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Petrobras (PETR4) deve ter Ebitda menor no 4T25 e reduzir dividendos, apontam bancos

Relatório de Produção e Vendas sinaliza pressão sobre resultados da estatal no quarto trimestre de 2025, com impacto da queda do Brent e aumento do capex

por João Souza
11/02/2026 às 13h57
em Negócios
Petrobras (Petr4) Deve Ter Ebitda Menor No 4T25 E Reduzir Dividendos, Apontam Bancos - Gazeta Mercantil

Petrobras (PETR4) deve registrar Ebitda menor no 4T25 e reduzir dividendos, apontam bancos

A Petrobras (PETR4) divulgou na noite desta terça-feira (10) o Relatório de Produção e Vendas referente ao quarto trimestre de 2025 (4T25), trazendo os primeiros sinais concretos sobre o desempenho operacional da companhia no período. A leitura do mercado é clara: os números indicam Ebitda menor no 4T25, com reflexos diretos na distribuição de dividendos.

Embora a produção de óleo tenha permanecido estável e a estatal tenha demonstrado resiliência operacional, a combinação entre queda do preço do Brent, aceleração de investimentos no fim do ano e desembolsos extraordinários deve pressionar o resultado financeiro da companhia.

Leia também: Trisul (TRIS3) Distribui Dividendos e Proventos Adicionais a Acionistas.

O balanço completo será divulgado em 5 de março, mas as estimativas de BTG Pactual, Itaú BBA e Safra já desenham um cenário de moderação no desempenho, com redução no Ebitda e menor volume de proventos aos acionistas.

Relatório reforça cenário de Ebitda menor no 4T25

O Relatório de Produção e Vendas funciona como prévia operacional do resultado trimestral. Para o mercado, os dados confirmam que a Petrobras conseguiu manter estabilidade na produção, mesmo diante de desafios operacionais e oscilações no ambiente internacional.

Leia também: Petrobras paga dividendos e movimenta investidores de PETR4.

No entanto, a queda aproximada de 7% no preço do Brent nos meses finais de 2025 é apontada como fator determinante para um Ebitda menor no 4T25. A commodity tem peso central na geração de caixa da estatal, e a desvalorização impacta diretamente as margens.

Segundo avaliação do BTG Pactual, os preços mais baixos do petróleo devem levar a uma retração de 5% no Ebitda da Petrobras em comparação ao 3T25, para cerca de US$ 11,25 bilhões.

Já o Itaú BBA projeta um cenário ainda mais conservador, estimando Ebitda de US$ 10,6 bilhões no 4T25, o que representaria queda de 12% frente ao trimestre anterior. O Safra, por sua vez, trabalha com projeção intermediária de US$ 10,9 bilhões.

As estimativas convergem para um ponto: o mercado já precifica Ebitda menor no 4T25, ainda que o desempenho operacional tenha sido considerado sólido.

Produção estável e exportações compensam parcialmente refino

No campo operacional, a Petrobras apresentou estabilidade na produção de óleo. Mesmo diante de questões pontuais, a companhia conseguiu manter níveis consistentes, o que foi interpretado como sinal de resiliência.

Houve, porém, redução na utilização das refinarias. Parte desse impacto foi compensada por aumento nas exportações de petróleo bruto, estratégia que ajudou a mitigar efeitos adversos no mercado interno.

Apesar desse equilíbrio operacional, o ambiente externo mais desfavorável, com Brent em queda, acabou prevalecendo na projeção financeira, reforçando o cenário de Ebitda menor no 4T25.

Dividendos devem vir abaixo do consenso

O impacto do Ebitda menor no 4T25 não se limita ao resultado contábil. Ele deve atingir diretamente o bolso dos acionistas.

Antes da divulgação do Relatório de Produção e Vendas, o consenso de mercado apontava para dividendos de aproximadamente US$ 1,7 bilhão no período entre outubro e dezembro.

O BTG Pactual revisou essa expectativa para US$ 1,2 bilhão, citando pressão sobre o fluxo de caixa. O Itaú BBA estima dividendos ordinários de US$ 1,0 bilhão. O Safra projeta distribuição de US$ 1,5 bilhão.

A diferença entre as estimativas reforça o ambiente de cautela. Com Ebitda menor no 4T25, o espaço para distribuição mais robusta de proventos se estreita.

Capex elevado pressiona geração de caixa

Outro fator determinante para o cenário de Ebitda menor no 4T25 é a tradicional aceleração de investimentos no fim do ano.

O BTG estima capex de caixa de aproximadamente US$ 5,5 bilhões no período, além de saídas extraordinárias de cerca de US$ 1,7 bilhão.

O aumento de desembolsos reduz o fluxo de caixa disponível para dividendos, ampliando a percepção de que o pagamento será inferior ao inicialmente projetado pelo mercado.

Essa combinação — Brent mais baixo, capex elevado e desembolsos adicionais — forma o tripé que sustenta a expectativa de Ebitda menor no 4T25 e dividendos pressionados.

Recomendações e preços-alvo

Mesmo com a expectativa de Ebitda menor no 4T25, as casas mantêm visões distintas sobre o papel.

O BTG Pactual reiterou recomendação neutra para as ações da Petrobras, com preço-alvo de US$ 15 para as ADRs negociadas em Nova York.

O Itaú BBA mantém recomendação de compra para PETR4, com preço-alvo de R$ 43, ainda que reconheça pressão de curto prazo sobre resultados.

As divergências mostram que, apesar do Ebitda menor no 4T25, o debate do mercado se concentra na trajetória estrutural da companhia e na sustentabilidade da política de dividendos ao longo de 2026.

Impacto do Brent no resultado da Petrobras

A queda de aproximadamente 7% no Brent nos meses finais de 2025 é o principal vetor do Ebitda menor no 4T25.

Como empresa integrada de petróleo, a Petrobras é altamente sensível às variações da commodity. Pequenas oscilações percentuais no preço internacional podem gerar impactos bilionários no resultado trimestral.

Com preços mais baixos, a receita por barril recua, comprimindo margens, ainda que a produção permaneça estável.

Esse efeito é potencializado quando ocorre simultaneamente aumento de investimentos, como foi o caso no 4T25.

Mercado aguarda balanço de março

O balanço oficial do 4T25 será divulgado em 5 de março, quando o mercado poderá confirmar se as projeções de Ebitda menor no 4T25 se concretizarão nos números finais.

Investidores acompanham com atenção não apenas o Ebitda, mas também o fluxo de caixa livre, a dívida líquida e o detalhamento da política de dividendos.

A leitura do relatório sugere que o trimestre não foi negativo, mas menos robusto do que o anterior.

Petrobras entra em 2026 com foco na disciplina financeira

O cenário de Ebitda menor no 4T25 não altera, por ora, a percepção de que a Petrobras mantém disciplina operacional e capacidade de adaptação.

A estatal demonstrou resiliência produtiva e flexibilidade comercial ao ampliar exportações. No entanto, a dependência do Brent permanece como variável central.

O início de 2026 será marcado pela necessidade de equilibrar investimentos estratégicos, geração de caixa e remuneração aos acionistas.

O mercado seguirá atento aos próximos movimentos da companhia, especialmente diante de um ambiente internacional volátil e de incertezas no mercado de petróleo.

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