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Jorge Kajuru deixa a política após diagnóstico de Parkinson e recusa eleições

por Carlos Menezes
28/01/2026 às 10h41
em Política
Jorge Kajuru Deixa A Política Após Diagnóstico De Parkinson E Recusa Eleições - Gazeta Mercantil

Jorge Kajuru anuncia saída definitiva da política após diagnóstico de Parkinson e prioriza saúde

O cenário político nacional e, especificamente, o quadro de representatividade do estado de Goiás no Congresso Nacional, sofreu um abalo sísmico nesta semana. O senador Jorge Kajuru (PSB-GO), uma das figuras mais vocais e midiáticas do parlamento brasileiro, anunciou oficialmente o seu afastamento da vida política. A decisão, comunicada em entrevista ao jornal goiano O Popular na última segunda-feira (26), não se trata de uma manobra eleitoral, mas de uma necessidade imposta pela vida: Jorge Kajuru revelou ter sido diagnosticado com a doença de Parkinson.

A notícia reverbera nos corredores de Brasília e altera as articulações para as próximas eleições, uma vez que o senador era cotado para disputas importantes, inclusive em outros estados. No entanto, o diagnóstico recebido em dezembro do ano passado forçou Jorge Kajuru a reavaliar suas prioridades, colocando o bem-estar físico e mental acima das demandas partidárias e da rotina extenuante do Legislativo.

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O Diagnóstico de Parkinson e a mudança de rota

A revelação de Jorge Kajuru traz à tona a fragilidade humana por trás das figuras públicas. O diagnóstico de Parkinson, uma doença degenerativa do sistema nervoso central, crônica e progressiva, foi mantido em sigilo pelo parlamentar desde o final de 2025. Até a entrevista concedida nesta semana, Jorge Kajuru havia optado pela discrição, iniciando o tratamento longe dos holofotes.

A decisão de tornar pública a condição de saúde coincide com o momento de definições partidárias para o pleito que se aproxima. Ao expor sua situação, Jorge Kajuru encerra especulações e justifica sua recusa em participar da corrida por uma cadeira na Câmara dos Deputados, movimento que vinha sendo desenhado pela cúpula do Partido Socialista Brasileiro (PSB). O senador foi categórico ao afirmar que a política “não o atrai mais em nada”, uma frase que denota não apenas o peso da doença, mas também um possível desencanto ou exaustão com a dinâmica do poder em Brasília.

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Para Jorge Kajuru, o momento exige foco total no tratamento e na manutenção da qualidade de vida. A doença de Parkinson exige acompanhamento médico rigoroso, fisioterapia e medicação constante para controlar sintomas como tremores, lentidão de movimentos e rigidez muscular. A rotina de um senador da República, marcada por viagens constantes entre Goiânia e Brasília, sessões noturnas e o estresse inerente às comissões e articulações, tornou-se incompatível com as necessidades atuais de saúde de Jorge Kajuru.

As pressões do PSB e a recusa da candidatura em São Paulo

Antes do anúncio derradeiro, Jorge Kajuru estava no centro de uma estratégia eleitoral ambiciosa do PSB. Interlocutores da legenda, incluindo o ministro do Empreendedorismo, Márcio França, viam no senador um “puxador de votos” ideal para a chapa de deputados federais pelo estado de São Paulo. A lógica partidária era clara: aproveitar a origem paulista de Jorge Kajuru e sua alta visibilidade nacional para alavancar a bancada socialista no maior colégio eleitoral do país.

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O senador admitiu que a possibilidade foi colocada à mesa. Segundo Jorge Kajuru, a conversa com Márcio França existiu e a ideia de transferir seu domicílio eleitoral ou focar sua campanha em São Paulo foi debatida. O parlamentar reconheceu ter “boa aceitação” entre o eleitorado paulista, fruto de sua longa carreira como jornalista esportivo em emissoras de alcance nacional sediadas na capital paulista. Contudo, a vontade pessoal de Jorge Kajuru e, agora, o imperativo de sua saúde, falaram mais alto.

Jorge Kajuru deixou claro que, se ainda tivesse disposição para continuar na vida pública, sua lealdade estaria com o eleitorado que o consagrou senador: o povo de Goiás. Ele afirmou que, caso permanecesse na política, disputaria cargos pelo estado do Centro-Oeste, refutando a ideia de se tornar um “candidato paraquedista” em São Paulo apenas para atender aos anseios de quociente eleitoral do partido. A recusa de Jorge Kajuru obriga o PSB a redesenhar sua estratégia para a Câmara, perdendo um nome de peso e apelo popular.

