A Log-In Logística Integrada (LOGN3) registrou prejuízo líquido de R$ 37,9 milhões no primeiro trimestre de 2026, revertendo lucro de R$ 26,5 milhões apurado no mesmo período do ano anterior, em um balanço pressionado por custos maiores, queda de margem e recuo na Navegação Costeira. O Ebitda ajustado somou R$ 106,6 milhões, baixa de 30,4% em 12 meses, enquanto a receita operacional líquida ficou praticamente estável, em R$ 680,1 milhões.
O resultado mostra uma piora relevante na rentabilidade da Log-In (LOGN3), mesmo com desempenho positivo do Terminal Portuário de Vila Velha (TVV), que bateu recordes de receita e Ebitda para um primeiro trimestre. A margem Ebitda ajustada caiu para 15,7%, redução de 6,7 pontos percentuais em relação ao 1T25.
A companhia atribuiu parte da pressão ao aumento dos custos operacionais, principalmente na Navegação Costeira, segmento afetado por menor demanda na operação feeder e pela desvalorização do dólar. O lucro operacional caiu para R$ 10,7 milhões, recuo de 88,3% na comparação anual.
Para investidores, o balanço reforça a necessidade de acompanhar a capacidade da Log-In (LOGN3) de recompor margens, controlar custos e transformar o crescimento de volumes em geração de caixa. O retorno ao prejuízo também aumenta a atenção sobre a evolução da cabotagem, da operação portuária e da integração com a Tecmar nos próximos trimestres.
Custos maiores levam Log-In ao prejuízo no 1T26
A principal pressão sobre o resultado da Log-In (LOGN3) veio do aumento dos custos consolidados. A linha somou R$ 562,1 milhões no primeiro trimestre, alta de 11,4% em relação ao mesmo período de 2025.
Segundo a companhia, o avanço foi puxado principalmente pela Navegação Costeira, que registrou crescimento de 14,4% nos custos. O aumento decorreu do maior volume movimentado em cabotagem e Mercosul, além de pressões operacionais do segmento.
Em empresas de logística, o crescimento de volume nem sempre se traduz imediatamente em melhora de margem. Custos com combustível, afretamento, operação portuária, manutenção, mão de obra e movimentação de cargas podem avançar em ritmo superior ao da receita, especialmente quando há pressão de demanda ou câmbio desfavorável.
No caso da Log-In (LOGN3), esse descasamento ficou evidente no trimestre. A receita operacional líquida ficou praticamente estável, mas os custos subiram em ritmo de dois dígitos, comprimindo o lucro bruto e reduzindo a geração operacional.
As despesas operacionais também pesaram. A linha chegou a R$ 47,3 milhões, alta de 34% em 12 meses. A companhia informou que o crescimento foi influenciado pela menor reversão de contingências relacionadas ao período de aquisição da Tecmar.
Ebitda ajustado recua e margem perde força
O Ebitda ajustado da Log-In (LOGN3) caiu 30,4% no primeiro trimestre, para R$ 106,6 milhões. O indicador é uma das principais métricas acompanhadas por investidores, pois mede a geração operacional de caixa antes de juros, impostos, depreciação e amortização.
A margem Ebitda ajustada ficou em 15,7%, queda de 6,7 pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano passado. A retração mostra que a companhia teve menor eficiência para converter receita em resultado operacional.
A queda de margem é especialmente relevante porque a receita permaneceu praticamente estável. Em um cenário de receita sem crescimento expressivo, a preservação de margem depende de controle de custos, eficiência operacional e mix favorável de cargas e serviços.
O balanço do 1T26 indica que esses fatores não foram suficientes para sustentar a rentabilidade consolidada. O desempenho positivo do TVV ajudou a compensar parte da pressão, mas não impediu a queda do Ebitda ajustado.
Para o mercado, a recuperação da margem será um dos principais indicadores a observar nos próximos trimestres. Sem melhora operacional, a Log-In (LOGN3) pode continuar enfrentando dificuldade para converter volume em lucro.
TVV bate recorde, mas não compensa pressão na cabotagem
O Terminal Portuário de Vila Velha foi o principal destaque positivo do balanço da Log-In (LOGN3). O TVV registrou receita operacional líquida de R$ 106,6 milhões, a maior já alcançada pelo terminal em um primeiro trimestre.
O Ebitda do TVV chegou a R$ 47,6 milhões, também recorde para o período. Segundo a companhia, o avanço foi impulsionado pelo maior volume de carga geral e pela retomada da capacidade operacional, o que elevou receitas de armazenagem e serviços acessórios.
Outro ponto destacado pela Log-In (LOGN3) foi o alfandegamento da retroárea Penedo do TVV. A medida amplia a capacidade de atendimento do terminal e pode melhorar a oferta de serviços logísticos a importadores, exportadores e clientes que demandam armazenagem alfandegada.
O desempenho do TVV reforça a importância da operação portuária dentro da estratégia da companhia. O terminal complementa a atuação em cabotagem e amplia a integração logística da Log-In (LOGN3), especialmente em cadeias que dependem de transporte marítimo, armazenagem e distribuição.
Mesmo assim, o recorde do TVV não foi suficiente para compensar a pressão nos demais segmentos. O resultado consolidado mostra que a empresa ainda precisa melhorar a rentabilidade da Navegação Costeira para sustentar uma recuperação mais consistente.
Navegação Costeira sofre com demanda menor e dólar
A Navegação Costeira teve queda de 5,9% na receita no primeiro trimestre, principalmente por causa da operação feeder. Segundo a Log-In (LOGN3), o segmento foi impactado pela menor demanda e pela desvalorização do dólar, que afeta parte relevante das receitas.
