O Ibovespa hoje opera em forte queda nesta quarta-feira (28), ampliando as perdas registradas nos primeiros pregões após o segundo turno das eleições presidenciais. O principal índice da B3 recuava 1,54%, aos 173.007,45 pontos, por volta das 10h27, pressionado principalmente pelas ações de grandes bancos, varejistas e empresas com participação relevante na composição do indicador.
O movimento negativo começou logo após a abertura das negociações. O Ibovespa iniciou o pregão aos 175.535,74 pontos, próximo da estabilidade, mas acelerou as perdas nos primeiros minutos. Por volta das 10h20, já registrava desvalorização próxima de 1%, rompendo a marca dos 174 mil pontos.
A queda ocorre em meio à reavaliação das perspectivas para a economia brasileira após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Investidores acompanham possíveis mudanças na equipe econômica, a trajetória das contas públicas e os efeitos das expectativas para os juros sobre o desempenho das empresas listadas.
No cenário corporativo, o balanço do Santander Brasil (SANB11) contribuiu para aumentar a pressão sobre o setor financeiro. O banco anunciou lucro líquido gerencial recorrente de R$ 2,885 bilhões no terceiro trimestre de 2026, queda de 28% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O resultado negativo das ações bancárias se soma à fraqueza de empresas de consumo e à volatilidade dos papéis de grandes companhias, como Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3), que possuem peso importante no cálculo do Ibovespa.
Ibovespa amplia perdas após queda de quase 14% na segunda-feira
A desvalorização desta quarta-feira representa a continuidade do movimento de vendas iniciado na segunda-feira (26), primeiro pregão após a definição do resultado eleitoral.
Na ocasião, o Ibovespa caiu 13,88%, encerrando a sessão aos 176.608,23 pontos. A intensidade das perdas provocou o acionamento do circuit breaker, mecanismo da B3 que interrompe temporariamente as negociações em situações de quedas acentuadas.
Na terça-feira (27), a Bolsa brasileira ensaiou uma recuperação, mas perdeu força ao longo do dia e terminou com baixa de 0,51%, aos 175.710,05 pontos.
Com a nova queda registrada nesta quarta-feira, o índice passou a operar abaixo dos 174 mil pontos, acumulando perdas expressivas em relação ao fechamento da sexta-feira (23), anterior ao segundo turno das eleições.
Naquela sessão, o Ibovespa havia encerrado aos 205.082,56 pontos. Considerando a cotação de 173.007,45 pontos observada na manhã desta quarta-feira, a desvalorização acumulada desde então alcançava aproximadamente 15,6%.
A intensidade do movimento evidencia a reprecificação de ações brasileiras diante das expectativas para o cenário econômico dos próximos anos.
Embora a eleição presidencial já esteja definida, investidores ainda aguardam indicações mais concretas sobre as prioridades econômicas do governo e a composição da equipe responsável pela política fiscal.
Santander (SANB11) lidera pressão sobre ações dos bancos
O setor bancário está entre os principais responsáveis pelo desempenho negativo do Ibovespa nesta quarta-feira.
Por volta das 10h23, as units do Santander Brasil (SANB11) recuavam 3,87%, enquanto as ações preferenciais do Bradesco (BBDC4) registravam queda de 3,69%.
No mesmo horário, Itaú Unibanco (ITUB4) apresentava desvalorização de 2,23%, enquanto Banco do Brasil (BBAS3) perdia 1,73%.
O movimento ocorre após a divulgação dos resultados trimestrais do Santander, que apontaram deterioração de indicadores importantes de rentabilidade e qualidade da carteira de crédito.
O lucro líquido gerencial recorrente do banco caiu de R$ 4,009 bilhões no terceiro trimestre de 2025 para R$ 2,885 bilhões entre julho e setembro deste ano.
O retorno sobre o patrimônio líquido médio recorrente, conhecido como ROAE, passou de 17,5% para 11,9% na comparação anual.
As despesas com provisões para perdas de crédito atingiram R$ 7,46 bilhões, crescimento de 14,4% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. O índice de inadimplência superior a 90 dias avançou de 2,8% para 3,4%.
Apesar da redução do lucro, a carteira de crédito ampliada cresceu 4,7% em 12 meses, alcançando R$ 721,3 bilhões.
O balanço reforçou a preocupação com a capacidade de geração de resultados dos bancos em um ambiente de juros elevados, inadimplência crescente e condições mais restritivas para a concessão de crédito.
Como o setor financeiro possui participação expressiva no Ibovespa, quedas simultâneas de Santander, Itaú, Bradesco e Banco do Brasil exercem pressão importante sobre a pontuação do índice.
Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3) também registram perdas
Além dos bancos, o Ibovespa acompanha o desempenho das duas principais empresas brasileiras ligadas à produção de commodities.
As ações da Vale (VALE3) começaram a sessão em território negativo. Por volta das 10h10, os papéis recuavam 0,38%, negociados a aproximadamente R$ 62,76.
A mineradora possui participação relevante na composição do Ibovespa, o que faz com que suas oscilações tenham impacto sobre o resultado do índice.
A Petrobras (PETR4) também passou a registrar perdas depois de iniciar o pregão com pequena valorização.
Às 10h33, as ações ordinárias da companhia (PETR3) recuavam 0,77%, enquanto as preferenciais (PETR4) apresentavam queda de 0,72%.
