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Petrobras (PETR4) anuncia R$ 2,8 bilhões no Amazonas e Lula fala em recomprar refinarias

Estatal vai ampliar produção no Polo Urucu, enquanto Lula reforça críticas às privatizações e defende papel estratégico da Petrobras

por João Souza - Repórter de Negócios
27/05/2026 às 17h28
em Empresas, Destaque, Notícias
Petrobras (Petr4) - Gazeta Mercantil

A Petrobras (PETR4) anunciou nesta quarta-feira (27) um novo pacote de investimentos de R$ 2,8 bilhões no Amazonas até 2030, com foco na expansão da produção de petróleo e gás natural no Polo Urucu, principal província petrolífera terrestre do Brasil. O anúncio foi realizado em Manaus durante cerimônia com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que aproveitou o evento para reforçar críticas às privatizações promovidas nos últimos anos e defender a possibilidade de recompra de refinarias vendidas pela estatal.

Do total anunciado pela Petrobras (PETR4), cerca de R$ 2,5 bilhões serão direcionados às operações do Polo Urucu, localizado no município de Coari (AM). Outros R$ 303,5 milhões serão destinados à construção de 18 barcaças da Transpetro, subsidiária responsável pela logística e transporte de combustíveis da companhia.

O plano faz parte da estratégia da estatal para ampliar a presença operacional na região Norte, fortalecer o abastecimento energético local e expandir a infraestrutura logística voltada à distribuição de derivados e gás natural.

Atualmente, o Polo Urucu produz cerca de 105 mil barris de óleo equivalente por dia. Segundo a Petrobras (PETR4), os investimentos devem elevar a produção média em aproximadamente 4,4 mil barris diários nos próximos anos, por meio da perfuração de novos poços e da instalação de cerca de 40 quilômetros de linhas de conexão entre áreas produtoras.

Polo Urucu ganha protagonismo na estratégia energética da Petrobras

A ampliação das operações em Urucu reforça a importância estratégica da região para a Petrobras (PETR4), especialmente no abastecimento energético da Amazônia e do Norte do país.

Além da produção de petróleo, o polo responde atualmente por parcela relevante do fornecimento de gás natural utilizado na geração elétrica regional. Segundo a companhia, cerca de 65% da energia consumida em Manaus e em outros cinco municípios amazonenses depende do gás produzido na unidade.

O complexo também possui papel central no abastecimento de gás liquefeito de petróleo (GLP). A estatal afirma que a operação em Urucu viabiliza a distribuição diária de aproximadamente 80 mil botijões de gás de cozinha para estados da região Norte e parte do Nordeste.

Durante o evento, a presidente da Petrobras (PETR4), Magda Chambriard, afirmou que a companhia projeta uma expansão ainda mais robusta da operação local ao longo dos próximos anos.

“A Petrobras produz 105 mil barris de petróleo por dia em Urucu. Com investimentos, vamos elevar essa produção em 20%. Isso vai garantir mais gás, mais petróleo, mais emprego e renda”, declarou.

A expansão operacional inclui novos poços de exploração e medidas voltadas à integração logística da produção regional. A companhia também confirmou planos para ampliar o fornecimento de gás natural a localidades que enfrentam restrições de abastecimento e dificuldades de infraestrutura.

Parceria no Norte deve ampliar segurança energética da região

A Petrobras (PETR4) informou ainda que, a partir de 2028, começará a operar uma parceria firmada com a Amazônica Energy no ano passado. O objetivo é ampliar a segurança energética da região Norte em pelo menos 100 mil metros cúbicos de gás natural por dia.

O projeto integra a estratégia da companhia de fortalecer o mercado de gás natural no país, ampliar a interiorização do abastecimento energético e reduzir gargalos logísticos em áreas mais isoladas da Amazônia.

O avanço dos investimentos ocorre em um momento em que o governo federal busca consolidar uma política de retomada industrial baseada em energia, infraestrutura e expansão da presença de estatais em setores considerados estratégicos.

Analistas do setor observam que o fortalecimento das operações da Petrobras (PETR4) no Norte também possui relevância geopolítica e econômica diante da crescente demanda regional por energia e combustíveis.

