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Dólar hoje sobe a R$ 5,06 com tensão entre EUA e Irã e nova tarifa contra Brasil

Moeda norte-americana subiu 1,12% nesta quarta-feira, em véspera de feriado, com busca por proteção no exterior e pior desempenho do real entre divisas globais

por Camila Braga - Repórter de Economia
03/06/2026 às 19h10
em Dólar, Destaque, Mercados
Dólar Hoje - Gazeta Mercantil

O dólar hoje fechou em alta firme nesta quarta-feira, 3 de junho de 2026, acompanhando o avanço da moeda norte-americana no exterior após novos ataques envolvendo Estados Unidos e Irã no Oriente Médio e em meio ao aumento da cautela com novas ameaças tarifárias contra o Brasil. O dólar à vista subiu 1,12%, encerrando o pregão a R$ 5,0661, enquanto o dólar futuro para julho avançava 1,12% na B3, a R$ 5,0975, por volta das 17h05.

A alta ocorreu na véspera do feriado de Corpus Christi, quando o mercado brasileiro ficará fechado, o que levou investidores a reforçarem posições defensivas. Entre as moedas mais negociadas globalmente, o real teve o pior desempenho do dia, refletindo a combinação entre tensão geopolítica, fortalecimento global do dólar, piora do humor com emergentes e preocupação com a política comercial dos Estados Unidos.

No ano, apesar da alta desta quarta-feira, o dólar ainda acumula queda de 7,70% frente ao real. A sessão, porém, marcou uma mudança relevante no tom do mercado, com a moeda saindo de mínima de R$ 5,0119 pela manhã para máxima de R$ 5,0917 à tarde.

Oriente Médio aumenta busca por segurança no dólar

O principal vetor externo para a alta do dólar hoje foi a escalada das tensões no Oriente Médio. Segundo informações citadas no texto-base, os Estados Unidos dispararam um míssil contra um navio-tanque que seguia em direção ao Irã, enquanto forças iranianas lançaram mísseis contra Kuwait e Barein, sem atingir os alvos.

A piora no quadro geopolítico ampliou a busca por ativos considerados mais seguros. Em momentos de tensão internacional, o dólar costuma se fortalecer porque investidores reduzem exposição a moedas de países emergentes e aumentam posições em ativos norte-americanos.

As dúvidas sobre um possível acordo entre Irã e Estados Unidos reforçaram esse movimento. A moeda norte-americana avançou contra quase todas as demais divisas, incluindo pares do real, como peso chileno, rand sul-africano e rupia indiana.

Para o Brasil, esse movimento externo teve impacto direto no câmbio. Mesmo com fundamentos domésticos ainda sustentados por saldo comercial e fluxo cambial positivo, a força global do dólar prevaleceu ao longo do pregão.

Real tem pior desempenho entre moedas globais

A pressão sobre o real foi mais intensa do que sobre outras divisas. A moeda brasileira teve o pior desempenho entre as principais moedas negociadas globalmente nesta quarta-feira, em um sinal de maior sensibilidade do mercado local ao noticiário externo e político.

A véspera de feriado contribuiu para esse comportamento. Com a B3 fechada na quinta-feira, parte dos investidores preferiu comprar dólar para se proteger de eventuais novos desdobramentos internacionais durante o período sem negociação local.

Esse tipo de movimento é comum em sessões que antecedem feriados, especialmente quando há risco geopolítico e incerteza sobre decisões comerciais de grandes economias. A proteção cambial funciona como forma de reduzir exposição a eventos inesperados.

A aceleração do dólar à tarde mostrou que o mercado local passou a incorporar de forma mais intensa o risco de novas tarifas dos Estados Unidos contra produtos brasileiros.

Nova ameaça tarifária pesa sobre o câmbio

Além da tensão no Oriente Médio, o dólar hoje foi pressionado pela nova ameaça tarifária dos Estados Unidos contra o Brasil. Após o Escritório de Comércio dos Estados Unidos defender uma cobrança de 25% sobre várias exportações brasileiras, o órgão propôs tarifa adicional de 10% ou 12,5% sobre países acusados de falhas no combate ao trabalho forçado. No caso brasileiro, a taxa seria de 12,5%.

Embora as tarifas ainda precisem de aprovação, a leitura do mercado foi negativa. O temor é que a medida afete exportadores brasileiros, gere atrito diplomático e reduza o apetite por ativos locais.

