Moraes manda polícia monitorar Bolsonaro em tempo integral para evitar fuga antes de julgamento no STF
O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou nesta terça-feira (26) que a Polícia Penal do Distrito Federal passe a monitorar em tempo integral a residência do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A medida foi tomada diante do risco de fuga às vésperas do julgamento da trama golpista, previsto para começar em 2 de setembro de 2025.
A decisão reforça o cerco judicial em torno do ex-presidente, que está em prisão domiciliar desde 4 de agosto, após descumprimento de medidas cautelares.
Por que Moraes mandou monitorar Bolsonaro?
Na decisão, Alexandre de Moraes destacou que as ações recentes de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente, aumentaram as preocupações sobre uma possível tentativa de fuga. O ministro citou mensagens agressivas e ataques públicos ao Supremo como indícios de que Jair Bolsonaro poderia tentar escapar da aplicação da lei.
Outro ponto central foi a descoberta, pela Polícia Federal, de uma minuta de pedido de asilo político redigida por Bolsonaro em fevereiro de 2024, direcionada ao presidente da Argentina, Javier Milei. O documento foi produzido apenas dois dias após o ex-presidente ter sido alvo de buscas da PF e pouco antes de se refugiar na Embaixada da Hungria.
O papel da PGR e o risco de fuga
A decisão também levou em conta o parecer da PGR (Procuradoria-Geral da República). O procurador-geral, Paulo Gonet, enviou manifestação defendendo que a Polícia Federal e a Polícia Penal reforcem o monitoramento em tempo real da casa de Bolsonaro.
Segundo o MPF, a medida é necessária para evitar que o réu fuja do país durante o processo. Apesar disso, Gonet destacou que a vigilância não deve invadir a privacidade do ex-presidente nem atrapalhar sua convivência com vizinhos e familiares.
Como será o monitoramento de Bolsonaro
De acordo com Moraes, o monitoramento será feito 24 horas por dia. Os agentes poderão ou não usar uniforme, de acordo com critérios internos, e deverão garantir que a ordem judicial seja cumprida sem excessos ou constrangimentos desnecessários.
O objetivo é assegurar que Bolsonaro permaneça em sua residência, localizada em Brasília, até o julgamento que pode definir seu futuro político e criminal.
Contexto: prisão domiciliar e rotina de Bolsonaro
Desde 4 de agosto, Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar. A decisão foi motivada pelo descumprimento de medidas cautelares em pelo menos duas ocasiões.
Na prática, o ex-presidente pode receber um aliado por dia, além de familiares e advogados, que têm livre acesso à residência. Às quartas-feiras, também acontece um encontro de oração organizado por apoiadores ligados a sua esposa, Michelle Bolsonaro.
A defesa de Bolsonaro tenta reverter a decisão, pedindo ao STF a revisão da prisão domiciliar. Moraes, porém, ainda não levou o caso para referendo na Primeira Turma da Corte.
O julgamento da trama golpista
O julgamento da ação penal sobre a trama golpista está marcado para ocorrer entre 2 e 12 de setembro de 2025. Bolsonaro é acusado de envolvimento em um suposto plano para minar a democracia e tentar alterar o resultado das eleições de 2022.
A investigação aponta que o ex-presidente teria incentivado atos antidemocráticos e buscado apoio de militares e políticos para um movimento de ruptura institucional.
O STF deve avaliar se as provas reunidas são suficientes para condená-lo por crimes contra o Estado Democrático de Direito.
O impacto político da decisão de Moraes
A ordem de Alexandre de Moraes para monitorar Bolsonaro em tempo integral tem forte impacto político. O ex-presidente já enfrenta um cenário de isolamento, com sua elegibilidade suspensa pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e a possibilidade de uma condenação criminal no STF.
A narrativa de que estaria sendo perseguido pela Justiça continua mobilizando sua base de apoiadores, mas o endurecimento das medidas indica que o Supremo está disposto a evitar qualquer movimentação que coloque em risco o julgamento.
O episódio marca mais um capítulo na tensão entre Moraes e Bolsonaro, em um embate que se tornou central para a política brasileira. O monitoramento 24 horas decidido pelo STF mostra que o Judiciário considera real o risco de fuga do ex-presidente, especialmente após a descoberta do plano de asilo político na Argentina e seu histórico de refúgio em embaixadas.
Com o julgamento da trama golpista se aproximando, o país acompanha de perto cada passo desse embate, que pode redefinir o futuro político de Jair Bolsonaro e consolidar a atuação do Supremo na defesa das instituições democráticas.






