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Alta no endividamento das famílias brasileiras em maio de 2025: 78,2% em débito e inadimplência recorde

por Gabriel Monteiro
11/06/2025 às 15h55
em Economia
Alta No Endividamento Das Famílias Brasileiras Em Maio De 2025: 78,2% Em Débito E Inadimplência Recorde - Gazeta Mercantil - Economia

Alta do endividamento das famílias brasileiras em maio de 2025: entenda os dados da PEIC

Panorama do endividamento das famílias brasileiras

Em maio de 2025, o endividamento das famílias brasileiras atingiu 78,2%, o maior índice registrado desde julho de 2024. Esse aumento de 0,6 ponto percentual em relação a abril revela uma tendência preocupante de acúmulo de dívidas nos lares. Ainda que ligeiramente abaixo dos 78,8% de maio de 2024, o patamar atual acende o sinal de alerta sobre o equilíbrio financeiro das famílias.

Simultaneamente, a inadimplência cresceu para 29,5%, o nível mais alto em mais de seis meses. A elevação tanto no curto quanto no longo prazo demonstra fragilidade na capacidade de pagamento e uma pressão crescente sobre o orçamento doméstico.

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Inadimplência e falta de condições para quitar dívidas

Entre os inadimplentes, 12,5% afirmam não ter condições de pagar suas dívidas, um crescimento em relação ao ano anterior. Isso evidencia que o problema vai além do simples acúmulo de parcelas: há uma parcela significativa da população com dificuldades estruturais para cumprir seus compromissos.

Esse dado também sugere um ciclo de endividamento cada vez mais difícil de reverter sem medidas estruturais de apoio à reeducação financeira e renegociação.

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Dívidas de longo prazo em queda

O levantamento indica que a proporção de famílias com dívidas de longo prazo (acima de 12 meses) está em declínio pelo quinto mês consecutivo, atualmente em 32,8%, o menor índice em 12 meses. Por outro lado, o volume de dívidas de curto e médio prazo cresce, o que pode indicar uma preferência (ou limitação) por linhas de crédito mais rápidas, porém com taxas mais elevadas.

Essa mudança pode ser reflexo da falta de acesso ao crédito de longo prazo, da tentativa de evitar compromissos extensos ou da instabilidade econômica que reduz a previsibilidade financeira.


Cartão de crédito segue líder entre modalidades de dívida

O cartão de crédito permanece como a principal forma de endividamento entre os brasileiros, sendo citado por 83,6% dos entrevistados com dívidas. No entanto, esse número representa uma leve queda em comparação ao mesmo período do ano anterior. A retração pode estar relacionada a mudanças no perfil de consumo ou ao aumento das taxas de juros rotativo, que tornam essa opção mais onerosa.

Outras formas de dívida vêm ganhando espaço, como o uso de carnês de lojas, que subiram para 17,2%, e o crédito pessoal, que chegou a 10,6%. O crescimento dessas modalidades sugere que os consumidores estão diversificando as fontes de crédito para atender às suas necessidades, muitas vezes recorrendo a alternativas menos rigorosas.


Famílias comprometidas com mais da metade da renda em dívidas

Um dado relevante foi a redução da parcela de famílias que comprometem mais de 50% da renda com dívidas, agora em 19,7%, o menor patamar desde meados de 2023. Essa leve melhora no indicador sugere um movimento de ajuste nos gastos ou renegociação de dívidas, apesar do aumento geral do endividamento.

A média de comprometimento da renda caiu para 29,8%, o que pode indicar um esforço consciente por parte das famílias para evitar o colapso financeiro, mesmo diante de um cenário adverso.


Autopercepção do grau de endividamento

A percepção subjetiva dos brasileiros sobre sua condição financeira é um termômetro importante. 15,5% dos entrevistados se classificam como “muito endividados”, enquanto 33,4% se dizem “pouco endividados”. Esse contraste mostra que, embora o índice global de endividamento esteja elevado, há diferenças significativas na maneira como as famílias administram e sentem suas dívidas.

