O Impacto da Desinformação no Governo Trump: Como a “Máquina de Besteiras” Está Moldando a Política dos EUA
O fenômeno da desinformação nunca foi tão proeminente na política dos Estados Unidos como durante o governo de Donald Trump. Desde seu primeiro mandato (2017-2021), o ex-presidente foi protagonista de uma série de declarações falsas ou enganosas. De acordo com o jornal The Washington Post, Trump fez mais de 30.000 declarações falsas ou imprecisas durante esse período. Agora, com seu retorno à Casa Branca em janeiro de 2025, a situação parece ter se agravado, com a disseminação de fake news e a construção de uma verdadeira “máquina de besteiras” em torno de sua administração.
O Retorno de Trump e a Ampliação da Desinformação
No primeiro governo, Trump costumava agir sem a influência de um grupo de apoio imediato que amplificasse suas mensagens. Contudo, ao retornar à presidência, ele não está mais sozinho. Ao contrário do passado, quando seus assessores tentavam suavizar suas falas, a nova administração tem abraçado a desinformação como uma ferramenta de poder, com figuras-chave ao seu redor que intensificam esse processo.
Kate Starbird, especialista em desinformação, foi clara ao afirmar que a infraestrutura política dos Estados Unidos foi alimentada por essa máquina de fake news, que hoje está profundamente interligada à mídia digital. A desinformação, impulsionada por movimentos populistas de direita, permeia as ações do governo, gerando uma distorção da realidade e criando um ambiente de constante manipulação da opinião pública.
O Papel da Mídia e Influenciadores Conservadores
Trump, mais do que nunca, tem aliados nos meios de comunicação, especialmente com influenciadores conservadores que amplificam suas declarações e teorias da conspiração. Um exemplo disso é Brian Glenn, do canal de TV Real America’s Voice, que, em um momento, atacou o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, por sua escolha de vestimenta ao se reunir com Trump na Casa Branca. Essa crítica foi usada para atacar a imagem de Zelensky e reforçar a narrativa política de Trump, com a mídia conservadora desempenhando um papel central.
Audrey McCabe, analista da Common Cause, comentou que o governo de Trump utiliza uma estratégia de “sobrecarga de desinformação” para descreditar opositores e atacar o Judiciário, o que torna a reação difícil. Essa abordagem parece ser uma continuação da filosofia política do ex-estrategista de Trump, Steve Bannon, que acreditava que a desinformação seria uma ferramenta poderosa para desestabilizar a oposição e controlar a narrativa.
Desinformação e Influência nas Redes Sociais
As redes sociais, especialmente o X (antigo Twitter), têm sido um terreno fértil para a disseminação de desinformação sob o governo de Trump. Ao lado de Elon Musk, que lidera a plataforma com uma postura contra a verificação de fatos, Trump e seus aliados têm aproveitado o ambiente digital para espalhar mentiras e teorias conspiratórias. Uma das fake news mais notórias foi a acusação de que o governo dos EUA gastou US$ 50 milhões em preservativos para o Hamas, um fato que não apenas foi falseado, mas também usado para impulsionar um discurso político de austeridade e anti-palestinianismo.
Além disso, Mark Zuckerberg, CEO da Meta, anunciou que a empresa encerraria seu programa de verificação de fatos, substituindo-o por um modelo de “notas da comunidade”, no qual os próprios usuários corrigem informações. Esse movimento favorece a proliferação de desinformação, uma vez que a verificação dos dados fica à mercê de indivíduos sem expertise técnica.
A Trágica Influência de Influenciadores Conservadores
O governo Trump também tem investido na voz de influenciadores e figuras públicas que disseminam desinformação. Brian Glenn, por exemplo, se tornou uma figura central ao atacar Zelensky, alegando que sua falta de terno durante uma reunião com Trump era uma afronta ao cargo presidencial. Este tipo de retórica impulsionada por influenciadores de direita amplifica as falas de Trump, criando um ciclo de desinformação que impacta diretamente a política interna e externa dos EUA.
O Impacto das Fake News nas Políticas de Governo
A crescente influência da desinformação no governo Trump não se limita às palavras ditas por ele ou seus aliados. As políticas também refletem a manipulação da informação. A secretária de Agricultura, Brooke Rollins, comemorou o bloqueio de US$ 600 mil para um estudo que, na verdade, analisava o uso de fibras naturais em produtos de higiene feminina. A alegação de que o governo estava financiando estudos sobre “ciclos menstruais de homens trans” foi uma distorção da realidade, amplificada pelas redes sociais.
Esses casos demonstram como a desinformação se infiltrou nas políticas de saúde, educação e até mesmo em questões internacionais, gerando um caos informativo que afeta diretamente a percepção pública e as decisões políticas.
A Nova Era da Desinformação Política: Desafios e Consequências
A ascensão de Trump, alimentada pela desinformação, coloca em evidência os perigos dessa estratégia política. A manipulação de dados e fatos para controlar a narrativa não é apenas uma ameaça à democracia, mas também à credibilidade das instituições. A falta de um sistema eficiente de verificação de informações e a propagação de fake news por plataformas como X e Facebook agravam a situação, criando um ciclo vicioso de manipulação de massas.
Ao manter um exército de seguidores fervorosos e influenciadores ao seu lado, Trump continua a dominar a narrativa, não com base em evidências, mas em mentiras repetidas que, eventualmente, se tornam verdades para uma parte significativa da população. A política da desinformação se revela como uma arma poderosa nas mãos de líderes populistas, e os efeitos dessa estratégia estão longe de ser simples ou passageiras.