Histórico de saúde: Uma batalha contínua

O diagnóstico de Parkinson é o capítulo mais recente de uma série de desafios de saúde enfrentados por Jorge Kajuru ao longo de seu mandato no Senado Federal. A decisão de se afastar não ocorre em um vácuo, mas é o cume de um processo de desgaste físico acumulado.

Em 2019, logo em seu primeiro ano de mandato no Senado, Jorge Kajuru passou por uma cirurgia delicada para a retirada de um tumor no pâncreas. A recuperação exigiu cuidados, mas o senador retornou às atividades com a combatividade habitual. Além disso, o parlamentar convive com o diabetes, uma condição que por si só exige monitoramento constante e disciplina alimentar e medicamentosa, fatores muitas vezes difíceis de manter na rotina caótica do Congresso.

Mais recentemente, em 2025, o corpo de Jorge Kajuru voltou a dar sinais de alerta. O senador precisou se licenciar do mandato por 30 dias para tratar de um quadro complexo que envolvia insônia severa, depressão, fraqueza muscular e a presença de pólipos no intestino. Esse afastamento temporário já sinalizava que a saúde do parlamentar estava no limite. A insônia e a depressão, frequentemente associadas ou exacerbadas pelo ambiente de alta pressão da política, debilitaram a resistência de Jorge Kajuru, preparando o terreno para a decisão definitiva anunciada agora após a confirmação do Parkinson.

Atuação parlamentar e críticas ao funcionamento do Congresso

Mesmo com a saúde fragilizada, a passagem de Jorge Kajuru pelo Senado foi marcada por uma atuação intensa e, muitas vezes, polêmica. O senador nunca se furtou a criticar os próprios pares e a dinâmica de trabalho da Casa. Em 2024, por exemplo, Jorge Kajuru foi uma das vozes mais críticas em relação ao “excesso de folgas” e dias sem atividade deliberativa no Congresso Nacional.

Um episódio marcante dessa postura combativa ocorreu durante a organização da Cúpula dos Parlamentares do G20 (P-20), realizada em novembro. Na ocasião, Jorge Kajuru reclamou publicamente que a agenda do evento internacional estava comprometendo o andamento dos trabalhos legislativos essenciais, especificamente a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Manipulação de Jogos e Apostas Esportivas.

Como presidente dessa CPI, Jorge Kajuru estava profundamente envolvido na investigação de esquemas de fraudes no futebol brasileiro, um tema que une sua expertise original no jornalismo esportivo com sua função fiscalizadora como parlamentar. A preocupação de Jorge Kajuru com a paralisia das sessões demonstrava seu compromisso com a entrega de resultados, mesmo diante das adversidades. Sua saída deixa uma lacuna em comissões importantes e retira do plenário um senador que, independentemente de concordâncias ideológicas, sempre cobrou assiduidade e produtividade de seus colegas.

O legado de Jorge Kajuru: Do jornalismo esportivo à política

A trajetória de Jorge Kajuru é sui generis na política brasileira. Antes de adentrar a arena legislativa, ele construiu uma carreira sólida e controversa como jornalista esportivo. Conhecido por não ter “papas na língua”, Jorge Kajuru levou esse mesmo estilo para a vida pública. Sua transição do microfone para a tribuna foi validada por votações expressivas, demonstrando uma conexão real com uma parcela significativa do eleitorado indignada com a política tradicional.

Sua entrada na política eleitoral ocorreu em Goiânia, onde foi eleito vereador com a maior votação da história do município até aquele momento. Esse capital político foi catapultado em 2018, quando Jorge Kajuru se elegeu senador por Goiás com mais de 1,5 milhão de votos, derrotando caciques tradicionais da política estadual. Essa votação massiva conferiu a ele uma legitimidade que poucos parlamentares de primeiro mandato possuem.

Durante seus anos no Senado, Jorge Kajuru manteve-se fiel ao estilo que o elegeu: denúncias, uso intenso das redes sociais para se comunicar diretamente com o eleitor e rompimentos com aliados quando julgava necessário. Sua saída marca o fim de um ciclo para o eleitor de protesto em Goiás. O afastamento de Jorge Kajuru levanta questões sobre quem herdará esse espólio eleitoral difuso, que não é necessariamente fiel a partidos (como o PSB), mas sim à postura anti-establishment que o senador encarnava.

