Investimento em IA no Brasil deve alcançar R$ 23 bilhões até 2028 e transformar setores estratégicos
Um marco na transformação digital brasileira
O governo federal anunciou um plano robusto para alavancar a inovação tecnológica: R$ 23 bilhões em investimento em IA no Brasil até 2028. O objetivo é fortalecer áreas-chave como saúde, educação, segurança pública e agricultura, colocando o país em posição estratégica no cenário global de inteligência artificial.
Além do aporte financeiro, o avanço do marco legal da IA no Congresso busca criar um ambiente regulatório que garanta uso ético, transparente e responsável. O alinhamento entre recursos e regulação pode consolidar o Brasil como referência na adoção de inteligência artificial, mas especialistas alertam que a ausência de liderança estratégica pode comprometer o impacto esperado.
IA como motor de transformação em setores estratégicos
A aplicação da inteligência artificial está deixando de ser tendência para se tornar um pilar de competitividade. Com o investimento previsto, o Brasil pretende acelerar inovações em setores decisivos:
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Saúde: sistemas de IA podem otimizar diagnósticos, reduzir filas, melhorar a gestão hospitalar e ampliar a telemedicina.
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Educação: uso de IA para personalizar o ensino, criar conteúdos adaptativos e reduzir desigualdades no aprendizado.
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Segurança pública: algoritmos de análise preditiva podem ajudar a identificar padrões criminais, ampliar monitoramento e aumentar a eficiência das forças policiais.
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Agricultura: inteligência artificial aplicada ao agronegócio pode impulsionar produtividade, prever safras e melhorar o uso sustentável dos recursos naturais.
Esse direcionamento coloca o investimento em IA no Brasil como estratégia para aumentar a eficiência e modernizar serviços essenciais.
A importância do marco legal da IA
Paralelamente ao aporte financeiro, o marco legal da inteligência artificial em discussão no Congresso será determinante para a adoção responsável da tecnologia. O texto prevê regras de governança, segurança de dados e limites éticos para algoritmos, garantindo que o avanço tecnológico respeite os direitos fundamentais.
Um arcabouço regulatório sólido também aumenta a confiança de investidores e empresas, estimulando parcerias internacionais e ampliando a competitividade do país.
O papel das empresas no investimento em IA no Brasil
Segundo levantamento da FGVcia, cerca de 80% das empresas brasileiras já utilizam IA generativa, mas em 75% dos casos o uso ainda é incipiente, restrito a experimentos ou funções pontuais. Isso revela que há espaço significativo para amadurecimento.
As ferramentas mais populares atualmente são:
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Microsoft Copilot – utilizado por 40% das empresas.
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ChatGPT – presente em 32% das organizações.
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Google Gemini – adotado por 20%.
Esses números refletem a rápida adesão à tecnologia, mas também mostram o desafio de transformar dados em inteligência estratégica, indo além da simples operação de softwares.
O destaque do Brasil no uso individual de IA
No consumo individual, o Brasil se destaca no uso da IA generativa. De acordo com pesquisa da Ipsos em parceria com o Google, 54% dos brasileiros utilizaram alguma ferramenta de IA em 2024, acima da média global de 48%.
esse engajamento revela a familiaridade crescente da população com tecnologias emergentes e indica um terreno fértil para ampliar a aplicação da IA em serviços públicos e privados.
Formação de lideranças em IA: o desafio invisível
Especialistas apontam que o grande diferencial do investimento em IA no Brasil não será apenas a alocação de recursos, mas a formação de lideranças capazes de transformar dados em resultados concretos.
A escassez de profissionais qualificados em ciência de dados, engenharia de IA e gestão estratégica pode limitar os impactos positivos da tecnologia. Portanto, programas de capacitação, parcerias entre universidades e empresas, e estímulos à pesquisa científica serão essenciais para consolidar a inteligência artificial como motor de desenvolvimento nacional.
IA e a competitividade internacional
Com um plano de R$ 23 bilhões até 2028, o Brasil busca não apenas acompanhar, mas também competir com países que já lideram o desenvolvimento da IA, como Estados Unidos, China e membros da União Europeia.
A consolidação de um ecossistema de inovação nacional pode atrair investimentos estrangeiros, fomentar startups e impulsionar parcerias tecnológicas globais. Essa movimentação é estratégica para reduzir a dependência de tecnologias importadas e aumentar a soberania digital do país.
Sinergia com outros investimentos em ciência e tecnologia
O anúncio do plano de IA ocorre em paralelo a outros investimentos importantes em pesquisa. Um exemplo é a criação do Centro Científico e Cultural da Urca, no Rio de Janeiro, que receberá R$ 200 milhões para pesquisas em minerais críticos e petróleo.
Essa estratégia integrada mostra que o Brasil pretende alinhar inteligência artificial, energia e recursos naturais em uma agenda de inovação ampla, conectando diferentes frentes de desenvolvimento científico.
Perspectivas para os próximos anos
Se bem estruturado, o plano de investimento em IA no Brasil pode gerar ganhos expressivos de produtividade, redução de custos em políticas públicas e criação de novos modelos de negócios.
No entanto, o sucesso dependerá de fatores como:
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Efetividade na aplicação dos recursos.
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Formação de profissionais especializados.
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Avanço regulatório consistente.
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Cooperação entre governo, setor privado e academia.
Com a combinação desses elementos, a inteligência artificial poderá transformar o Brasil em referência na América Latina e ampliar sua relevância no mercado global de tecnologia.






