação geral. O desafio do governo está principalmente entre eleitores independentes, moderados, insatisfeitos e segmentos que não se alinham de forma permanente nem ao PT nem ao bolsonarismo.

Apoiadores de adversários concentram rejeição

A pesquisa Datafolha também mostra forte rejeição ao governo Lula entre eleitores de possíveis adversários no campo da oposição. Entre os apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL), 75% avaliam o governo como ruim ou péssimo. Outros 21% classificam a gestão como regular, enquanto apenas 3% dizem que o governo é bom ou ótimo.

No eleitorado de Ronaldo Caiado (PSD), 44% veem o governo como ruim ou péssimo, 37% como regular e 18% como bom ou ótimo. Já entre os que afirmam votar em Romeu Zema (Novo), 47% consideram a gestão ruim ou péssima, 44% regular e 6% positiva.

Os números revelam diferenças importantes entre os campos oposicionistas. O eleitorado de Flávio Bolsonaro aparece mais concentrado na rejeição ao governo petista. Já entre apoiadores de Caiado e Zema, embora a avaliação negativa seja maior que a positiva, há peso mais elevado da avaliação regular.

Esse recorte pode ser relevante para a disputa política nacional. Ele indica que a oposição ao governo Lula não é homogênea. Parte do eleitorado oposicionista demonstra rejeição consolidada, enquanto outra parcela expressa insatisfação, mas ainda mantém avaliação intermediária.

Levantamento foi feito antes de novo desgaste envolvendo Flávio Bolsonaro

A maior parte das entrevistas foi realizada antes da repercussão da notícia publicada pelo Intercept que ligou o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência pelo PL, ao ex-dono do liquidado Banco Master, Daniel Vorcaro.

O dado temporal é importante porque a pesquisa Datafolha capta a fotografia política dos dias 12 e 13, antes que o episódio ganhasse maior peso no debate público. Por isso, o levantamento não mede integralmente eventuais efeitos da notícia sobre a percepção dos eleitores.

Em pesquisas de opinião, fatos políticos de alta repercussão podem alterar o ambiente de curto prazo, mas seus efeitos dependem de duração, intensidade, cobertura, reação dos envolvidos e capacidade de mobilização das forças políticas. No caso do governo Lula, a estabilidade da avaliação negativa em maio indica que, até o momento da coleta, o quadro seguia sem mudança expressiva.

O Planalto deve observar com atenção se novos episódios envolvendo adversários têm capacidade de deslocar a agenda pública ou se a avaliação do governo continuará concentrada em temas ligados à percepção de desempenho administrativo.

Resultado amplia pressão sobre estratégia política do Planalto

O retrato apresentado pelo Datafolha reforça a necessidade de o governo Lula buscar melhora de percepção em áreas sensíveis para a população. A avaliação negativa estável em 39% não representa agravamento imediato, mas tampouco indica recuperação sólida.

O principal alerta para o governo está na combinação de três fatores: maioria dizendo que Lula fez menos do que o esperado, reprovação pessoal acima da aprovação e percepção de que a gestão acumula mais derrotas do que vitórias.

A estabilidade pode ser lida pelo Planalto como sinal de contenção do desgaste. No entanto, o patamar ainda elevado de avaliação negativa limita a margem política do presidente e pode afetar a tramitação de pautas no Congresso, a relação com aliados e a construção do debate eleitoral.

Para a oposição, os dados preservam um ambiente favorável à crítica ao governo, especialmente entre eleitores já alinhados ao campo antipetista. Ainda assim, a presença de quase um terço do eleitorado classificando a gestão como regular mostra que há espaço de disputa sobre a narrativa do mandato.

A pesquisa Datafolha, portanto, confirma um cenário de estabilidade sob pressão. O governo Lula mantém base fiel, mas ainda enfrenta dificuldade para ampliar aprovação, reduzir rejeição e convencer a maioria dos entrevistados de que suas entregas correspondem às expectativas criadas no início do mandato.

Tags: aprovação de Lulaavaliação do governoDatafolhaEleiçõesFlávio Bolsonarogoverno LulaLulaPalácio do Planalto.pesquisa DatafolhaPolíticaPTRomeu ZemaRonaldo Caiado

