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Deputados do PL São Condenados por Corrupção e Desvios de Emendas

por Júlia Campos
17/03/2026 às 20h44 - Atualizado em 25/08/2026 às 10h53
em Política
Supremo Tribunal Federal - Stf - Gazeta Mercantil

Deputados do PL São Condenados por Corrupção e Desvios de Emendas Parlamentares

Em decisão histórica, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) determinou nesta terça-feira (17) que deputados do PL são condenados por corrupção passiva e desvios de emendas parlamentares. Entre os réus estão dois deputados federais e um suplente do Partido Liberal (PL), além de outros quatro envolvidos no esquema de propina em troca de recursos públicos. A sentença reafirma a importância da fiscalização rigorosa sobre parlamentares e a responsabilidade na destinação de verbas públicas.

O relator do caso, ministro Cristiano Zanin, destacou que os acusados compunham o “núcleo central” de uma organização criminosa voltada à cobrança de vantagens indevidas em recursos destinados a municípios. A Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou provas robustas, incluindo documentos, planilhas e diálogos interceptados, que confirmam a prática de corrupção passiva e a materialidade dos crimes.

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Quem são os condenados e as penas aplicadas

Entre os políticos condenados pelo STF:

  • Josimar Maranhãozinho (PL-MA) – deputado licenciado, condenado a 6 anos e 5 meses de prisão em regime semiaberto, além de 300 dias-multa;

  • Pastor Gil (PL-MA) – deputado federal, sentenciado a 5 anos e 6 meses de prisão semiaberta e 100 dias-multa;

    Leia também: PGR defende arquivamento de inquérito envolvendo Renan Calheiros e Romero Jucá.

  • João Bosco Costa (PL-SE) – atualmente suplente, recebeu pena de 5 anos em regime semiaberto e 100 dias-multa.

Outros quatro envolvidos no esquema de propina também foram condenados:

  • João Batista Magalhães – 5 anos de prisão semiaberta e 30 dias-multa;

  • Antônio José Silva Rocha – 5 anos de prisão semiaberta e 30 dias-multa;

  • Adones Martins – 5 anos de prisão semiaberta e 30 dias-multa;

  • Abraão Nunes Martins Neto – 5 anos de prisão semiaberta e 30 dias-multa.

A decisão da Primeira Turma do STF estabelece que todos os condenados ficarão inelegíveis por oito anos após o cumprimento da pena e terão de ressarcir R$ 1,6 milhão aos cofres públicos.

Leia também: Vendas de tratores crescem 27,5% em setembro e impulsionam otimismo no agronegócio brasileiro.

Núcleo central do esquema de corrupção

Segundo a PGR, o núcleo central formado pelos deputados do PL coordenava a destinação de emendas parlamentares e cobrava propina de prefeitos:

  • Josimar Maranhãozinho supervisionava o repasse das emendas, controlava planilhas de pagamentos e determinava as cobranças de propina;

  • Pastor Gil executava as solicitações de propina, segundo instruções de Josimar e agendando reuniões estratégicas com prefeitos;

  • João Bosco Costa patrocinava a transferência de altos valores em troca de vantagens, incluindo repasses a familiares.

O núcleo de execução contava ainda com assessores e ex-prefeitos responsáveis por operacionalizar a cobrança e garantir o recebimento das vantagens ilícitas.

Propina em troca de emendas parlamentares

A denúncia da PGR revelou que os parlamentares cobraram 25% do valor das emendas destinadas ao município de São José de Ribamar (MA), correspondendo a R$ 1,667 milhão de um total de R$ 6,671 milhões. O esquema incluía intimidação e cobrança direta ao então prefeito, evidenciando organização estruturada e divisão clara de tarefas dentro do grupo criminoso.

O relator Cristiano Zanin reforçou que a conduta dos políticos violou o princípio da moralidade administrativa previsto no artigo 37 da Constituição Federal, destacando que atos de corrupção passiva por parlamentares constituem crime grave, independentemente do exercício do mandato.

Precedentes jurídicos e transparência no uso de emendas

O caso representa a primeira análise de desvios de emendas parlamentares após o STF aumentar o rigor na exigência de rastreabilidade e transparência nos repasses. O julgamento evidencia que parlamentares devem cumprir estritamente a legalidade e a ética na destinação de recursos públicos, sob pena de responsabilização criminal.

O Código Penal brasileiro prevê penas de 2 a 12 anos de prisão para corrupção passiva, além de multa. No caso dos deputados do PL são condenados, o regime semiaberto foi definido considerando o papel de liderança de alguns envolvidos e a participação de funcionários públicos no esquema.

Procedimentos legais e possibilidade de recursos

A condenação ou absolvição no STF depende da maioria simples da Turma, com pelo menos três ministros favoráveis à decisão. Caso mantida a condenação, a pena será debatida e fixada pelos demais ministros, garantindo amplo direito de defesa. Recursos ainda podem ser apresentados na própria Corte.

O ministro Zanin rejeitou todas as alegações das defesas sobre suposta incompetência do STF, cerceamento do direito de defesa ou adulteração de provas, reiterando que os elementos apresentados pela PGR comprovam de maneira incontestável a prática de corrupção passiva.

Impacto político e controle das emendas

O julgamento destaca a importância da fiscalização sobre a destinação de emendas parlamentares, instrumentos estratégicos do orçamento público. A condenação reforça a necessidade de mecanismos mais rigorosos de auditoria e prestação de contas, garantindo que os recursos sejam aplicados conforme a lei e em benefício da população.

A decisão também envia um recado claro para parlamentares, assessores e gestores municipais: desvios de recursos públicos não serão tolerados, e a justiça brasileira está preparada para responsabilizar todos os envolvidos. A condenação dos deputados do PL são condenados reforça a credibilidade do sistema de controle e fortalece a confiança da sociedade nas instituições.

Novos rumos da fiscalização parlamentar

Especialistas destacam que o caso abre precedentes importantes para a responsabilização de políticos e evidencia a atuação preventiva do STF em prol da ética no serviço público. Além de punir, a decisão estabelece padrões para auditorias e fiscalização de futuras destinações de emendas, promovendo maior transparência e integridade na política nacional.

O episódio se torna um marco na luta contra a corrupção parlamentar, reforçando que recursos públicos devem ser utilizados com responsabilidade e moralidade, princípios essenciais para a democracia e o desenvolvimento do país.

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