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PF detecta repasse de R$ 14,2 milhões ligado à Refit para empresa da família de Ciro Nogueira

Senador nega irregularidades e afirma que valor se refere à venda de terreno de 40 hectares para construção de distribuidora de combustíveis

por Júlia Campos
21/05/2026 às 10h50
em Política
Ciro Nogueira - Gazeta Mercantil

A Polícia Federal detectou um repasse de R$ 14,2 milhões de um fundo ligado ao grupo Refit para uma empresa da família do senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do Progressistas, no âmbito da Operação Sem Refino, que investiga suspeitas de sonegação, corrupção e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis. A movimentação financeira foi informada ao Supremo Tribunal Federal (STF), segundo reportagem publicada pela CBN.

A assessoria de Ciro Nogueira confirmou a existência da transação, mas negou irregularidades. Segundo o parlamentar, o pagamento está relacionado à venda de um terreno de 40 hectares que teria como finalidade a construção de uma distribuidora de combustíveis. A nota afirma ainda que a empresa da família do senador atua no segmento imobiliário e que, à época do negócio, a participação de Ciro Nogueira na companhia era inferior a 1%.

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O caso ganhou repercussão porque o pagamento aparece em uma investigação que tem como alvo o conglomerado Refit, controlado pelo empresário Ricardo Magro. Na semana passada, a Operação Sem Refino mirou o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) e expediu mandado de prisão contra Magro, que está foragido. O nome do empresário foi incluído na lista de procurados da Interpol.

Repasse aparece em investigação sobre grupo de combustíveis

A Operação Sem Refino apura um suposto esquema envolvendo empresas, fundos e pessoas ligadas ao grupo Refit. A investigação mira suspeitas de fraudes fiscais, corrupção e lavagem de dinheiro em operações do setor de combustíveis, um dos segmentos mais fiscalizados do país em razão do alto volume financeiro e da complexidade tributária.

Segundo a apuração, a Polícia Federal identificou o repasse de R$ 14,2 milhões a uma empresa ligada à família de Ciro Nogueira ao analisar movimentações financeiras associadas a estruturas vinculadas à Refit. A transação foi comunicada ao STF, instância responsável por analisar informações que envolvem autoridades com foro ou conexões com agentes políticos.

A menção ao senador não significa, por si só, comprovação de irregularidade. A investigação ainda está em andamento, e os citados têm direito à defesa. O ponto central para os investigadores será verificar a origem dos recursos, a regularidade da operação imobiliária e se o pagamento teve lastro econômico compatível com a venda do terreno mencionada pela assessoria do parlamentar.

A defesa política de Ciro Nogueira sustenta que a operação foi regular, documentada e vinculada a uma atividade imobiliária. A versão apresentada é que o terreno seria usado para a instalação de uma distribuidora de combustíveis, o que explicaria a relação comercial com grupo do setor.

Ciro Nogueira nega irregularidade e cita venda de terreno

Em nota, a assessoria do senador afirmou que a transação não tem relação com qualquer ato ilícito. Segundo a versão apresentada, o valor foi pago em razão da venda de uma área de 40 hectares pertencente a uma empresa familiar.

A nota também buscou reduzir a ligação direta entre o parlamentar e a companhia que recebeu os recursos. De acordo com a assessoria, Ciro Nogueira tinha participação inferior a 1% na empresa no momento da operação.

Esse ponto é relevante para a estratégia de defesa, porque tenta afastar a interpretação de que o senador teria sido beneficiário direto do repasse. Ainda assim, o fato de a empresa ser ligada à família do presidente do PP torna a transação politicamente sensível.

A Polícia Federal deverá avaliar documentos como contrato de compra e venda, registros imobiliários, comprovantes bancários, origem dos recursos, avaliação do terreno e eventuais comunicações entre as partes. Também poderá apurar se o preço pago é compatível com o valor de mercado da área negociada.

Operação Sem Refino amplia pressão sobre a Refit

A Refit está no centro de uma investigação de grande alcance no setor de combustíveis. O grupo é associado à antiga Refinaria de Manguinhos e acumula disputas fiscais e regulatórias nos últimos anos.

O setor de combustíveis é considerado uma área estratégica e vulnerável a fraudes tributárias. A cadeia envolve produção, refino, distribuição, transporte, revenda, créditos tributários, regimes estaduais e operações interestaduais. Essa estrutura pode ser usada de forma regular por empresas do setor, mas também é frequentemente alvo de investigações sobre sonegação e concorrência desleal.

A Operação Sem Refino busca apurar se empresas e fundos ligados ao grupo teriam sido utilizados para movimentar recursos de origem suspeita, ocultar beneficiários ou dar aparência lícita a pagamentos. A investigação envolve grande volume de documentos, rastreamento bancário e análise de vínculos societários.

O empresário Ricardo Magro, controlador da Refit, teve prisão decretada e é considerado foragido. A inclusão de seu nome na lista da Interpol reforçou a dimensão internacional da apuração e ampliou a pressão sobre o grupo empresarial.

STF recebe informações sobre movimentação financeira

A comunicação ao Supremo Tribunal Federal indica que a movimentação detectada pela Polícia Federal passou a integrar o conjunto de elementos analisados na investigação. Em casos que envolvem autoridades ou conexões políticas relevantes, o STF pode autorizar diligências, quebras de sigilo, mandados de busca e outras medidas investigativas, sempre mediante fundamentação.

