Jeffrey Epstein tem CPF ativo no Brasil, revelam documentos dos EUA
Documentos recentemente divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos revelam que o bilionário Jeffrey Epstein, acusado de tráfico sexual de menores e outros crimes graves, possui CPF ativo no Brasil. A descoberta foi registrada em arquivos classificados como “Arquivos diversos” e reforça a complexidade internacional do caso, envolvendo não apenas os Estados Unidos, mas também implicações jurídicas no Brasil.
O CPF brasileiro de Epstein foi inscrito na Receita Federal em 2003 e permanece em situação regular, conforme consulta realizada em fevereiro de 2026. A informação inclui a data de nascimento do bilionário, 20 de janeiro de 1953, e demonstra que a inscrição de estrangeiros no cadastro de pessoas físicas do Brasil é possível, desde que realizada pessoalmente ou por meio de procurador legalmente autorizado.
Estrangeiros e o CPF brasileiro
A Receita Federal permite que pessoas sem residência no Brasil solicitem a inscrição no CPF, conforme previsto na Instrução Normativa 2.172/2024. No caso de pessoas falecidas, como Jeffrey Epstein, medidas relativas ao CPF só podem ser requeridas por inventariante, cônjuge, companheiro, parente ou beneficiário de pensão previdenciária, caso haja bens a inventariar no Brasil.
A existência do CPF ativo de Epstein levanta questões sobre movimentações financeiras internacionais e eventuais bens que o bilionário poderia ter registrado no Brasil, especialmente considerando o valor de seu patrimônio, estimado em mais de US$ 577 milhões no momento de sua morte em 2019.
Conversas sobre cidadania brasileira
Arquivos divulgados também revelam que Epstein discutiu a possibilidade de obter cidadania brasileira. Em troca de e-mails com a empresária alemã Nicole Junkermann, datada de outubro de 2011, o bilionário considerou a alternativa, mas apontou que vistos poderiam dificultar viagens a outros países. O encontro teria ocorrido no Ritz, hotel de luxo da rede The Ritz-Carlton.
A discussão sobre cidadania reforça o interesse de Epstein em manter vínculos internacionais, ampliando sua rede de conexões e potencialmente facilitando movimentações financeiras ou jurídicas fora dos Estados Unidos.
Histórico do caso Epstein
Jeffrey Epstein esteve no centro de um dos maiores escândalos de exploração sexual de menores da história recente. As primeiras investigações ocorreram em 2005, em Palm Beach, na Flórida, após denúncias de abuso sexual de menores. Epstein alegou que os encontros foram consensuais e que acreditava que as vítimas tinham 18 anos.
Entre 2002 e 2005, segundo a acusação, Epstein pagava centenas de dólares para que meninas menores de idade realizassem atos sexuais em suas propriedades, recrutando ainda outras garotas para expandir a rede de exploração. Mais de 250 menores foram vítimas de seus crimes, conforme apontou o governo dos Estados Unidos.
Em 2008, ele se declarou culpado pelo crime de exploração de menores, cumpriu 13 meses de prisão e pagou indenizações às vítimas. O acordo foi considerado ilegal em 2019, quando Epstein foi novamente preso e formalmente acusado de abuso de menores e operação de rede de exploração sexual.
Morte e legado judicial
Epstein foi encontrado morto em agosto de 2019, com a autópsia indicando suicídio. Dois dias antes de sua morte, assinou um testamento deixando patrimônio estimado em mais de US$ 577 milhões. Após o falecimento, as acusações foram retiradas contra ele, mas procuradores continuam investigando outras pessoas possivelmente envolvidas no esquema, e advogados das vítimas buscam indenizações em tribunais internacionais.
A existência do CPF ativo no Brasil insere o país em uma trama internacional, com potenciais implicações sobre bens e ativos que o bilionário poderia ter registrado legalmente. Isso reforça o impacto global do caso Epstein, que transcende fronteiras e evidencia a necessidade de colaboração entre autoridades para rastrear patrimônios e responsabilidades jurídicas.
Implicações para o Brasil
Embora Epstein nunca tenha residido no Brasil, a presença de seu CPF ativo no país sugere a possibilidade de movimentações financeiras ou registro de bens, tornando a Receita Federal e o sistema jurídico brasileiros potenciais atores no acompanhamento de heranças ou medidas judiciais relacionadas ao patrimônio deixado.
Especialistas apontam que a inscrição de estrangeiros no CPF brasileiro é prática comum para investidores e pessoas com interesses econômicos no país, mas que o caso de Epstein ganha relevância por seu histórico criminal e pela magnitude do patrimônio envolvido.
Desdobramentos internacionais
A divulgação de mais de três milhões de arquivos pelo Departamento de Justiça dos EUA reforça a magnitude do caso e evidencia que o combate a redes internacionais de exploração sexual envolve múltiplas jurisdições, incluindo Estados Unidos, Caribe, Europa e Brasil. A cooperação internacional será fundamental para assegurar que eventuais bens ou ativos relacionados a crimes possam ser identificados e utilizados para reparação das vítimas.
O caso também levanta questões sobre a responsabilidade de instituições financeiras, agentes legais e órgãos reguladores internacionais, dada a complexidade de rastrear patrimônio, movimentações financeiras e registros em diferentes países.
Reflexos no sistema de justiça e proteção de vítimas
O escândalo Epstein reforça a importância da legislação internacional para proteção de menores e a necessidade de transparência em registros de CPF, heranças e ativos. No Brasil, órgãos como a Receita Federal e o Judiciário podem ter papel relevante na fiscalização de patrimônios de estrangeiros, especialmente em casos de grande repercussão e impacto social.
A identificação do CPF de Epstein no Brasil também reforça discussões sobre prevenção e rastreio de crimes financeiros e de exploração sexual, conectando esforços de regulação, justiça e proteção de vítimas em âmbito global.
O legado do caso Epstein
Jeffrey Epstein deixou um legado de debates sobre responsabilidade corporativa, atuação judicial e cooperação internacional no combate à exploração sexual de menores. A existência de seu CPF ativo no Brasil adiciona um novo capítulo ao caso, destacando como países podem ser indiretamente envolvidos em esquemas internacionais devido a vínculos legais e fiscais.
Mesmo após sua morte, o nome de Epstein continua a gerar repercussão jurídica, social e midiática, ilustrando como crimes de grande escala ultrapassam fronteiras e desafiam sistemas legais nacionais. O acompanhamento do patrimônio, a investigação de associados e a cooperação internacional permanecem centrais para a justiça e para a reparação das vítimas.









