A Embraer (EMBJ3) anunciou nesta segunda-feira (6) a saída de seu diretor financeiro e de relações com investidores, Antonio Carlos Garcia, que deixará a fabricante para assumir a mesma função na Azul (AZUL53). A mudança ocorre em um momento de melhora operacional da companhia, poucos dias depois de a empresa divulgar crescimento expressivo nas entregas de aeronaves no primeiro trimestre de 2026.
A troca no alto escalão conecta duas das principais companhias do setor aéreo brasileiro e movimenta o mercado em um momento estratégico para ambas. De um lado, a Embraer tenta preservar a continuidade de sua execução financeira em meio ao avanço operacional. De outro, a Azul reforça sua estrutura de gestão após atravessar um processo recente de reorganização financeira.
Embraer (EMBJ3) anuncia saída de Antonio Garcia do comando financeiro
Segundo comunicado divulgado pela companhia, Antonio Carlos Garcia deixará o cargo de vice-presidente executivo financeiro e de relações com investidores por decisão pessoal, com efeito imediato. O executivo estava na função desde 2020 e teve papel relevante na condução financeira da empresa em um dos períodos mais delicados da história recente da fabricante.
No comunicado, a Embraer destacou a contribuição do executivo para o fortalecimento da disciplina financeira, para a relação com o mercado e para a sustentação de resultados alinhados à estratégia de longo prazo. A companhia também ressaltou que a mudança não altera sua estratégia, suas operações nem seus compromissos financeiros.
A saída acontece justamente em um momento em que a Embraer (EMBJ3) tenta consolidar um ciclo mais forte de execução industrial e comercial, apoiado pela recuperação das entregas e pela busca de maior previsibilidade operacional.
CEO da Embraer acumulará interinamente função de CFO
Para garantir a continuidade da estrutura financeira e de relações com investidores, o conselho de administração da Embraer elegeu o presidente-executivo Francisco Gomes Neto para acumular interinamente a função de CFO e diretor de relações com investidores até a definição de um substituto permanente.
A decisão busca reduzir ruídos em um momento sensível, já que mudanças no comando financeiro costumam ser acompanhadas de perto por acionistas e analistas, especialmente em empresas listadas e expostas a ciclos industriais complexos como a Embraer.
Ao optar por uma solução interna e imediata, a companhia tenta transmitir uma mensagem de estabilidade ao mercado e reforçar que a transição no comando financeiro não compromete a execução do plano de negócios.
Embraer (EMBJ3) vive momento operacional mais forte após avanço de 47% nas entregas
A saída de Antonio Garcia ocorre poucos dias depois de a Embraer divulgar um dado que ajudou a melhorar a percepção do mercado sobre a companhia. No primeiro trimestre de 2026, a fabricante entregou 44 aeronaves, número que representa um crescimento de 47% na comparação anual.
O avanço foi impulsionado por melhora em diferentes frentes do negócio. A aviação executiva teve destaque com 29 jatos entregues, enquanto a aviação comercial também mostrou expansão relevante. O desempenho reforçou a leitura de que a empresa começa o ano com tração operacional mais consistente.
Esse contraste entre o fortalecimento das entregas e a troca no comando financeiro aumenta a atenção do mercado sobre os próximos passos da companhia. Em momentos de recuperação operacional, investidores costumam monitorar com ainda mais cuidado a estabilidade da estrutura executiva.
Azul (AZUL53) escolhe executivo da Embraer para reforçar área financeira
A Azul (AZUL53) informou que Antonio Carlos Garcia assumirá o cargo de vice-presidente, diretor financeiro e diretor de relações com investidores a partir de 20 de abril, sujeito à aprovação do conselho de administração.
A nomeação ocorre em um momento importante para a companhia aérea, que tenta reforçar sua governança e sua estrutura de gestão após uma fase recente de reestruturação financeira. A chegada de um executivo com experiência em indústria, mercado de capitais e reequilíbrio financeiro é vista como uma sinalização relevante para a nova etapa da empresa.
Em comunicado, o CEO da Azul, John Rodgerson, destacou a experiência analítica e executiva de Garcia e afirmou que sua passagem pela Embraer agrega uma visão estratégica importante para o negócio da companhia aérea.
Quem é Antonio Carlos Garcia, executivo que sai da Embraer (EMBJ3) e vai para a Azul (AZUL53)
Antonio Carlos Garcia construiu carreira de mais de três décadas na área financeira, com passagens por grandes multinacionais industriais. Antes de chegar à Embraer, atuou como CFO global da divisão de tecnologias forjadas da ThyssenKrupp, na Alemanha, além de ter acumulado experiências em grupos como ZF e Siemens.
Formado em Contabilidade e com MBA pela PUC-SP, o executivo assumiu o comando financeiro da Embraer em 2020, em um período especialmente desafiador para a companhia, marcado pelos efeitos do fim da parceria com a Boeing e pela necessidade de reorganização financeira e estratégica.
Sua passagem pela fabricante ficou associada a uma agenda de maior disciplina financeira, diálogo com investidores e suporte à estratégia de longo prazo da empresa.
O que a saída do CFO representa para Embraer (EMBJ3) e Azul (AZUL53)
Para a Embraer (EMBJ3), a mudança representa um teste de continuidade em um momento de recuperação operacional e de reforço da confiança do mercado em sua execução. Ainda que a companhia tenha tentado sinalizar estabilidade com a nomeação interina do CEO para a área financeira, a escolha do futuro CFO será observada com atenção por investidores.
Para a Azul (AZUL53), a contratação de Antonio Garcia representa a chegada de um nome com experiência em reestruturação, disciplina financeira e interlocução com o mercado, atributos especialmente relevantes para uma companhia que busca fortalecer sua nova fase após ajustes importantes em sua estrutura de capital.
Na prática, a movimentação entre Embraer e Azul transforma uma troca de executivo em um evento de peso para o mercado, ao envolver duas empresas estratégicas do setor aéreo brasileiro em um momento decisivo para governança, confiança e execução.