No episódio envolvendo a empresa da família de Ciro Nogueira, a principal linha de apuração deve se concentrar na natureza do pagamento. A defesa afirma que se trata de uma venda regular de terreno. A investigação, por sua vez, busca verificar se a transação está devidamente lastreada e se não houve uso da operação para dissimular transferência de recursos.

A análise não se limita ao valor do repasse. Investigadores costumam observar a estrutura de origem do dinheiro, o vínculo entre pagador e recebedor, a compatibilidade econômica da operação, a documentação de suporte e o destino posterior dos recursos.

Até o momento, não há condenação nem conclusão pública sobre irregularidade na transação. O caso permanece no campo investigativo.

Elo com senador eleva repercussão política do caso

A revelação do repasse ocorre em um momento de forte sensibilidade política. Ciro Nogueira é presidente nacional do PP, foi ministro da Casa Civil no governo Jair Bolsonaro e segue como uma das lideranças mais influentes do Centrão.

Por essa razão, qualquer menção a empresas ligadas à sua família em uma investigação da Polícia Federal tende a gerar impacto no Congresso. O caso pode ser explorado por adversários políticos e também pressionar o PP em articulações futuras.

A situação é ainda mais delicada porque a Operação Sem Refino já alcançou nomes de peso no ambiente político e empresarial. A inclusão do ex-governador Cláudio Castro entre os alvos da operação e o mandado de prisão contra Ricardo Magro ampliaram a visibilidade pública da investigação.

A defesa de Ciro Nogueira tenta enquadrar o episódio como uma transação privada, sem vínculo com a apuração principal. Para o senador, o desafio será demonstrar que o negócio teve finalidade econômica legítima, documentação regular e ausência de qualquer contrapartida política ou favorecimento ao grupo investigado.

Investigação mira sonegação, corrupção e lavagem

A Operação Sem Refino investiga suspeitas de sonegação fiscal, corrupção e lavagem de dinheiro. Esses crimes, quando associados ao setor de combustíveis, costumam envolver esquemas complexos, com uso de empresas intermediárias, fundos, consultorias, notas fiscais, créditos tributários e movimentações fragmentadas.

No caso da Refit, a Polícia Federal busca entender a estrutura financeira do grupo e os caminhos percorridos por recursos ligados ao conglomerado. A detecção do repasse de R$ 14,2 milhões à empresa da família de Ciro Nogueira é uma das frentes dessa apuração.

A investigação também deverá avaliar se a operação imobiliária mencionada pela defesa do senador tem correspondência plena com os registros formais do negócio. Isso inclui checagem de matrícula do imóvel, escritura, pagamento, destinação da área e eventual projeto relacionado à distribuidora de combustíveis.

Para os investigadores, a existência de contrato não encerra necessariamente a análise. Em operações de lavagem de dinheiro, contratos e negócios aparentemente regulares podem ser examinados para verificar se serviram ou não como cobertura para movimentações suspeitas. Para a defesa, a documentação da venda tende a ser o principal elemento para sustentar a legalidade da transação.

Caso reforça disputa em torno do setor de combustíveis

A apuração envolvendo a Refit também ocorre em meio a uma discussão mais ampla sobre fiscalização do mercado de combustíveis no Brasil. O setor é marcado por disputas tributárias, operações interestaduais, questionamentos regulatórios e denúncias de concorrência desleal.

Empresas investigadas por suposta sonegação podem obter vantagem competitiva se deixarem de recolher tributos de forma adequada. Isso afeta arrecadação, preços e competição com companhias que operam dentro das regras fiscais.

Por isso, investigações no setor costumam ter impacto além do campo policial. Elas interessam a governos estaduais, Receita Federal, agências reguladoras, distribuidoras, postos, refinarias, consumidores e ao mercado financeiro.

A Operação Sem Refino se insere nesse contexto. A identificação de fluxos financeiros envolvendo fundos, empresas e agentes políticos torna a apuração mais complexa e aumenta a expectativa por novos desdobramentos.

Desdobramentos devem passar pelo STF e pelo Congresso

A partir da comunicação ao STF, o caso pode avançar em diferentes frentes. A Polícia Federal poderá pedir novas diligências, enquanto a defesa dos citados poderá apresentar documentos e explicações para sustentar a regularidade das operações.

No Congresso, a repercussão política tende a depender do surgimento de novos elementos. Caso a investigação avance sobre pessoas próximas a Ciro Nogueira ou a outras lideranças políticas, o tema pode ganhar peso nas articulações partidárias.

Por ora, o fato central é que a Polícia Federal detectou um repasse milionário de estrutura ligada à Refit para uma empresa da família do senador. A explicação apresentada por Ciro Nogueira é que se trata de uma venda regular de terreno, sem relação com irregularidades investigadas.

A investigação ainda precisará responder se a movimentação foi apenas uma operação imobiliária regular ou se tem conexão com o suposto esquema apurado pela Operação Sem Refino. Até lá, o caso permanece como uma nova frente de pressão sobre a Refit, sobre o entorno político de Ciro Nogueira e sobre o setor de combustíveis.

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