Impacto no PSB e no cenário de Goiás

A decisão de Jorge Kajuru de comunicar oficialmente sua saída ao PSB nesta semana obriga a legenda a uma reengenharia política. Em Goiás, o partido perde sua maior vitrine nacional. Sem Jorge Kajuru na disputa, seja para o governo, senado ou câmara, o PSB goiano perde poder de barganha nas negociações de coligações para as próximas eleições majoritárias e proporcionais.

Para o governo de Goiás e para as vagas ao Senado que estarão em disputa no futuro, a ausência de Jorge Kajuru reacomoda as forças da direita e da centro-esquerda no estado. O senador, embora filiado a um partido socialista, sempre teve um perfil independente que atraía votos de diversos espectros ideológicos. Sua retirada abre espaço para novos outsiders ou permite a recuperação de terreno por políticos tradicionais que eram alvos constantes das críticas de Jorge Kajuru.

Além disso, a recusa em concorrer por São Paulo frustra os planos de expansão do PSB no Sudeste. A figura de Jorge Kajuru era vista como um catalisador capaz de atrair votos de opinião e ajudar a eleger uma bancada maior, fundamental para o acesso ao fundo partidário e tempo de televisão. Sem ele, a chapa de deputados em SP precisará encontrar outro nome com capacidade de furar a bolha da polarização.

A priorização da vida sobre o poder

A análise da decisão de Jorge Kajuru sob a ótica da Gazeta Mercantil revela também uma mudança de paradigma na relação entre políticos e suas carreiras. Frequentemente, observa-se parlamentares em idade avançada ou com saúde debilitada insistindo na manutenção de seus cargos. A atitude de Jorge Kajuru de “sair de cena” para cuidar de si mesmo é um gesto raro de reconhecimento de limites.

Ao afirmar que priorizará a saúde em detrimento dos desejos do Partido Socialista Brasileiro, Jorge Kajuru envia uma mensagem sobre a finitude e a importância da qualidade de vida. O Parkinson, embora controlável, exige uma rotina regrada que o ritmo frenético de Brasília não permite. A insônia e a depressão, citadas em seu histórico médico de 2025, são agravantes que tornam a aposentadoria política não apenas uma opção, mas uma necessidade de sobrevivência.

O senador Jorge Kajuru deixa a política sem ter completado todos os projetos que talvez almejasse, mas sai com a integridade de quem soube a hora de parar. O tratamento do Parkinson, iniciado em dezembro, será agora o foco central de sua agenda.

O futuro sem Jorge Kajuru no Congresso

O Congresso Nacional perde um de seus comunicadores mais eficazes. A capacidade de Jorge Kajuru de traduzir o “politiquês” para a linguagem popular e de pautar a imprensa com suas declarações fará falta no debate público. A CPI da Manipulação de Jogos e Apostas Esportivas, um de seus últimos grandes atos, trouxe luz a um problema real do esporte brasileiro, mostrando que sua atuação legislativa ia além da retórica.

Resta saber como será a transição. Jorge Kajuru afirmou que comunicará a decisão ao partido, mas os trâmites legais de seu afastamento — se haverá renúncia imediata, licença prolongada ou apenas a conclusão do mandato atual sem tentativa de reeleição — ditarão o ritmo da sucessão de sua cadeira ou a vacância temporária. O fato concreto é que o nome Jorge Kajuru não estará nas urnas na próxima eleição.

A política de Goiás e do Brasil perde um personagem singular. O diagnóstico de Parkinson encerra a carreira eletiva de Jorge Kajuru, mas sua trajetória de mais de 1,5 milhão de votos e sua passagem turbulenta e marcante pelo Senado já estão registradas na história política recente do país. Agora, o cidadão Jorge assume o lugar do senador, com o desafio de enfrentar uma doença complexa com a mesma tenacidade que dedicou à vida pública.

O anúncio de Jorge Kajuru serve como um lembrete sóbrio das prioridades humanas. Diante de um diagnóstico de Parkinson e um histórico de lutas contra o câncer e a depressão, o senador optou pela vida. A política, com suas demandas infinitas e pressões partidárias, cede espaço para a saúde. O PSB perde um quadro valioso, Goiás perde seu senador mais votado, mas Jorge Kajuru ganha a chance de lutar sua batalha mais importante longe da tribuna, mas com a torcida de seus eleitores por sua recuperação e bem-estar.

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