Polícia Federal assume inquérito de bets que envolve Deolane Bezerra
A Polícia Federal assumiu oficialmente o inquérito que investiga suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo apostas esportivas e jogos on-line, com destaque para a influenciadora Deolane Bezerra. A decisão foi tomada pelo juiz Cesar Arthur Cavalcanti de Carvalho, da 13.ª Vara Federal de Pernambuco, que anulou todas as medidas cautelares e decisões ligadas à Operação Integration conduzidas anteriormente pela Polícia Civil estadual.
Segundo a determinação judicial, todas as provas produzidas no inquérito da Polícia Civil devem ser repassadas à Polícia Federal, garantindo que a investigação prossiga sob competência federal, especialmente nos trechos relacionados a lavagem de dinheiro, considerado crime de natureza federal.
Operação Integration e os alvos do inquérito
Deflagrada em setembro de 2024, a Operação Integration apura atuação de uma organização criminosa suspeita de explorar apostas ilegais e lavar recursos financeiros por meio de empresas de fachada. Entre os alvos do inquérito estão Deolane Bezerra e Darwin Henrique da Silva Filho, sócio controlador da casa de apostas Esportes da Sorte.
A investigação inicial apontou que o grupo utilizava empresas nos setores de eventos, publicidade, casas de câmbio e seguros para movimentar recursos ilícitos. Depósitos e transações bancárias suspeitas foram identificados, configurando indícios de lavagem de dinheiro.
No âmbito da Justiça Estadual, algumas medidas foram consideradas nulas pelo magistrado, incluindo mandados de prisão e de busca e apreensão realizados em Pernambuco, Paraíba, São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Goiás. Entre os alvos da primeira fase da operação estavam, além de Deolane Bezerra, sua mãe, Solange Bezerra.
Nulidade de atos e repasse à Polícia Federal
O juiz Cesar Arthur Cavalcanti de Carvalho enfatizou que “as medidas cautelares e decisões derivadas da Operação Integration são absolutamente nulas no que toca aos supostos crimes de competência federal”. Com isso, os procedimentos anteriores da Polícia Civil não possuem validade jurídica para apurações relacionadas à lavagem de dinheiro.
Além disso, o magistrado expediu ofício à Polícia Civil de Pernambuco solicitando que todas as provas inquisitoriais sejam encaminhadas diretamente à Polícia Federal, preservando a higidez da cadeia de custódia e o segredo de justiça, garantindo segurança jurídica na continuidade do inquérito.
Histórico de celebridades e casas de apostas na investigação
A Operação Integration também atingiu personalidades e empresas do setor de apostas. Em setembro de 2024, o cantor Gusttavo Lima foi indiciado por lavagem de dinheiro e organização criminosa relacionada à casa de apostas Vai de Bet, administrada por José André da Rocha Neto e Aislla Sabrina Truta Henriques da Rocha.
O artista estava na Grécia no momento da apreensão de um avião que havia pertencido a ele, realizado no aeroporto de Jundiaí, interior de São Paulo. Posteriormente, Gusttavo Lima e a empresa foram excluídos do processo, mas o episódio gerou grande repercussão midiática, reforçando a atenção do público sobre o setor de apostas e seu impacto regulatório.
A complexidade das investigações de bets
O caso evidencia a complexidade das investigações ligadas a apostas esportivas, casas de jogos e lavagem de dinheiro. As operações envolvem múltiplos estados, movimentações financeiras sofisticadas e interações entre pessoas físicas e jurídicas.
Especialistas apontam que a transferência do inquérito para a Polícia Federal permite maior coordenação e capacidade técnica para lidar com crimes de competência federal, como lavagem de dinheiro, corrupção e organização criminosa, garantindo que a apuração siga protocolos mais rigorosos e com alcance nacional.
Implicações legais para Deolane Bezerra e sócios de casas de apostas
Para Deolane Bezerra, a transferência do inquérito para a Polícia Federal significa que a influenciadora agora será investigada sob o crivo da legislação federal, com foco específico em crimes de maior complexidade, como lavagem de dinheiro.
Darwin Henrique da Silva Filho, sócio controlador da Esportes da Sorte, também terá sua atuação fiscalizada pela Polícia Federal, com atenção especial às movimentações financeiras e à estrutura corporativa das casas de apostas envolvidas.
O juiz destacou que “todos os demais pedidos de nulidade de atos ou decisões da justiça estadual relacionados a crimes de competência federal estão prejudicados diante da nulidade absoluta da primeira busca e apreensão”, reforçando a centralidade da Polícia Federal na condução do caso.
Cenário regulatório e o impacto das bets no Brasil
O caso da Operação Integration ocorre em meio a debates legislativos sobre a regulamentação de apostas esportivas e jogos on-line no Brasil. Recentemente, o Senado aprovou projeto proibindo publicidade de apostas esportivas, buscando reduzir impactos no consumo e na economia local.
Autoridades do setor de comércio e shoppings alertam que as bets podem desviar recursos do consumo e do varejo tradicional, reforçando a necessidade de fiscalização e de mecanismos de controle mais rigorosos.
Movimentações recentes de empresas e operadores de apostas
Além de Deolane Bezerra e Darwin Henrique, outros operadores de casas de apostas têm sido alvo de atenção das autoridades. Empresas ligadas ao setor, como a Vai de Bet, enfrentam investigação e monitoramento constante para verificar conformidade legal, práticas de compliance e movimentações financeiras.
O caso evidencia o risco de atuação de organizações criminosas que exploram lacunas regulatórias para lavagem de dinheiro e evasão fiscal, aumentando a responsabilidade da Polícia Federal e do Judiciário no combate a essas práticas.
Repercussão midiática e opinião pública
A transferência do inquérito para a Polícia Federal gerou ampla repercussão na mídia e entre internautas. A atuação de celebridades como Deolane Bezerra e Gusttavo Lima contribuiu para a visibilidade do caso, destacando a intersecção entre entretenimento, finanças e crime organizado.
Especialistas em direito penal e financeiro ressaltam que a centralização da investigação na Polícia Federal garante maior transparência, eficiência e segurança jurídica, fundamentais para processos envolvendo crimes complexos e movimentações financeiras expressivas.
Monitoramento da cadeia de custódia e sigilo de dados
A decisão judicial determinou que todas as provas inquisitoriais sejam repassadas à Polícia Federal com preservação do segredo de justiça, garantindo higidez da cadeia de custódia. Isso é essencial para evitar nulidades processuais, assegurar validade das provas e proteger direitos de investigados e terceiros.
O cumprimento rigoroso desses protocolos é considerado fundamental para a credibilidade do processo e para a manutenção da integridade das investigações sobre apostas ilegais no Brasil.
Perspectivas futuras da Operação Integration
Com a Polícia Federal assumindo a investigação, espera-se que a Operação Integration ganhe celeridade e profundidade técnica. A expertise federal permitirá análises mais detalhadas de movimentações financeiras, rastreamento de empresas de fachada e identificação de redes de lavagem de dinheiro associadas a bets.
Especialistas alertam que casos como o da Deolane Bezerra devem servir como alerta para o setor de apostas, evidenciando que fiscalização e regulação são essenciais para evitar fraudes, crimes financeiros e impactos negativos à economia.