A possível sobretaxa se soma a outros episódios recentes de tensão entre Brasil e Estados Unidos. O texto-base cita ainda a designação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelos EUA, fator que ampliou o mal-estar político.

No câmbio, a incerteza comercial tende a elevar a demanda por dólar. Empresas, bancos e investidores passam a se proteger contra eventuais impactos sobre fluxo de exportações, risco-país e volatilidade de mercado.

Dólar acelerou durante a tarde

O comportamento intradiário mostrou uma virada clara de humor. Logo no início do pregão, o dólar à vista marcou mínima de R$ 5,0119, com alta de apenas 0,04%. À tarde, porém, a moeda acelerou e atingiu máxima de R$ 5,0917, avanço de 1,63%, antes de encerrar a R$ 5,0661.

A aceleração coincidiu com o aumento da repercussão sobre as tarifas comerciais e com a busca por proteção antes do feriado. A piora também ocorreu em paralelo ao recuo da Bolsa brasileira, em um dia de forte aversão ao risco.

Quando dólar sobe e Bolsa cai ao mesmo tempo, o mercado costuma indicar saída de posições em ativos locais e maior demanda por liquidez em moeda forte. Esse movimento pode ser intensificado por investidores estrangeiros, fundos multimercados e empresas com necessidade de proteção cambial.

A alta do dólar também reforçou a pressão sobre juros futuros, já que uma moeda mais valorizada pode afetar expectativas de inflação.

Lula critica tarifas e tensão política aumenta

Durante a sessão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar as tarifas anunciadas pelos Estados Unidos. Na véspera, o governo brasileiro já havia iniciado uma ofensiva política para atribuir à família Bolsonaro parte da deterioração das relações entre Brasil e EUA.

O texto-base destaca que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, é visto como adversário de Lula na disputa pelo Planalto e esteve recentemente com Donald Trump em Washington. Os anúncios sobre organizações criminosas e novas tarifas ocorreram após esse encontro.

A relação entre política externa, disputa doméstica e comércio internacional aumentou a sensibilidade do mercado. Investidores passaram a monitorar não apenas o conteúdo econômico das tarifas, mas também seus possíveis desdobramentos diplomáticos.

Para o câmbio, incerteza política costuma gerar prêmio de risco. Quanto maior a percepção de conflito institucional ou diplomático, maior tende a ser a demanda por proteção em dólar.

Fluxo cambial positivo não impede alta

À tarde, o Banco Central informou que o Brasil registrou fluxo cambial total positivo de US$ 743 milhões em maio. O dado indica entrada líquida de dólares no país no período.

Apesar disso, o número não foi suficiente para conter a alta da moeda nesta quarta-feira. Em sessões de forte aversão ao risco, o comportamento do câmbio tende a ser dominado por fatores globais e por posicionamento de curto prazo.

O fluxo cambial positivo pode ajudar a sustentar o real em horizontes mais longos, mas não elimina movimentos bruscos quando há choque externo, tensão geopolítica ou mudança na percepção de risco sobre o país.

O resultado mostra que o mercado de câmbio pode reagir de forma distinta a fundamentos e eventos. Mesmo com entrada líquida de recursos, a demanda por proteção pode prevalecer em determinados pregões.

Dólar hoje reforça cautela antes do feriado

O fechamento do dólar hoje a R$ 5,0661 mostrou a combinação de fatores que pressionou o mercado brasileiro: tensão entre Estados Unidos e Irã, nova ameaça tarifária contra o Brasil, busca global por segurança e aumento da cautela antes do feriado.

Para os próximos pregões, investidores devem acompanhar os desdobramentos no Oriente Médio, a tramitação das propostas tarifárias dos Estados Unidos, a reação do governo brasileiro e o comportamento do dólar no exterior.

A moeda norte-americana ainda acumula queda no ano, mas a alta desta quarta-feira reacendeu o alerta sobre a volatilidade cambial. Se o cenário externo continuar adverso e a tensão comercial persistir, o real pode seguir pressionado diante da busca por proteção e da reavaliação do risco Brasil.

Tags: B3Banco CentralcâmbioDólardólar futurodolar hojeDonald TrumpEstados UnidosiráLulamercadosOriente Médio.realTarifasUSTR

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