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Inflação medida pelo IPCA desacelera em maio, mas pressiona Selic e economia

por Gabriel Monteiro
10/06/2025 às 11h35
em Economia
Inflação Medida Pelo Ipca Desacelera Em Maio, Mas Pressiona Selic E Economia - Gazeta Mercantil - Jornal De Economia

Inflação medida pelo IPCA desacelera em maio e pressiona política monetária do Banco Central

Índice de inflação oficial do Brasil mostra sinais de arrefecimento, mas segue acima do teto da meta

A inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) vem sendo acompanhada com lupa por analistas, economistas e investidores, principalmente após sinais de desaceleração em meio a um cenário macroeconômico desafiador. De acordo com projeções de mercado, o índice de inflação de maio deve registrar alta de 0,34%, abaixo dos 0,43% verificados em abril. Apesar da desaceleração, o IPCA ainda se mantém acima do teto da meta anual, estabelecido em 4,5%.

O comportamento da inflação é um dos principais determinantes da política monetária no Brasil. Com o IPCA pressionado, o Banco Central tem mantido a taxa básica de juros (Selic) em 14,75% ao ano — o maior patamar desde 2006 — numa tentativa drástica de conter a alta de preços e ancorar as expectativas inflacionárias.

Leia também: Economistas reduzem projeção de inflação para 2026 antes do IPCA, aponta Boletim Focus.

Pressão dos alimentos diminui e passagens aéreas registram deflação

Segundo estimativas de instituições financeiras e consultorias econômicas, o alívio inflacionário em maio está relacionado principalmente à desaceleração dos preços dos alimentos, que vinham sendo os grandes vilões da inflação nos meses anteriores. Além disso, espera-se uma deflação nas passagens aéreas, que tradicionalmente sofrem variações sazonais.

Esse recuo no IPCA de maio é visto com alívio pelo mercado, mas não altera de imediato a necessidade de juros elevados, considerando que a inflação acumulada em 12 meses ainda está acima do centro da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Leia também: Tesouro Direto hoje: IPCA+ 2032 paga 8,08% mais inflação nesta segunda (10).

Política monetária: Selic elevada e desafios fiscais à vista

A inflação medida pelo IPCA continua influenciando diretamente as decisões de política monetária. Com a Selic projetada para se manter em 14,75% até o fim de 2025, segundo o Boletim Focus, o Brasil vive um dos ciclos mais prolongados de aperto monetário em sua história recente. Essa taxa é considerada “draconiana” por alguns analistas, uma vez que encarece o crédito, impacta a atividade econômica e aumenta os custos de financiamento do setor produtivo.

Ao mesmo tempo, o governo enfrenta uma difícil equação fiscal. A proposta de aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), discutida recentemente, gera reações negativas no mercado, pois pode onerar ainda mais as transações financeiras em um momento de baixo crescimento. A combinação entre juros altos e incertezas fiscais tem sido responsável por pressionar o Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira.

IPCA e expectativas para o segundo semestre

Embora o alívio inflacionário em maio represente uma boa notícia para o curto prazo, os desafios permanecem para o segundo semestre. O comportamento do câmbio, os efeitos climáticos sobre safras agrícolas e os desdobramentos da política fiscal são variáveis que ainda podem influenciar a inflação medida pelo IPCA nos próximos meses.

O segundo semestre também tende a trazer maior volatilidade nos preços administrados, como energia elétrica e combustíveis, o que pode reverter parte da desaceleração observada em maio. Portanto, o controle da inflação exige atenção contínua, sobretudo em um ambiente internacional instável.

Mercado internacional: EUA e China retomam negociações

O cenário global também exerce influência sobre o comportamento da inflação no Brasil. Nos Estados Unidos e China, as tensões comerciais continuam gerando incertezas. Nesta terça-feira, representantes dos dois países retomam as negociações em Londres, buscando um acordo para atenuar os conflitos tarifários que vêm afetando o comércio global.

O presidente americano afirmou que os relatórios apontam progresso nas conversas, embora tenha mantido o tom crítico em relação à China. A ausência de uma agenda econômica forte no exterior amplia a atenção dos mercados sobre o desdobramento dessas negociações, que podem impactar diretamente os preços das commodities e, por consequência, a inflação medida pelo IPCA no Brasil.

Incertezas fiscais e o impacto no comportamento do mercado

No plano interno, os investidores seguem atentos às movimentações do governo para cobrir o aumento das despesas públicas. A busca por novas receitas e a possibilidade de mais tributos geram receios entre agentes econômicos. O mercado reage com cautela a essas sinalizações, enquanto o Ibovespa opera com volatilidade, refletindo o ambiente de incerteza.

Além disso, a agenda de hoje conta com eventos importantes. O IBGE divulga o IPCA de maio às 9h, e outras autoridades econômicas, como Galípolo (Banco Central), Dario Durigan (Ministério da Fazenda) e Rogério Lucca (Banco Central), participam de palestras e audiências públicas, o que pode trazer novidades relevantes ao mercado.

Expectativa de inflação e credibilidade do Banco Central

Um dos maiores desafios enfrentados pelo Banco Central é manter a credibilidade diante da pressão inflacionária persistente. A inflação medida pelo IPCA ainda mostra resistência em retornar ao centro da meta, o que limita o espaço para cortes na Selic, mesmo diante de uma economia que cresce lentamente.

A autoridade monetária tem reforçado a importância do compromisso com o regime de metas de inflação. A postura firme na condução da política monetária é fundamental para alinhar as expectativas e evitar uma espiral de preços.

Selic alta: alívio ou obstáculo?

Embora necessária para o controle da inflação, a Selic em 14,75% gera impactos colaterais. O custo elevado do crédito dificulta o investimento e o consumo, podendo enfraquecer ainda mais a economia. Com isso, cresce o debate entre economistas sobre o momento ideal para iniciar um ciclo de flexibilização monetária.

Contudo, com a inflação medida pelo IPCA ainda acima do teto da meta, o Banco Central dificilmente se moverá sem sinais concretos de desinflação sustentada. A decisão requer cautela, pois movimentos prematuros podem comprometer o combate à inflação.

Inflação sob controle ainda é desafio

O comportamento da inflação medida pelo IPCA em maio é um sinal positivo, mas não suficiente para mudar o rumo da política monetária. O cenário continua delicado, com pressões fiscais internas, incertezas externas e uma economia que cresce com dificuldade. O Banco Central permanece vigilante, priorizando o controle da inflação mesmo ao custo de manter os juros em níveis elevados.

A trajetória futura da inflação dependerá não apenas dos dados econômicos, mas também da atuação coordenada entre política monetária, fiscal e estrutural. O alívio recente é bem-vindo, mas não representa o fim da batalha contra a inflação.

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