A região amazônica apresenta desafios logísticos específicos, o que amplia a dependência de infraestrutura local para garantir abastecimento regular de combustíveis e geração elétrica.

Lula volta a criticar privatizações e fala em recuperar refinarias

Durante discurso na cerimônia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender o papel da Petrobras (PETR4) como instrumento de desenvolvimento econômico, geração de empregos e fortalecimento industrial do país.

“A Petrobras é a empresa mais importante deste país”, afirmou Lula.

O presidente declarou que o governo pretende utilizar a estatal como indutora de investimentos e expansão econômica em diferentes regiões do Brasil. Segundo ele, embora a administração federal não interfira diretamente na gestão da companhia, existe alinhamento estratégico entre o governo e a Petrobras (PETR4).

“O governo não manda na Petrobras, mas discute com a Petrobras o que o Brasil precisa”, disse.

Lula também voltou a criticar as privatizações promovidas nos últimos anos no setor energético e afirmou que o governo pretende buscar alternativas para recuperar refinarias vendidas pela companhia durante gestões anteriores.

“Nós vamos tentar recuperar as refinarias que eles privatizaram, mas a gente não pode comprar pelo preço que eles querem. A Petrobras não pode dar dinheiro para as pessoas se não tiver um preço justo”, afirmou o presidente.

As declarações reforçam a sinalização política do atual governo favorável ao aumento da presença estatal em áreas consideradas estratégicas, especialmente energia, infraestrutura e logística.

Debate sobre refinarias amplia incertezas no mercado

As falas de Lula sobre a possibilidade de recompra de refinarias privatizadas voltaram a chamar atenção do mercado financeiro para o direcionamento estratégico da Petrobras (PETR4).

Nos últimos anos, a companhia vendeu ativos de refino como parte de um plano de desinvestimentos voltado à redução de endividamento e concentração de recursos em exploração e produção no pré-sal.

O processo incluiu refinarias em diferentes regiões do país e foi defendido à época como forma de aumentar concorrência no mercado de combustíveis.

Investidores acompanham com atenção qualquer sinalização envolvendo possível reversão dessas operações, especialmente diante dos impactos potenciais sobre governança corporativa, alocação de capital e política de investimentos da estatal.

Especialistas do setor energético observam que eventuais recompras dependeriam de negociações complexas, avaliação financeira dos ativos e análise de viabilidade econômica.

Além disso, operações dessa natureza poderiam enfrentar questionamentos regulatórios e jurídicos, dependendo das condições contratuais firmadas nas privatizações anteriores.

As declarações do presidente também reacendem o debate sobre o papel da Petrobras (PETR4) na política de preços de combustíveis e na estratégia de segurança energética nacional.

Transpetro acelera renovação da frota logística

Além do foco em exploração e produção, a Petrobras (PETR4) destacou avanços no programa de renovação da frota da Transpetro, considerado estratégico para ampliar a capacidade logística da companhia.

Segundo a estatal, já foram contratadas 52 embarcações desde o início da atual gestão dentro do Programa Mar Aberto. Os contratos representam investimentos estimados em R$ 11,6 bilhões até 2030.

O plano completo prevê a contratação de 96 embarcações, com aportes totais estimados em R$ 34,8 bilhões nos próximos anos.

A construção das novas barcaças e embarcações faz parte da tentativa de fortalecer a indústria naval brasileira e ampliar a capacidade de transporte de combustíveis e derivados no país.

A Petrobras (PETR4) também informou que suas operações no Amazonas respondem atualmente por cerca de 14 mil empregos diretos e indiretos.

Segundo a companhia, aproximadamente R$ 1,5 bilhão em tributos e participações governamentais foram destinados ao estado apenas em 2025. A estatal afirma ser atualmente a maior contribuinte de ICMS do Amazonas.

O novo pacote de investimentos reforça o papel estratégico do Polo Urucu dentro da expansão operacional da Petrobras (PETR4) e amplia a presença da companhia em uma região considerada central para abastecimento energético e logística de combustíveis no Norte do país.

Tags: AmazonasEmpresasgás naturalinvestimentos Petrobras.LulaMagda ChambriardManausPetrobras PETR4PetróleoPolo Urucurefinarias privatizadassetor energéticoTranspetro

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