Novo pede impeachment e suspeição de Toffoli após revelação de mensagens com dono do Banco Master
O partido Novo anunciou nesta quinta-feira (12/2) que irá solicitar formalmente o impeachment e a suspeição do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão surge após novas informações envolvendo mensagens trocadas entre o ministro e Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, além de vínculos societários de Toffoli que levantam questionamentos sobre sua imparcialidade em processos relacionados à instituição financeira.
Motivos para o pedido de impeachment e suspeição
De acordo com o partido, o ministro Toffoli apresenta motivos claros para suspeição em casos envolvendo o Banco Master. O documento que fundamenta o pedido de impeachment será encaminhado ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), enquanto a solicitação de suspeição seguirá para análise da Procuradoria-Geral da República (PGR).
O Novo aponta que Toffoli possui participação societária na empresa Maridt, responsável pela venda de uma fração do resort Tayayá, no Paraná, para um fundo controlado pelo cunhado de Daniel Vorcaro. Além disso, as mensagens trocadas entre o ministro e o dono do Banco Master reforçam indícios de conflito de interesse, o que poderia comprometer a imparcialidade das decisões judiciais.
Interferência em investigações e decisões questionadas
O líder do Novo na Câmara, deputado federal Marcel van Hattem (Novo-RS), destacou que Toffoli tomou medidas que teriam prejudicado investigações em andamento. Entre as decisões questionadas estão:
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Imposição de sigilo absoluto em processos envolvendo o Banco Master;
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Retirada de acesso da CPMI do INSS a documentos fundamentais para apurações;
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Bloqueio do acesso da Polícia Federal a provas do inquérito;
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Requisição para que todos os celulares apreendidos, incluindo o de Vorcaro, fossem enviados diretamente ao gabinete do ministro;
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Escolha pessoal de peritos para análise de provas.
Van Hattem afirmou que as solicitações de impeachment e suspeição contam com apoio de diversas lideranças políticas no Congresso. Entre os parlamentares mencionados estão o líder da oposição na Câmara, Cabo Gilberto (PL-PB), o líder da minoria na Câmara, Gustavo Gayer (PL-GO), o líder da oposição no Senado, senador Rogério Marinho (PL-RN), além da senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e do senador Magno Malta (PL-ES).
Implicações políticas e jurídicas
O partido Novo argumenta que a atuação de Toffoli coloca em risco a credibilidade do STF e a imparcialidade em processos que envolvem grandes instituições financeiras. A legenda também ressaltou que o Supremo precisa de mecanismos de freio e fiscalização, citando, ainda, a necessidade de investigação sobre o ministro Alexandre de Moraes, cuja esposa mantém contrato milionário com o Banco Master.
“O Supremo Tribunal precisa de um freio. Não podemos deixar de mencionar o caso do ministro Alexandre de Moraes, cuja esposa tinha contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master e que também precisa ser devidamente investigada. Por isso, solicitamos à CPMI do INSS a convocação de Viviane Barci de Moraes para prestar esclarecimentos”, afirmou Van Hattem.
O contexto do Banco Master e as repercussões
O Banco Master tem sido foco de investigações recentes que envolvem irregularidades financeiras e possíveis conflitos de interesse. A atuação de ministros do STF em processos ligados à instituição tem levantado debates sobre transparência, governança e a necessidade de mecanismos que garantam a independência judicial.
Especialistas em direito constitucional afirmam que a tramitação de pedidos de impeachment e suspeição de ministros do STF é delicada, demandando análise criteriosa tanto do Senado quanto da PGR. A legislação prevê que ministros podem ser afastados ou considerados suspeitos quando há indícios de parcialidade que comprometam a integridade de decisões judiciais.
Próximos passos no Congresso e na PGR
Com o envio dos pedidos, caberá ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, avaliar a admissibilidade do processo de impeachment. Caso aceito, o caso seguirá para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e, posteriormente, para votação no plenário do Senado. Paralelamente, a Procuradoria-Geral da República analisará a suspeição do ministro Dias Toffoli, verificando se as evidências apresentadas pelo partido Novo configuram conflito de interesse suficiente para afastar o magistrado de processos específicos.
A movimentação política em torno do caso deve gerar debates intensos no Congresso e repercutir na imprensa nacional, à medida que parlamentares, juristas e especialistas em governança judicial acompanham de perto os desdobramentos.
Repercussão pública e expectativa da sociedade
O episódio levanta discussões sobre a independência do Poder Judiciário e a necessidade de transparência nas decisões que envolvem grandes bancos e instituições financeiras. A sociedade observa com atenção, sobretudo considerando que a atuação de ministros do STF pode afetar diretamente processos estratégicos e a credibilidade das investigações em curso.
A definição sobre os pedidos de impeachment e suspeição poderá estabelecer precedentes importantes para futuras ações envolvendo magistrados com conflitos de interesse e reforçar a necessidade de mecanismos de controle e responsabilização no âmbito do Supremo Tribunal Federal.









