IPCA-15 de agosto deve registrar 1ª deflação desde 2023: veja impactos na economia
O IPCA-15 de agosto de 2025 deve surpreender ao registrar a primeira deflação desde julho de 2023. Analistas do mercado financeiro projetam que a prévia da inflação oficial apresente variação negativa no mês, resultado de quedas em alimentos, energia elétrica e combustíveis. Caso confirmado, o dado será divulgado nesta terça-feira (26) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A expectativa reforça a percepção de que a inflação segue em trajetória de desaceleração, o que pode influenciar as projeções do Boletim Focus e as futuras decisões de política monetária do Banco Central.
IPCA-15: projeções do mercado para agosto
Economistas de diferentes instituições financeiras estimam um recuo significativo no IPCA-15 de agosto. A Ativa Investimentos calcula uma deflação de 0,15%, enquanto a Warren Investimentos projeta queda de 0,22%.
De acordo com os levantamentos, os principais grupos a puxar a variação negativa serão:
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Alimentação e bebidas: -0,80%
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Habitação: -2,60%
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Transportes: -0,41%
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Vestuário: -0,65%
Por outro lado, eletroeletrônicos (+0,15%) e serviços (+0,36%) devem apresentar variações positivas.
Energia elétrica e o “bônus de Itaipu”
Um dos maiores fatores de pressão para baixo no IPCA-15 de agosto é a queda projetada de 6,75% nas tarifas de energia elétrica. O movimento ocorre devido ao chamado “bônus de Itaipu”, concedido às famílias como resultado de saldo positivo na comercialização de energia da usina. Em média, cada fatura receberá desconto de R$ 11,59, o que deve impactar fortemente o grupo de habitação no índice.
Gasolina e transportes em queda
O grupo de transportes também deve contribuir para a deflação do IPCA-15. A gasolina, que já vinha apresentando quedas consecutivas nos últimos meses, deve registrar novo recuo em torno de -0,65%. Além disso, o início da política de IPI Verde deve colaborar para reduzir custos em alguns produtos relacionados ao setor.
Alimentos e bebidas em destaque
A redução no preço dos alimentos segue como outro fator determinante para o resultado do IPCA-15. Entre os itens que devem apresentar recuo, destacam-se:
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Leguminosas: -2,67%
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Arroz: -3,0%
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Feijão: -1,75%
O grupo já havia registrado variação negativa de 0,44% em julho, puxado principalmente pelos alimentos in natura, que vêm apresentando quedas expressivas desde maio.
Meta de inflação e contexto do IPCA-15
O centro da meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para 2025 é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Apesar da deflação esperada no IPCA-15 de agosto, a taxa acumulada em 12 meses ainda está em 4,88%, acima do teto de 4,5%.
Em julho, o índice havia registrado alta de 0,33%, mostrando que a trajetória de queda vem se consolidando ao longo do segundo semestre.
Última deflação no IPCA-15
A última vez que o IPCA-15 registrou variação negativa foi em julho de 2023, quando o índice caiu 0,07%. Na ocasião, a baixa foi explicada por recuo no grupo de alimentos e bebidas (-0,44%) e em vestuário (-0,08%).
O histórico mostra que deflações no IPCA-15 são raras e, geralmente, associadas a fatores sazonais ou medidas pontuais, como bônus tarifários ou choques de oferta em determinados produtos.
Impactos econômicos da deflação no IPCA-15
A possibilidade de deflação no IPCA-15 de agosto traz implicações importantes:
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Expectativas de inflação: a projeção do Boletim Focus já vem recuando, com a estimativa para 2025 caindo de 4,95% para 4,86%.
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Política monetária: um índice mais fraco pode aumentar a pressão para que o Banco Central inicie cortes na taxa Selic mais cedo.
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Mercado financeiro: a deflação reforça o otimismo dos investidores, que já precificam maior espaço para quedas nos juros.
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Consumo: preços mais baixos em energia, alimentos e combustíveis aliviam o orçamento das famílias, podendo estimular o consumo no curto prazo.
O que esperar daqui para frente
Embora a expectativa para o IPCA-15 de agosto seja de deflação, analistas alertam que o fenômeno deve ser pontual. A redução dos preços está ligada a fatores específicos, como o bônus de Itaipu e a queda da gasolina. A tendência de médio prazo ainda é de inflação controlada, mas acima do centro da meta.
O comportamento dos preços dos serviços, que seguem em alta, será determinante para o rumo da política monetária. Esse grupo reflete mais diretamente o aquecimento do mercado de trabalho e da demanda doméstica.
O IPCA-15 de agosto deve marcar a primeira deflação desde 2023, reforçando a percepção de que a inflação segue perdendo força no Brasil. Com quedas expressivas em energia elétrica, combustíveis e alimentos, o resultado pode abrir espaço para revisões nas expectativas de mercado e aumentar as discussões sobre os próximos passos da política monetária.
Ainda assim, os economistas ressaltam que se trata de um movimento pontual, e que o desafio de manter a inflação próxima ao centro da meta permanece para os próximos meses.