A operação feeder consiste no transporte de cargas entre portos menores e portos concentradores, conectando fluxos regionais a rotas de maior escala. Quando há redução de demanda ou pressão cambial desfavorável, o efeito aparece diretamente na receita e na margem.
Apesar da queda na receita do segmento, a Log-In (LOGN3) informou que registrou o maior volume de cabotagem para um primeiro trimestre. A companhia também destacou maior aderência ao schedule, com índice de 98%, dado relevante para medir regularidade e previsibilidade operacional.
A cabotagem segue como uma frente estratégica para a companhia. Em um país com grandes distâncias e forte dependência do transporte rodoviário, o transporte marítimo entre portos nacionais pode oferecer ganhos de escala, redução de custos logísticos e alternativa para determinados fluxos de carga.
O desafio, porém, é transformar volume em rentabilidade. No 1T26, o crescimento de movimentação em cabotagem e Mercosul veio acompanhado de custos mais altos, o que reduziu o impacto positivo do volume no resultado final.
Resultado financeiro melhora, mas operação perde força
O resultado financeiro líquido da Log-In (LOGN3) foi negativo em R$ 22,4 milhões no primeiro trimestre. Apesar de ainda desfavorável, a linha apresentou melhora em relação ao mesmo período do ano passado.
A receita financeira mais que dobrou, com alta de 121,8%, enquanto a variação cambial contribuiu positivamente para o resultado. Esses efeitos ajudaram a reduzir parte da pressão financeira, mas não foram suficientes para evitar o prejuízo líquido.
A leitura do balanço mostra que o principal problema do trimestre esteve na operação. A queda do lucro bruto, o aumento dos custos e a redução do lucro operacional tiveram peso maior na reversão do lucro para prejuízo.
Esse ponto é importante porque indica que a recuperação da Log-In (LOGN3) dependerá principalmente de melhora operacional. Resultado financeiro mais favorável pode ajudar, mas não substitui a necessidade de recomposição de margem nos negócios principais.
Para investidores, o foco deve seguir na evolução da Navegação Costeira, no desempenho do TVV e no controle de despesas. A empresa precisa mostrar que consegue capturar ganhos de escala sem que os custos avancem em ritmo superior ao da receita.
Integração com Tecmar reforça aposta em rodo-cabotagem
No Transporte Rodoviário de Cargas, a Log-In (LOGN3) destacou aumento do volume de rodo-cabotagem, reforçando a integração entre a Tecmar e a operação de Navegação Costeira.
A rodo-cabotagem combina transporte terrestre e transporte marítimo, permitindo que clientes movimentem cargas por longas distâncias com maior integração logística. O modelo pode reduzir a dependência de rotas exclusivamente rodoviárias e ampliar a competitividade em determinados fluxos.
A aquisição da Tecmar ampliou a presença da Log-In (LOGN3) em soluções porta a porta. A estratégia busca conectar cabotagem, terminais portuários e transporte rodoviário em uma oferta mais completa para clientes corporativos.
No longo prazo, essa integração pode gerar ganhos comerciais e operacionais. No curto prazo, porém, o balanço do 1T26 mostra que as sinergias ainda não foram suficientes para impedir a deterioração da rentabilidade consolidada.
A evolução da rodo-cabotagem será um indicador relevante para medir a capacidade da Log-In (LOGN3) de diversificar receitas, ampliar eficiência e reduzir volatilidade entre seus segmentos.
Agenda ESG aparece em meio à pressão operacional
A Log-In (LOGN3) também informou avanços em sua agenda ESG durante o trimestre. A companhia citou o selo Empresa Amiga da Criança, concedido pela Fundação Abrinq, o inventário de gases de efeito estufa de 2025, programa de gerenciamento de resíduos sólidos e recertificações ISO 9001 e ISO 14001 no TVV e na Tecmar Norte.
Embora esses pontos não mudem a leitura central do balanço, podem ganhar relevância em contratos com grandes clientes, especialmente em cadeias que exigem rastreabilidade, conformidade ambiental e padrões formais de gestão.
No setor de logística, a pauta ambiental tem peso crescente. A cabotagem pode ser apresentada como alternativa de menor emissão em determinados fluxos quando comparada ao transporte rodoviário de longa distância, embora o impacto dependa da rota, da carga e da eficiência operacional.
Para a Log-In (LOGN3), o avanço em certificações e gestão ambiental ajuda a reforçar a proposta de valor da companhia. O desafio é combinar essa agenda com rentabilidade mais consistente e geração de caixa positiva.
Log-In tenta recompor margens após trimestre negativo
O resultado do primeiro trimestre de 2026 deixa a Log-In (LOGN3) em um momento de maior pressão. A companhia manteve receita praticamente estável, mas viu custos e despesas crescerem, o Ebitda ajustado recuar e o lucro líquido virar prejuízo.
O TVV segue como o principal ponto positivo, com recordes para um primeiro trimestre e contribuição relevante para a operação consolidada. A expansão da capacidade operacional e o alfandegamento da retroárea Penedo podem ajudar o terminal a manter desempenho mais forte nos próximos períodos.
A Navegação Costeira, por outro lado, permanece como a principal fonte de preocupação. O segmento precisa recuperar receita, controlar custos e transformar o maior volume de cabotagem em margem operacional.
Para o mercado, os próximos trimestres serão importantes para avaliar se o prejuízo do 1T26 foi um evento pontual ou se reflete um ciclo mais prolongado de rentabilidade comprimida. Até que haja sinais mais claros de recuperação, as ações da Log-In (LOGN3) tendem a seguir sensíveis a custos, demanda, câmbio e eficiência operacional.







