Petrobras (PETR4) deve registrar Ebitda menor no 4T25 e reduzir dividendos, apontam bancos
A Petrobras (PETR4) divulgou na noite desta terça-feira (10) o Relatório de Produção e Vendas referente ao quarto trimestre de 2025 (4T25), trazendo os primeiros sinais concretos sobre o desempenho operacional da companhia no período. A leitura do mercado é clara: os números indicam Ebitda menor no 4T25, com reflexos diretos na distribuição de dividendos.
Embora a produção de óleo tenha permanecido estável e a estatal tenha demonstrado resiliência operacional, a combinação entre queda do preço do Brent, aceleração de investimentos no fim do ano e desembolsos extraordinários deve pressionar o resultado financeiro da companhia.
O balanço completo será divulgado em 5 de março, mas as estimativas de BTG Pactual, Itaú BBA e Safra já desenham um cenário de moderação no desempenho, com redução no Ebitda e menor volume de proventos aos acionistas.
Relatório reforça cenário de Ebitda menor no 4T25
O Relatório de Produção e Vendas funciona como prévia operacional do resultado trimestral. Para o mercado, os dados confirmam que a Petrobras conseguiu manter estabilidade na produção, mesmo diante de desafios operacionais e oscilações no ambiente internacional.
No entanto, a queda aproximada de 7% no preço do Brent nos meses finais de 2025 é apontada como fator determinante para um Ebitda menor no 4T25. A commodity tem peso central na geração de caixa da estatal, e a desvalorização impacta diretamente as margens.
Segundo avaliação do BTG Pactual, os preços mais baixos do petróleo devem levar a uma retração de 5% no Ebitda da Petrobras em comparação ao 3T25, para cerca de US$ 11,25 bilhões.
Já o Itaú BBA projeta um cenário ainda mais conservador, estimando Ebitda de US$ 10,6 bilhões no 4T25, o que representaria queda de 12% frente ao trimestre anterior. O Safra, por sua vez, trabalha com projeção intermediária de US$ 10,9 bilhões.
As estimativas convergem para um ponto: o mercado já precifica Ebitda menor no 4T25, ainda que o desempenho operacional tenha sido considerado sólido.
Produção estável e exportações compensam parcialmente refino
No campo operacional, a Petrobras apresentou estabilidade na produção de óleo. Mesmo diante de questões pontuais, a companhia conseguiu manter níveis consistentes, o que foi interpretado como sinal de resiliência.
Houve, porém, redução na utilização das refinarias. Parte desse impacto foi compensada por aumento nas exportações de petróleo bruto, estratégia que ajudou a mitigar efeitos adversos no mercado interno.
Apesar desse equilíbrio operacional, o ambiente externo mais desfavorável, com Brent em queda, acabou prevalecendo na projeção financeira, reforçando o cenário de Ebitda menor no 4T25.
Dividendos devem vir abaixo do consenso
O impacto do Ebitda menor no 4T25 não se limita ao resultado contábil. Ele deve atingir diretamente o bolso dos acionistas.
Antes da divulgação do Relatório de Produção e Vendas, o consenso de mercado apontava para dividendos de aproximadamente US$ 1,7 bilhão no período entre outubro e dezembro.
O BTG Pactual revisou essa expectativa para US$ 1,2 bilhão, citando pressão sobre o fluxo de caixa. O Itaú BBA estima dividendos ordinários de US$ 1,0 bilhão. O Safra projeta distribuição de US$ 1,5 bilhão.
A diferença entre as estimativas reforça o ambiente de cautela. Com Ebitda menor no 4T25, o espaço para distribuição mais robusta de proventos se estreita.
Capex elevado pressiona geração de caixa
Outro fator determinante para o cenário de Ebitda menor no 4T25 é a tradicional aceleração de investimentos no fim do ano.
O BTG estima capex de caixa de aproximadamente US$ 5,5 bilhões no período, além de saídas extraordinárias de cerca de US$ 1,7 bilhão.
O aumento de desembolsos reduz o fluxo de caixa disponível para dividendos, ampliando a percepção de que o pagamento será inferior ao inicialmente projetado pelo mercado.
Essa combinação — Brent mais baixo, capex elevado e desembolsos adicionais — forma o tripé que sustenta a expectativa de Ebitda menor no 4T25 e dividendos pressionados.
Recomendações e preços-alvo
Mesmo com a expectativa de Ebitda menor no 4T25, as casas mantêm visões distintas sobre o papel.
O BTG Pactual reiterou recomendação neutra para as ações da Petrobras, com preço-alvo de US$ 15 para as ADRs negociadas em Nova York.
O Itaú BBA mantém recomendação de compra para PETR4, com preço-alvo de R$ 43, ainda que reconheça pressão de curto prazo sobre resultados.
As divergências mostram que, apesar do Ebitda menor no 4T25, o debate do mercado se concentra na trajetória estrutural da companhia e na sustentabilidade da política de dividendos ao longo de 2026.
Impacto do Brent no resultado da Petrobras
A queda de aproximadamente 7% no Brent nos meses finais de 2025 é o principal vetor do Ebitda menor no 4T25.
Como empresa integrada de petróleo, a Petrobras é altamente sensível às variações da commodity. Pequenas oscilações percentuais no preço internacional podem gerar impactos bilionários no resultado trimestral.
Com preços mais baixos, a receita por barril recua, comprimindo margens, ainda que a produção permaneça estável.
Esse efeito é potencializado quando ocorre simultaneamente aumento de investimentos, como foi o caso no 4T25.
Mercado aguarda balanço de março
O balanço oficial do 4T25 será divulgado em 5 de março, quando o mercado poderá confirmar se as projeções de Ebitda menor no 4T25 se concretizarão nos números finais.
Investidores acompanham com atenção não apenas o Ebitda, mas também o fluxo de caixa livre, a dívida líquida e o detalhamento da política de dividendos.
A leitura do relatório sugere que o trimestre não foi negativo, mas menos robusto do que o anterior.
Petrobras entra em 2026 com foco na disciplina financeira
O cenário de Ebitda menor no 4T25 não altera, por ora, a percepção de que a Petrobras mantém disciplina operacional e capacidade de adaptação.
A estatal demonstrou resiliência produtiva e flexibilidade comercial ao ampliar exportações. No entanto, a dependência do Brent permanece como variável central.
O início de 2026 será marcado pela necessidade de equilibrar investimentos estratégicos, geração de caixa e remuneração aos acionistas.
O mercado seguirá atento aos próximos movimentos da companhia, especialmente diante de um ambiente internacional volátil e de incertezas no mercado de petróleo.









