PSOL formaliza pedido de impeachment de Tarcísio de Freitas na Alesp e intensifica crise institucional em SP
O cenário político em São Paulo se agravou com a formalização de um pedido de impeachment de Tarcísio de Freitas, atual governador do Estado, protocolado pela bancada do PSOL na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). A iniciativa surge em meio a um acirramento entre o governo estadual, o Judiciário brasileiro e interesses internacionais, especialmente relacionados às recentes declarações e ações do ex-presidente dos EUA, Donald Trump.
Segundo os parlamentares do PSOL, Tarcísio teria cometido crimes de responsabilidade ao apoiar publicamente medidas que colocam em risco a soberania nacional e ao tentar interceder em favor do ex-presidente Jair Bolsonaro, investigado por tentativa de golpe de Estado. A denúncia ainda aponta a tentativa de facilitar uma eventual fuga do ex-mandatário brasileiro.
Apoio a Trump e ataques ao STF pesam contra Tarcísio
A crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos ganhou novos contornos após o anúncio, por parte de Donald Trump, de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. Em vez de se posicionar em defesa dos interesses comerciais do Estado de São Paulo, Tarcísio de Freitas compartilhou publicamente uma carta de apoio a Trump. O documento, que ataca diretamente o Supremo Tribunal Federal (STF) e exige o fim do julgamento de Jair Bolsonaro, foi reproduzido nas redes sociais do governador, levantando questionamentos quanto à sua conduta institucional.
Esse ato foi entendido pelo PSOL como uma afronta à soberania nacional e um gesto de submissão a interesses estrangeiros, indo contra os princípios constitucionais e a diplomacia responsável. Segundo os autores do pedido de impeachment de Tarcísio de Freitas, o apoio ao tarifaço de Trump representa um grave prejuízo à economia paulista, que tem os Estados Unidos como seu maior parceiro comercial.
Exportações paulistas ameaçadas
O PSOL destaca que, em 2024, o Estado de São Paulo liderou as exportações brasileiras para os Estados Unidos, alcançando quase 14 bilhões de dólares. Isso representou mais de um terço de todas as exportações do Brasil ao país norte-americano. Ao não defender os interesses comerciais do Estado e, pior, apoiar o governo Trump em suas ações prejudiciais ao Brasil, Tarcísio teria colocado em risco milhares de empregos e a arrecadação estadual.
A bancada do PSOL afirma que a postura do governador representa uma quebra de decoro e a violação dos deveres de defesa dos interesses públicos, o que justificaria o processo de impeachment de Tarcísio de Freitas.
Tarcísio e a tentativa de intervir no STF
Outro ponto central do pedido de impeachment de Tarcísio de Freitas diz respeito à tentativa do governador de intervir diretamente no STF. Segundo o PSOL, Tarcísio encaminhou ao Supremo um pedido de liberação do passaporte de Jair Bolsonaro, para que o ex-presidente pudesse viajar aos Estados Unidos supostamente para negociar a suspensão das tarifas impostas por Trump.
A proposta foi duramente criticada por ministros da Corte, que a consideraram inapropriada e sem respaldo jurídico. A bancada do PSOL afirma que a tentativa de interceder em favor de Bolsonaro poderia configurar apoio a uma eventual fuga do país, já que o ex-presidente é alvo de investigações que podem culminar em sua responsabilização penal.
A articulação de Tarcísio, nesse contexto, é apontada como mais um exemplo de ataque à independência do Judiciário e de desrespeito às instituições democráticas.
PSOL sustenta que Tarcísio extrapolou os limites da liberdade de expressão
No pedido protocolado na Alesp, os deputados do PSOL reforçam que a liberdade de expressão não pode ser utilizada como justificativa para ações que comprometem o bem-estar da população brasileira, nem tampouco para apoio a iniciativas que afrontem o sistema judiciário.
Segundo os autores, a conduta de Tarcísio configura apoio tácito a uma agenda autoritária e antinacionalista, em consonância com interesses estrangeiros e políticos investigados por crimes contra a democracia.
Segunda tentativa de impeachment em menos de um mês
Vale lembrar que essa não é a primeira vez que a bancada do PSOL tenta responsabilizar Tarcísio por suas ações. No início de julho, a deputada Ediane Maria já havia protocolado outro pedido de impeachment de Tarcísio de Freitas, com base em declarações anteriores do governador, que teriam supostamente incitado a população contra o STF.
O novo pedido, contudo, amplia o escopo das denúncias e agrega elementos internacionais e econômicos, como o apoio declarado a Donald Trump em meio ao tarifaço que impacta diretamente a economia paulista.
Alesp será pressionada a decidir sobre o pedido
Com o pedido protocolado, a Assembleia Legislativa de São Paulo terá agora de decidir se dá prosseguimento ao processo de impeachment de Tarcísio de Freitas. A análise caberá inicialmente ao presidente da Casa, que poderá aceitar ou arquivar o pedido. Caso aceite, será criada uma comissão especial para analisar as acusações e emitir um parecer que será submetido ao plenário.
A base de apoio do governador na Alesp será fundamental para barrar ou viabilizar o avanço do processo. Por outro lado, a repercussão pública do caso tende a exercer pressão sobre os parlamentares, em especial diante da crescente polarização política no Estado e no país.
Impeachment de Tarcísio de Freitas pode redefinir cenário político nacional
O pedido de impeachment de Tarcísio de Freitas ultrapassa as fronteiras do Estado de São Paulo. Isso porque o governador é considerado uma das principais lideranças do campo conservador brasileiro e possível candidato à Presidência da República nas próximas eleições. Um eventual processo de impedimento poderia enfraquecer esse projeto político e alterar os rumos da disputa eleitoral de 2026.
Além disso, a movimentação do PSOL mostra que os partidos de esquerda estão atentos aos desdobramentos nacionais e prontos para atuar de forma estratégica nos legislativos estaduais, ampliando o alcance de suas pautas.
Embate entre legalidade e alinhamentos políticos
A solicitação de impeachment de Tarcísio de Freitas evidencia o delicado equilíbrio entre as responsabilidades de um governador estadual, os limites da liberdade de expressão e o dever de defender os interesses públicos. O apoio a medidas internacionais que prejudicam a economia local, aliado a tentativas de intervir no Judiciário em favor de aliados políticos, coloca em xeque a atuação institucional de Tarcísio.
Agora, cabe à Alesp analisar o pedido com responsabilidade e respeito ao devido processo legal, diante de um cenário que, mais uma vez, testa a resiliência das instituições democráticas brasileiras.






