Dólar cai e Ibovespa sobe após aprovação da reforma tributária e payroll dos EUA
O dólar opera em queda e o Ibovespa avança nesta sexta-feira (7), em uma sessão marcada pela aprovação da reforma tributária na Câmara dos Deputados e pela divulgação de um relatório de emprego dos Estados Unidos abaixo das expectativas.
Às 10h58, o dólar comercial recuava 0,97%, cotado a R$ 4,8819, enquanto o Ibovespa subia 1,08%, aos 118.699 pontos.
O movimento positivo dos ativos brasileiros ocorre após a Câmara concluir, na madrugada desta sexta-feira, a votação da proposta de reforma tributária. O texto foi aprovado em segundo turno por 375 votos a favor, 113 contra e três abstenções, depois de ter recebido 382 votos favoráveis e 118 contrários no primeiro turno.
A proposta agora seguirá para análise do Senado, depois de concluída a apreciação dos destaques na Câmara.
Reforma tributária melhora percepção sobre o Brasil
A aprovação da reforma tributária foi recebida pelo mercado como um avanço institucional relevante, especialmente por representar a primeira grande aprovação de uma mudança estrutural no sistema de impostos sobre o consumo após décadas de discussões no Congresso.
O texto prevê a substituição gradual de tributos como IPI, PIS, Cofins, ICMS e ISS por um novo modelo baseado em impostos sobre valor agregado. A transição para o sistema deverá ocorrer ao longo de vários anos.
Para investidores, o avanço da proposta reduz parte das incertezas relacionadas ao ambiente fiscal e à estrutura tributária brasileira, além de representar potencial melhora da eficiência econômica no longo prazo.
“Depois de um começo do ano com discussões negativas que aumentaram a incerteza e os prêmios de risco no mercado, chegamos no segundo semestre com a aprovação da reforma tributária do consumo, uma surpresa positiva, que traz um enorme avanço na complexa legislação”, afirmou Rafaela Vitória, economista-chefe do Banco Inter.
O JPMorgan também classificou a aprovação como um passo importante, com potencial para produzir melhorias relevantes para a economia brasileira.
A reação dos investidores, porém, ainda deve ser acompanhada de perto durante a tramitação no Senado, onde o texto poderá sofrer alterações.
Payroll dos EUA desacelera criação de empregos
No exterior, o principal fator de atenção é o relatório de emprego dos Estados Unidos, conhecido como payroll.
A economia norte-americana criou 209 mil empregos fora do setor agrícola em junho, abaixo das 225 mil vagas esperadas pelo mercado e também abaixo do resultado de maio, que foi revisado para 306 mil postos. O número mostrou desaceleração em relação aos meses anteriores.
No setor privado, foram criadas 149 mil vagas, número também inferior às expectativas e muito distante dos 497 mil postos apontados na leitura da ADP divulgada na quinta-feira.
A taxa de desemprego caiu de 3,7% para 3,6%, enquanto os salários médios por hora avançaram 0,4% na comparação mensal e 4,4% em 12 meses.
O mercado interpretou a desaceleração do emprego como um sinal de possível moderação da atividade econômica americana. Ainda assim, os números permanecem suficientemente fortes para manter a expectativa de que o Federal Reserve possa elevar novamente os juros em sua reunião de julho.
“Os dados de contratações do setor privado em junho vieram mais baixos que o esperado e muito mais baixos que o da ADP, de ontem”, avaliou Pedro Paulo Silveira, gestor da Nova Futura Investimentos. Segundo ele, o resultado pode reduzir o risco de novos apertos monetários além do aumento já amplamente esperado para julho.
Wall Street abre em baixa após dados de emprego
Apesar da desaceleração do mercado de trabalho, os principais índices de Wall Street abriram em queda nesta sexta-feira.
O Dow Jones recuava 0,25% na abertura, aos 33.837,07 pontos. O S&P 500 perdia 0,16%, aos 4.404,54 pontos, enquanto o Nasdaq Composite caía 0,08%, aos 13.668,07 pontos.
A reação negativa reflete a avaliação de que, embora o payroll tenha vindo abaixo das projeções, o mercado de trabalho americano continua relativamente aquecido. Dessa forma, os investidores ainda precisam considerar a possibilidade de juros elevados por mais tempo.
Bolsas da Ásia encerram sessão em baixa
Os mercados acionários da Ásia também terminaram a sexta-feira predominantemente no campo negativo.
Na China, os investidores mantiveram cautela diante da expectativa por novas medidas de estímulo econômico de Pequim e das incertezas nas relações entre China e Estados Unidos.
O desempenho dos principais índices foi:
- Tóquio: Nikkei caiu 1,17%, aos 32.388 pontos;
- Hong Kong: Hang Seng recuou 0,90%, aos 18.365 pontos;
- Xangai: SSEC perdeu 0,28%, aos 3.196 pontos;
- Shenzhen/Xangai: CSI300 caiu 0,44%, aos 3.825 pontos;
- Seul: Kospi recuou 1,16%, aos 2.526 pontos;
- Taiwan: Taiex caiu 0,58%, aos 16.664 pontos;
- Cingapura: Straits Times perdeu 0,35%, aos 3.139 pontos;
- Sydney: S&P/ASX 200 recuou 1,69%, aos 7.042 pontos.
Mercado brasileiro combina fatores domésticos e externos
A alta do Ibovespa nesta sexta-feira reúne dois vetores favoráveis ao mercado brasileiro. Internamente, a aprovação da reforma tributária reforça a percepção de avanço da agenda econômica. No exterior, a desaceleração do payroll reduz parcialmente a pressão sobre os ativos emergentes provocada pela expectativa de juros americanos elevados.
O comportamento do dólar também reflete esse ambiente. A queda da moeda norte-americana abaixo de R$ 4,90 ocorre em um cenário de maior apetite por ativos brasileiros e menor pressão externa sobre as taxas de juros.
Ainda assim, os dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos não eliminam o risco de novas altas de juros pelo Federal Reserve. A combinação entre inflação, salários e atividade econômica continuará sendo determinante para a trajetória da política monetária americana.
No Brasil, o próximo foco passa a ser a conclusão da tramitação da reforma tributária no Senado. O avanço da proposta deverá continuar entre os principais catalisadores dos mercados locais nas próximas semanas.









