O calendário do futebol brasileiro passará por transformações profundas a partir de 2026. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) anunciou um redesenho que inclui a extensão do Campeonato Brasileiro de janeiro a dezembro, ajustes nos estaduais, expansão da Copa do Brasil e a criação de novas competições regionais.
A medida não apenas reorganiza a temporada dos clubes, mas também promete impacto direto no setor de apostas, que encontra no Brasileirão sua maior referência de movimentação.
Segundo dados divulgados por uma plataforma autorizada, o futebol respondeu por 88,17% das apostas realizadas em agosto, mostrando a centralidade da modalidade para o setor. O Brasileirão Série A aparece isoladamente como o campeonato mais apostado, com 11,87% da participação, seguido pela Série B (5,10%) e pela Copa Libertadores (4,50%).
A Copa do Brasil também figura entre os destaques, com 3,25%. Com o torneio de pontos corridos ocupando todo o ano, a principal competição nacional estará sempre disponível para os apostadores, mantendo ativo o calendário das bets em todos os meses.
Brasileirão e estaduais
A principal alteração anunciada pela CBF é a diminuição da duração dos campeonatos estaduais, que terão no máximo 11 datas, entre janeiro e março. O objetivo declarado é reduzir o desgaste dos clubes e abrir espaço para uma temporada mais extensa do Brasileirão, que começará em 28 de janeiro e terminará em 2 de dezembro.
Em semanas específicas, haverá sobreposição entre as duas competições, mas as finais estaduais terão janela exclusiva, sem rodadas do torneio nacional. Para os clubes de elite, a redução da carga de jogos nos estaduais será compensada pelo calendário mais distribuído do Campeonato Brasileiro.
A estimativa da entidade é de que o número de partidas na temporada diminua em até 15% para as equipes da Série A, equilibrando a carga física e permitindo melhor planejamento. A mudança também visa aumentar o apelo comercial do Brasileirão, que passa a ser explorado por praticamente 11 meses do ano.
Expansão da Copa do Brasil
Outra novidade significativa é a ampliação da Copa do Brasil, que passará de 92 para 126 participantes em 2026, chegando a 128 em 2027. Todos os clubes da Série A entram automaticamente na quinta fase, a última antes das oitavas de final, enquanto os campeões da Copa do Nordeste, Copa Verde, Série C e Série D começam a disputa a partir da terceira fase.
A final também terá formato inédito: será disputada em jogo único, marcado para 6 de dezembro, encerrando oficialmente a temporada nacional. O local será definido com base em critérios de acesso, infraestrutura e capacidade para receber torcedores de ambos os clubes.
Novos torneios regionais
Com o objetivo de ampliar o espaço para equipes de diferentes regiões, a CBF lançará três novas competições: Copa Sul-Sudeste, Copa Centro-Oeste e a volta da Copa Norte. Enquanto a primeira será uma competição inédita, as outras duas são desdobramentos da atual Copa Verde, que será decidida pelo campeão de ambos torneios.
Essas copas serão disputadas entre março e junho, com 10 datas, e devem reunir clubes que não estejam envolvidos em competições da Conmebol. A medida busca dar visibilidade a equipes que estão abaixo da elite nacional, criando oportunidades de calendário e receita para centenas de clubes que hoje ficam limitados aos campeonatos estaduais.
Além disso, a Série D será ampliada de 64 para 96 participantes, um aumento de 26% no número de times com divisão nacional. Com todas essas alterações, a CBF calcula que haverá um incremento de 82 vagas em competições oficiais a partir de 2026, ampliando a base de clubes com calendário definido.
Impacto nas apostas
O fortalecimento da agenda do futebol brasileiro deve repercutir diretamente no setor de apostas. Dados da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), do Ministério da Fazenda, mostram que 17,7 milhões de brasileiros realizaram apostas em sites regulamentados no primeiro semestre de 2025, movimentando R$ 17,4 bilhões em receita bruta. A arrecadação tributária alcançou R$ 3,8 bilhões no período, além de R$ 2,2 bilhões referentes a outorgas.
A concentração no futebol como principal modalidade apostada sugere que a presença do Brasileirão ao longo de todo o ano deve aumentar a frequência das apostas, mantendo o interesse contínuo dos usuários. Campeonatos internacionais, como Premier League e La Liga, já figuram entre os dez mais procurados, mas nenhum rivaliza com a força do futebol nacional. A mudança da CBF, portanto, alinha o calendário à demanda do setor.
Ações contra a manipulação de resultados
O crescimento do mercado de apostas, contudo, também amplia a necessidade de mecanismos de controle. Em setembro de 2025, o governo federal organizou o I Encontro Técnico Nacional sobre Combate à Manipulação de Resultados Esportivos, realizado no Ministério do Esporte.
O evento reuniu representantes da Fazenda, Justiça, Polícia Federal e entidades esportivas, que apresentaram a primeira versão de uma plataforma digital para monitoramento em tempo real de competições e denúncias anônimas.
A ferramenta contará com inteligência artificial para identificar atividades suspeitas e painéis interativos de dados, além de disponibilizar conteúdos educativos sobre integridade esportiva. O objetivo é padronizar procedimentos entre forças de segurança e ampliar a capacidade investigativa sobre fraudes em apostas.
O secretário nacional de Apostas Esportivas, Giovanni Rocco, defendeu ainda a criação de uma Política Nacional de Combate à Manipulação de Resultados, articulando Ministérios da Fazenda, Esporte e Justiça em ações conjuntas de fiscalização, investigação e repressão. Segundo ele, a medida busca institucionalizar a luta contra fraudes, garantindo estrutura permanente para o tema.
Entre as ações já implementadas, a SPA e a Anatel bloquearam mais de 18 mil sites de apostas ilegais desde 2024, além de encerrar contas bancárias de empresas e usuários envolvidos com operações irregulares. A expectativa é que, com a expansão do calendário nacional, as plataformas regulamentadas ganhem ainda mais força, enquanto os mecanismos de fiscalização devem ser reforçados para acompanhar a demanda crescente.






