Mercado Financeiro: Expectativas para Tarifas dos EUA e Impactos na Economia
O mercado financeiro inicia a semana monitorando as tarifas sobre bens de consumo importados pelos EUA, que entram em vigor na quarta-feira (2), um evento marcado como “Liberation Day” (Dia da Libertação). As expectativas em torno deste tema são altas, especialmente com a divulgação de indicadores-chave, como o relatório mensal de empregos (payroll) americano de março e os índices de gerentes de compras (PMIs) dos EUA, zona do euro, China e Brasil, que influenciarão as taxas de juros.
Agenda Econômica da Semana
A agenda econômica de hoje traz o Protocolo de Intenções para aquisição de créditos de carbono do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Petrobras (PETR3; PETR4). Além disso, o diretor de Política Monetária do Banco Central (BC), Nilton Schneider David, participa de uma live do Itaú BBA, enquanto os diretores Diogo Guillen (Política Econômica) e Paulo Picchetti (Assuntos Internacionais) participam de uma reunião trimestral com economistas em São Paulo.
A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, participa do seminário da Secretaria Nacional de Planejamento (Seplan). O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, cumpre agenda em Paris, onde participa da ‘Conferência 10 anos depois do Acordo de Paris: governar na era do clima’.
O Que Esperar Esta Semana do Mercado Financeiro?
Na quarta-feira (2), serão divulgados os dados da produção industrial de fevereiro e o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) de março, calculado pela Fipe. O Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) e dados da balança comercial de março saem na sexta-feira (4).
No cenário internacional, outros indicadores importantes, como o Índice de Gerentes de Compras (PMI) do Instituto ISM nos EUA e da China, serão divulgados nesta segunda-feira. Nos dias seguintes, aguarde o relatório Jolts de vagas nos EUA, o relatório ADP de empregos no setor privado na quarta e a ata da decisão monetária do Banco Central Europeu (BCE) na quinta-feira (3).
Tarifas dos EUA: Impactos e Repercussões
Temores de Guerra Comercial
Os temores de uma guerra comercial mais ampla estão elevando a aversão ao risco, pressionando as bolsas asiáticas, europeias e de Nova York, além dos rendimentos dos Treasuries (títulos da dívida dos EUA). O debate gira em torno da possibilidade de tarifas recíprocas individualizadas ou de uma tarifa geral, além de receios de estagflação (estagnação econômica com preços em alta).
As ações da Tesla (TSLA34) caíram mais de 4% no pré-mercado de Nova York, refletindo protestos contra Elon Musk. O presidente americano, Donald Trump, sugere que montadoras estrangeiras aumentem preços e condiciona negociações tarifárias a concessões dos EUA. A União Europeia promete retaliação, enquanto a Austrália busca diálogo.
Uma pesquisa recente revela que 60% dos americanos estão insatisfeitos com a economia e 72% esperam aumento de preços no curto prazo. Trump também ameaçou aplicar uma tarifa de 25% sobre o petróleo russo, caso não haja avanços nas negociações com o Kremlin para “parar o banho de sangue” na Ucrânia, o que pode impactar ainda mais as commodity.
Dólar e Commodities
O dólar se enfraquece ante outras moedas de economias desenvolvidas, em uma semana marcada por uma nova rodada de tarifas dos EUA. O boletim Focus do Banco Central (BC) atualizou as projeções para indicadores econômicos, como o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e taxa Selic.
Boletim Focus: Expectativas de Inflação e Juros
A mediana da inflação em 2025 permanece em 5,65%, acima da meta de 4,50%. Em 2026, a mediana ficou em 4,50%, e em 2027, em 4,0%. Em cenários mais longos, como em 2028, a inflação deve se manter em 3,78%.
Em relação à Selic em 2025, a taxa de juros está projetada em 15%. Para 2026, a Selic deverá ficar em 12,50%. Já em 2027 e 2028, as previsões são de 10,50% e 10%, respectivamente.
Commodities: Minério em Queda e Petróleo em Alta
O petróleo opera em alta, ampliando ganhos da semana passada, após ameaças tarifárias de Trump. O barril do petróleo WTI para maio subia 0,20%, enquanto o do Brent para junho avançava 0,16%.
Entre as commodities, o minério de ferro fechou em queda de 1,47%, cotado a 773 yuans por tonelada, equivalente a US$ 106,42 nos mercados de Dalian, na China. Os American Depositary Receipts (ADRs) da Vale (VALE3) recuavam 1,99% no pré-mercado de Nova York, enquanto os ADRs da Petrobras (PETR3; PETR4) cediam 0,70%.
Setor Bancário: Movimentações Importantes
Os investidores também acompanham a operação de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). Na sexta-feira (28), o BRB confirmou a aquisição do Banco Master em uma operação estimada em R$ 2 bilhões.
Expectativas para o Ibovespa
O Ibovespa, os juros futuros e o real devem sofrer pressão de baixa diante do cenário externo e da valorização do dólar frente a moedas emergentes ligadas a commodities. O EWZ, principal fundo de índice (ETF) brasileiro, recuava 1,23% no pré-mercado.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defende esgotar negociações para um livre-comércio com os EUA antes de retaliar ou acionar a Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as tarifas de Trump. O ministro Fernando Haddad destaca a força do Brasil como exportador de commodities.
O Que Esperar do Mercado Financeiro?
O mercado financeiro está em um momento de grande volatilidade, com as tarifas dos EUA e as expectativas de inflação e taxa de juros gerando incertezas. O acompanhamento atento desses fatores será crucial para entender as tendências do mercado e tomar decisões informadas.
A combinação de tarifas, inflação crescente e dados de emprego pode resultar em um ambiente econômico desafiador. Portanto, investidores e analistas devem estar preparados para uma semana intensa no cenário financeiro.