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Pela Estrutura Divulgada Aos Investidores, A Empresa Recebia Valores E Se Comprometia A Administrar O Patrimônio Dos Clientes, Pagando Rendimentos Mensais. O Modelo Atraiu Investidores De Diferentes Regiões Do País. A Crise, No Entanto, Expôs Riscos De Estruturas Privadas De Captação Com Promessa De Retorno Recorrente E Elevado. Quando Pagamentos Deixam De Ser Feitos, A Relação Entre Empresa E Cliente Rapidamente Passa Do Campo Comercial Para O Judicial E Regulatório. Segundo O Texto-Base, Os Valores A Serem Devolvidos Ou Ao Menos Esclarecidos Aos Clientes Superam R$ 900 Milhões. A Naskar, Por Sua Vez, Afirmou Que A Transação Com A Azara Capital Seria Uma “Operação Estratégica Voltada À Reorganização Das Atividades E À Continuidade Do Suporte Aos Investidores”. Azara Capital Não Informa Diretoria Nem Estrutura Operacional Um Dos Principais Pontos De Atenção É A Falta De Informações Institucionais Detalhadas Sobre A Azara Capital. 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Esse Alinhamento Entre Valor Da Transação E Passivo Estimado Aumenta A Importância De Documentação Verificável. Em Operações De Aquisição, Especialmente Quando Há Passivos Relevantes E Clientes Prejudicados, É Essencial Diferenciar Anúncio De Intenção, Assinatura De Contrato, Transferência Efetiva De Controle E Execução Financeira. Sem Esses Elementos, Investidores Seguem Expostos À Incerteza. A Naskar Disse Que Os Próximos Passos Envolveriam Continuidade Do Processo De Circularização, Consolidação De Informações Operacionais, Revisão Técnica Dos Processos E Liquidação Com Os Investidores. Circularização É Um Procedimento Usado Para Confirmar Saldos, Obrigações E Dados Junto Às Partes Envolvidas. Na Prática, Esse Processo Pode Ser Decisivo Para Definir Quanto Cada Investidor Tem A Receber, Quais Contratos Serão Reconhecidos, Qual A Ordem De Pagamento E De Que Forma Eventuais Divergências Serão Tratadas. Promessa De Rendimento De 2% Ao Mês Elevou Risco Da Operação A Naskar Construiu Sua Base De Clientes Oferecendo Retorno De 2% Ao Mês. Em Termos Financeiros, Esse Patamar Representa Uma Remuneração Elevada, Especialmente Quando Comparada A Alternativas Tradicionais De Renda Fixa E Produtos Bancários Regulados. Promessas De Retorno Acima Do Mercado Não Significam Automaticamente Fraude Ou Irregularidade, Mas Exigem Explicação Robusta Sobre Estratégia, Risco, Liquidez, Garantias E Fonte Dos Ganhos. Quanto Maior A Rentabilidade Prometida, Maior Tende A Ser A Necessidade De Transparência. No Caso Da Naskar, Os Clientes Aplicavam Recursos Esperando Receber Rendimentos Mensais. O Exemplo Citado No Texto-Base Mostra Que Um Investimento De R$ 1 Milhão Geraria Pagamento Mensal De R$ 20 Mil. Essa Previsibilidade De Fluxo Ajudou A Atrair Investidores, Mas Também Ampliou O Impacto Quando Os Pagamentos Foram Interrompidos. Durante Anos, Segundo Relatos, A Empresa Teria Funcionado Sem Grandes Problemas Para Os Clientes. A Quebra Do Padrão De Pagamentos No Início De Maio, No Entanto, Foi Suficiente Para Desencadear Uma Corrida Por Informações E Colocar A Empresa Sob Forte Pressão. Além Da Falta De Pagamento, A Interrupção Do Aplicativo Agravou O Cenário. Sem Acesso Ao Sistema, Investidores Ficaram Sem Uma Ferramenta Direta Para Verificar Patrimônio, Rendimentos E Movimentações. Caso Coloca Governança Da Suposta Compradora Sob Pressão A Suposta Compra Da Naskar Pela Azara Capital Poderia Representar Uma Alternativa De Reorganização Para A Fintech, Mas A Falta De Informações Públicas Sobre A Compradora Dificulta A Avaliação Da Operação. A Ausência De Executivos Identificados No Site, O Endereço Associado A Outro Banco, O Perfil Recente Em Rede Social E A Falta De Cadastro Aparente Em Órgãos Reguladores Americanos Formam Um Conjunto De Pontos Que Exigem Esclarecimento. Para Os Investidores, O Fator Central Continua Sendo A Devolução Dos Recursos. Qualquer Solução Dependerá De Cronograma, Comprovação De Caixa, Validação Dos Saldos E Formalização Das Responsabilidades Assumidas Pela Empresa Que Teria Comprado A Naskar. Para O Mercado Financeiro, O Caso Reforça O Debate Sobre Estruturas De Captação Privada, Fintechs Que Operam Fora Do Circuito Tradicional De Instituições Reguladas E Promessas De Rentabilidade Recorrente Acima Dos Padrões De Mercado. A Crise Também Pode Aumentar A Pressão Sobre Distribuidores, Intermediários E Empresas Que Apresentaram A Naskar A Investidores. Em Disputas Desse Tipo, Clientes Frequentemente Buscam Responsabilizar Todos Os Agentes Que Participaram Da Oferta, Recomendação Ou Operacionalização Dos Contratos. Enquanto A Azara Capital Não Apresentar Informações Verificáveis Sobre Sua Estrutura, Seus Executivos, Sua Autorização Regulatória E Sua Capacidade Financeira, A Suposta Aquisição Tende A Permanecer Cercada Por Dúvidas. O Desfecho Do Caso Dependerá Menos Do Anúncio Da Compra E Mais Da Comprovação De Que Há Recursos, Governança E Instrumentos Jurídicos Suficientes Para Devolver O Dinheiro Dos Investidores. - Gazeta Mercantil
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