Essa percepção pode impactar diretamente no comportamento financeiro, já que indivíduos que se consideram mais endividados tendem a evitar novas dívidas e buscar alternativas para reequilibrar as contas.


Faixas de renda mais afetadas

O avanço do endividamento foi mais expressivo entre famílias com renda entre 5 e 10 salários mínimos, que viram o indicador subir mais de 3 pontos percentuais em apenas um mês. Essas famílias, tradicionalmente de classe média, estão sendo particularmente afetadas por inflação, desemprego parcial e encarecimento do crédito.

A inadimplência, por sua vez, cresceu com maior intensidade entre os que recebem de 3 a 5 salários mínimos, indicando que o impacto da crise econômica está se aprofundando na base da classe média, faixa geralmente mais sensível a oscilações do custo de vida.


Diferenças entre homens e mulheres

Quando observadas as diferenças de gênero, o endividamento entre os homens subiu para 78,2%, superando o índice das mulheres, que caiu para 78,1%. A leve redução entre as mulheres pode estar associada a maior cautela ou mudança nos hábitos de consumo.

Contudo, na inadimplência, os homens apresentam 29,6%, um aumento mais expressivo do que o das mulheres, que registram 29,2%. A desigualdade de comportamento financeiro entre os gêneros evidencia a importância de políticas personalizadas de educação financeira.


Reincidência de inadimplência

Estudos apontam que a grande maioria dos inadimplentes que entraram novamente na lista de devedores em abril de 2025 já havia passado por essa situação no último ano. O tempo médio entre a quitação de uma dívida e a reincidência foi de 72,5 dias, evidenciando um ciclo vicioso difícil de ser interrompido sem mudanças estruturais no padrão de consumo.

Essa reincidência mostra que, mesmo após limpar o nome, muitas pessoas rapidamente voltam a se endividar, geralmente em busca de suprir necessidades básicas. O padrão sugere ausência de reservas financeiras e baixa resiliência a imprevistos.


Redução na recuperação de crédito

Outro dado preocupante foi a queda de 9,37% no número de consumidores que conseguiram limpar o nome entre maio de 2024 e abril de 2025. Essa dificuldade crescente em sair da inadimplência evidencia a limitação de acesso ao crédito, mesmo para quem deseja regularizar sua situação.

O contexto de juros altos e inflação pressionada limita a capacidade de renegociação e o retorno ao mercado formal de crédito, criando uma espécie de “armadilha da dívida.


Projeções para o restante de 2025

As estimativas indicam que, até o final de 2025, o endividamento das famílias brasileiras deve atingir 77,5%, e a inadimplência pode chegar a 29,8%. Essas projeções apontam para um cenário ainda mais desafiador, com impactos diretos no consumo, na economia e no bem-estar da população.

O panorama é influenciado pela persistência dos juros elevados, desaceleração da atividade econômica e novas concessões de crédito, muitas vezes mal utilizadas pelas famílias, que veem nas parcelas longas uma solução temporária para emergências imediatas.


Caminhos para lidar com o endividamento crescente

Diante desse cenário, especialistas em finanças pessoais recomendam:

  • Diagnosticar todas as dívidas e priorizar as de maior impacto (juros mais altos);

  • Evitar novas dívidas, principalmente em cartões rotativos e cheque especial;

  • Renegociar com credores em busca de melhores prazos e descontos;

  • Criar uma reserva de emergência, mesmo que pequena;

  • Investir em educação financeira para tomar decisões mais conscientes;

  • Utilizar ferramentas digitais de gestão financeira para controlar entradas e saídas.

A longo prazo, ações do governo e do setor bancário também são essenciais para ampliar o acesso ao crédito responsável e fomentar políticas de fomento à estabilidade financeira das famílias.

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