O mercado acompanha as perspectivas operacionais da estatal, que divulgará nesta quarta-feira, após o encerramento das negociações na B3, seu relatório de produção e vendas referente ao terceiro trimestre de 2026.
A publicação é aguardada após dados preliminares da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) indicarem que a produção brasileira de petróleo e gás atingiu recorde em setembro, com 6,116 milhões de barris de óleo equivalente por dia.
Os números operacionais da Petrobras poderão fornecer novas informações para a avaliação das ações da companhia, especialmente sobre produção, utilização das plataformas e desempenho dos principais campos do pré-sal.
Magazine Luiza (MGLU3) cai mais de 4% e varejistas acompanham perdas
As empresas de varejo também apresentam quedas expressivas no pregão desta quarta-feira, contribuindo para o movimento negativo da Bolsa brasileira.
Por volta das 10h23, as ações do Magazine Luiza (MGLU3) recuavam 4,28%, figurando entre as maiores perdas do setor.
A Azzas 2154 (AZZA3) registrava desvalorização de 4,22%, enquanto Casas Bahia (BHIA3) caía 3,30%. Os papéis da Lojas Renner (LREN3) apresentavam baixa de 1,85%.
O desempenho dessas companhias reflete a sensibilidade do setor às expectativas para a atividade econômica, o custo do crédito e o consumo das famílias.
Empresas varejistas dependem diretamente da capacidade de compra dos consumidores e, em muitos segmentos, das condições de financiamento oferecidas para aquisição de produtos.
A perspectiva de manutenção de juros elevados por um período prolongado tende a elevar custos financeiros e limitar o ritmo de expansão do consumo.
Além disso, mudanças nas expectativas de crescimento econômico podem provocar ajustes nos preços das ações, especialmente em companhias cujas avaliações dependem de recuperação de margens e expansão futura dos resultados.
Klabin (KLBN11) divulga queda no lucro e no resultado operacional
A temporada de balanços corporativos também movimenta o Ibovespa nesta quarta-feira.
A Klabin (KLBN11) apresentou lucro líquido de R$ 393 milhões no terceiro trimestre de 2026, retração de 18% em relação ao mesmo período do ano anterior.
A receita líquida consolidada somou R$ 5,566 bilhões, crescimento de 3% na comparação anual. Entretanto, o Ebitda ajustado recuou 12%, para R$ 1,856 bilhão.
A margem Ebitda ajustada passou de 39% para 33%, refletindo a pressão sobre a rentabilidade operacional da companhia.
Segundo o relatório de resultados, o desempenho foi afetado por custos mais elevados em determinadas operações, despesas com insumos e fretes e impactos das condições de mercado.
A dívida líquida encerrou setembro em R$ 23,977 bilhões, enquanto a alavancagem, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado, ficou em 3,3 vezes quando calculada em dólares.
Os resultados da Klabin acrescentam novos elementos à avaliação das companhias industriais negociadas na Bolsa, em um período marcado por custos financeiros elevados e maior cautela dos investidores.
Resultado das eleições mantém investidores cautelosos na Bolsa
A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva no domingo (25) continua influenciando as expectativas dos participantes do mercado acionário.
Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula recebeu 64.256.232 votos, correspondentes a 51,79% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro (PL-RJ) obteve 59.826.041 votos, equivalentes a 48,21%.
Desde a divulgação do resultado eleitoral, as negociações na B3 têm sido marcadas por oscilações expressivas e redução do apetite por ações consideradas mais sensíveis às condições macroeconômicas.
Entre os fatores observados pelos investidores estão a trajetória das contas públicas, as perspectivas de crescimento econômico e a possibilidade de alterações na condução da política fiscal a partir de 2027.
Também existe expectativa por definições sobre a composição da equipe econômica para o novo mandato presidencial.
A ausência de informações completas sobre as medidas que serão adotadas contribui para a volatilidade, mas a intensidade dos movimentos depende também de fatores específicos de cada empresa, do posicionamento dos investidores e das condições de liquidez da Bolsa.
Ibovespa hoje: o que pode influenciar o índice até o fechamento
O Ibovespa entra na segunda metade da manhã desta quarta-feira com pressão concentrada em ações de bancos, varejistas e empresas de grande participação no índice.
O desempenho de Santander, Itaú, Bradesco e Banco do Brasil permanece especialmente relevante para a direção do indicador, enquanto Petrobras e Vale podem ampliar ou reduzir o movimento conforme a evolução das negociações.
A temporada de resultados corporativos também poderá influenciar o comportamento das ações ao longo do pregão, à medida que investidores reavaliam projeções de lucros, margens e crescimento das companhias.
A divulgação de novos indicadores econômicos e os desdobramentos das discussões sobre a política fiscal brasileira são outros fatores que permanecem no radar do mercado.
A queda de 1,54%, registrada por volta das 10h27, levou o Ibovespa aos 173.007,45 pontos, abaixo do patamar de 174 mil pontos. O índice, porém, continua sujeito a oscilações durante a sessão, e seu desempenho final será definido apenas no encerramento das negociações.
Dados do Ibovespa e das ações atualizados até aproximadamente 10h33 de 28 de outubro de 2026. Os valores apresentados correspondem a cotações intradiárias e podem mudar durante o pregão.








