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Home Economia

Pix brasileiro na mira de Trump: o que o sucesso do UPI da Índia revela sobre a disputa

por Redação
24/09/2025
em Economia, Destaque, Notícias
Pix Brasileiro Na Mira De Trump: O Que O Sucesso Do Upi Da Índia Revela Sobre A Disputa - Gazeta Mercantil - Economia

Pix brasileiro: o que o sucesso do UPI da Índia revela sobre a ofensiva de Trump contra o sistema de pagamentos do Brasil

O Pix brasileiro está no centro de uma disputa comercial e tecnológica que ultrapassa fronteiras. Criado pelo Banco Central e adotado por quase 74% da população em apenas três anos, o sistema de pagamentos instantâneos revolucionou a forma como pessoas e empresas movimentam dinheiro no Brasil. Mas agora, ele se tornou alvo de uma investigação do governo dos Estados Unidos, conduzida pelo USTR (Escritório do Representante Comercial), que o classifica como uma possível “prática desleal” no mercado de serviços financeiros.

Enquanto isso, o sistema equivalente da Índia, o Unified Payments Interface (UPI) — lançado quatro anos antes, com mais funcionalidades e cerca de 500 milhões de usuários — segue crescendo e expandindo-se internacionalmente, sem sofrer a mesma pressão norte-americana. A comparação entre Pix e UPI ajuda a entender por que o Pix brasileiro entrou na mira da gestão Donald Trump.


A ascensão do Pix brasileiro

Lançado em 2020, o Pix brasileiro é um sistema de pagamentos instantâneos que permite transferências e pagamentos 24 horas por dia, sem tarifas para usuários e com liquidação imediata. Ele foi desenvolvido e operado diretamente pelo Banco Central do Brasil, com adesão obrigatória para todas as instituições financeiras com mais de 500 mil contas.

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Essa característica deu ao Pix uma velocidade de adoção recorde no mundo: em apenas três anos, mais de 160 milhões de pessoas já haviam usado o sistema, segundo dados do BC. A inclusão financeira foi um dos grandes impactos positivos, permitindo que milhões de brasileiros sem conta bancária tradicional passassem a usar serviços digitais.


UPI x Pix: semelhanças e diferenças

O UPI indiano surgiu em 2016 como parte do projeto India Stack, que também incluiu a criação de um RG digital e políticas de incentivo à digitalização. Assim como o Pix, é gratuito, instantâneo e funciona sem necessidade de dados bancários complexos. Mas há diferenças importantes:

  • Operação e regulação: no Brasil, o Banco Central é operador e regulador do Pix; na Índia, o Banco Central apenas regula, enquanto a operação é privada (NPCI — National Payments Corporation of India).

  • Adoção: no Brasil, a adesão foi obrigatória para grandes bancos e fintechs; na Índia, foi voluntária.

  • Funcionalidades: o UPI oferece recursos como pagamentos offline, por comando de voz e recorrentes (o “Pix Automático” só chegou ao Brasil anos depois).

  • Expansão internacional: o UPI já funciona em países como Cingapura, Emirados Árabes e França; o Pix, por enquanto, opera oficialmente apenas no Brasil, embora empresas privadas já ofereçam soluções transfronteiriças.


Por que o Pix brasileiro está na mira dos EUA

Em julho de 2025, o USTR abriu investigação contra o Brasil, citando o Pix brasileiro como exemplo de serviço de pagamento eletrônico desenvolvido pelo governo que poderia prejudicar empresas americanas.

O argumento implícito é que, ao criar um sistema público, gratuito e amplamente aceito, o Brasil teria reduzido o espaço de atuação para multinacionais como Visa, Mastercard e big techs que operam carteiras digitais. O caso do WhatsApp Pay é emblemático: mesmo com o Brasil sendo um dos maiores mercados do aplicativo, o serviço de pagamentos não conseguiu competir com o Pix.


Big techs: perdedoras no Brasil, dominantes na Índia

Enquanto no Brasil o Pix brasileiro é usado diretamente dentro dos aplicativos de bancos e fintechs nacionais, na Índia o UPI é processado via aplicativos de terceiros — e aqui entram as big techs. Google Pay e PhonePe (do Walmart) dominam mais de 80% das transações no país.

No Brasil, o Banco Central bloqueou a entrada de soluções estrangeiras antes da consolidação do Pix, argumentando proteção à concorrência. Essa decisão fortaleceu empresas nacionais e reduziu a influência estrangeira no ecossistema de pagamentos.


O papel estratégico do Pix brasileiro

Além de modernizar pagamentos, o Pix brasileiro tornou-se uma infraestrutura estratégica para o país. Sua adoção massiva reduziu custos de transação, diminuiu a dependência de bandeiras internacionais e inspirou outros países — como a Colômbia, que desenvolveu um sistema similar com tecnologia brasileira.

Economistas como Paul Krugman elogiam o Pix, afirmando que ele pode representar o “futuro do dinheiro” pela eficiência e baixo custo. Ao mesmo tempo, sua estrutura estatal o torna um símbolo de soberania digital e independência tecnológica.


Impactos econômicos e geopolíticos

A ofensiva de Trump contra o Pix brasileiro ocorre no contexto do tarifaço de 50% contra produtos brasileiros, parte de uma estratégia mais ampla de proteção à indústria americana. O setor de pagamentos é especialmente sensível porque movimenta trilhões e envolve gigantes do Vale do Silício.

Especialistas acreditam que, além da competição com empresas americanas, há preocupação com o precedente: se outros países seguirem o modelo brasileiro, grandes corporações perderiam espaço globalmente.


Lições da comparação com o UPI

A trajetória do UPI mostra que sistemas públicos ou semi-públicos podem coexistir com empresas estrangeiras quando há abertura e parceria com multinacionais. Já o Pix brasileiro demonstra que é possível criar um ecossistema nacional robusto e competitivo, mas isso pode gerar atritos comerciais com potências econômicas.

Para o Brasil, o desafio será defender o Pix como instrumento legítimo de política pública e, ao mesmo tempo, buscar sua internacionalização oficial, fortalecendo sua relevância no comércio global.


O futuro do Pix brasileiro

Há três frentes possíveis para o futuro do Pix brasileiro:

  1. Defesa comercial: o governo precisará negociar com os EUA para evitar sanções ou restrições.

  2. Inovação tecnológica: incorporar funcionalidades como pagamentos offline e integração com cartões de crédito, seguindo exemplos do UPI.

  3. Expansão internacional: estabelecer acordos bilaterais para uso do Pix em outros países de forma oficial.

O desfecho dessa disputa poderá definir não apenas o destino do Pix, mas também o modelo de pagamentos digitais no mundo nos próximos anos.

Tags: banco central PIXBig Techs e Pixfuturo do Pix.internacionalização do Pixpagamentos digitais BrasilPix brasileirosistema de pagamentos instantâneostarifaço TrumpTrump contra PixUPI Índia

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