Moraes autoriza progressão de regime de Walter Delgatti para o semiaberto
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a progressão de regime do hacker Walter Delgatti Neto para o semiaberto. A decisão foi tomada nesta segunda-feira (12) e permite que o condenado deixe o regime fechado para cumprir pena em um sistema menos rigoroso.
Com a mudança, Delgatti passa a ter direito de sair da unidade prisional durante o dia para trabalhar ou estudar, mediante autorização judicial, devendo retornar ao presídio para pernoitar. O regime semiaberto é considerado uma etapa intermediária do cumprimento da pena, voltada à reinserção gradual do condenado à sociedade.
Condenação por invasão aos sistemas do CNJ
Walter Delgatti foi condenado a 8 anos e 3 meses de prisão por invadir os sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e inserir documentos falsos. Entre os arquivos adulterados estava uma falsa ordem de prisão contra o próprio ministro Alexandre de Moraes, supostamente assinada por ele.
Segundo a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), a invasão ocorreu em janeiro de 2023 e teve como objetivo abalar a credibilidade do Judiciário brasileiro e reforçar narrativas de questionamento ao resultado das eleições presidenciais de 2022.
O STF entendeu que os crimes ultrapassaram o âmbito de delitos cibernéticos comuns, inserindo-se em um contexto mais amplo de ataques às instituições democráticas, o que justificou a pena aplicada.
O que muda com o regime semiaberto
A progressão de regime autoriza Delgatti a cumprir pena em condições menos restritivas. No regime semiaberto, o preso permanece vinculado ao sistema prisional, mas pode obter autorização para exercer atividade profissional externa, frequentar cursos ou estudar, desde que cumpra as regras impostas pela Justiça.
O benefício é concedido após o cumprimento de requisitos objetivos e subjetivos previstos na Lei de Execução Penal, como tempo mínimo de pena cumprida e bom comportamento carcerário. O descumprimento das condições pode levar à revogação do regime.
Ligação com Carla Zambelli
O caso também envolve a ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), condenada no mesmo processo. De acordo com a PGR, ela foi apontada como a mentora intelectual da invasão aos sistemas do CNJ, tendo incentivado e orientado a atuação de Delgatti.
Zambelli foi condenada a 10 anos de prisão e à perda do mandato parlamentar, o que levou à sua renúncia. Atualmente, ela está detida na Itália, aguardando decisão das autoridades locais sobre o pedido de extradição feito pelo governo brasileiro.
O Brasil busca trazer a ex-deputada de volta para que ela cumpra a pena em território nacional. O processo segue em análise pelo Judiciário italiano.
Contexto político e institucional
A invasão ao CNJ ocorreu em um período de forte tensão política no país, marcado por ataques às instituições e questionamentos reiterados ao processo eleitoral. Segundo a acusação, o objetivo da ação era desacreditar o Judiciário e alimentar discursos de desinformação.
O STF avaliou que a gravidade do episódio exigia resposta firme do Estado, tratando o caso como um marco no enfrentamento a crimes digitais associados à tentativa de desestabilização institucional.
Situação carcerária de Delgatti
Preso desde agosto de 2023, Walter Delgatti passou inicialmente pela Penitenciária II “Dr. José Augusto Salgado”, em Tremembé, conhecida como o “presídio dos famosos”. Em dezembro, foi transferido para a Penitenciária II de Potim, também no Vale do Paraíba, por razões administrativas.
Relatos sobre sua rotina no sistema prisional chamaram a atenção pela convivência com presos conhecidos e participação em atividades esportivas, o que gerou debate público sobre o tratamento dispensado a detentos de grande repercussão midiática.
Outros processos judiciais
Além da condenação pela invasão ao CNJ, Delgatti já foi condenado em primeira instância a 20 anos de prisão por invadir dispositivos e sistemas de autoridades ligadas à antiga Operação Lava Jato.
Esses crimes foram investigados no âmbito da Operação Spoofing. Nesse processo, o hacker responde em liberdade, pois ainda existem recursos pendentes de julgamento na segunda instância da Justiça Federal em Brasília.
Repercussão da decisão
No meio jurídico, a autorização para a progressão de regime é interpretada como aplicação regular da legislação penal. Especialistas destacam que a medida não reduz a pena nem representa absolvição, mas apenas altera a forma de seu cumprimento.
O caso segue sendo acompanhado de perto por seu impacto político e institucional, especialmente em meio ao debate sobre segurança digital, proteção de sistemas públicos e preservação do Estado Democrático de Direito.
Caso segue em evolução
Embora a progressão para o regime semiaberto represente um novo capítulo na trajetória judicial de Walter Delgatti, o caso permanece em andamento. A existência de outros processos e a situação de Carla Zambelli no exterior mantêm o tema em evidência.
A decisão do STF reafirma que o cumprimento da pena segue critérios legais, ao mesmo tempo em que reforça a atuação do Judiciário no enfrentamento a ataques contra as instituições brasileiras.









