Preços da cesta junina sobem apenas 1,6% no último ano, aponta levantamento da FGV
A cesta junina – composta por alimentos tradicionais como milho, fubá, batata, mandioca, ovos, leite de coco, doces e outros itens típicos das festas de São João – teve aumento médio de apenas 1,6% nos últimos 12 meses, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da FGV (Ibre/FGV). O valor está bem abaixo da inflação média geral, medida pelo IPC‑M, que foi de 4,56% no mesmo período. Essa desaceleração de preços representa um respiro no bolso dos consumidores que curtem as comemorações juninas.
Com menos reajuste e até queda em alguns alimentos, o resultado reforça a tendência de contenção inflacionária no setor, reflexo de safra favorável e maior oferta agrícola. Embora ainda existam produtos em alta, as quedas acentuadas em itens-chave compensam as pressões e sustentam um cenário mais equilibrado neste ano.
Quedas fortes em alimentos-chave da cesta junina
Dentre os itens que compõem a cesta junina, alguns registraram quedas expressivas nos últimos 12 meses:
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Batata inglesa: queda de 26,28%, revertendo o aumento de 42% ocorrido em 2024;
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Fubá: recuo de 8,10%;
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Milho em conserva: queda de 5,99%;
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Milho de pipoca: diminuição de 5,22%.
Essa queda expressiva deve-se especialmente ao bom desempenho das safras e à reposição de estoques, que elevaram a oferta no mercado, contribuindo para a redução dos preços ao consumidor.
Itens que pressionam a cesta junina
Embora a cesta mostre desaceleração, alguns produtos típicos das festividades ainda registram altas consideráveis:
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Ovos: valorização de 15%;
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Aipim/mandioca: alta de 13,03%;
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Leite de coco: acréscimo de 12,96%;
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Doces e chocolates: aumento de 12,81%.
Esses reajustes refletem aumento de demanda, custos de produção e fatores climáticos. O processo de secagem da mandioca, aumento nos inputs para produção de doces e a demanda por ovos em receitas juninas explicam parte desse cenário de aumento.
Impacto no bolso dos consumidores
Em comparação com o ano anterior, quando os alimentos juninos tiveram inflação de até 50% no período de 12 meses, a alta moderada de 1,6% em 2025 representa alívio para as famílias. A manutenção dos preços, com algumas retrações, reduz o impacto no orçamento das famílias que celebram festas típicas com pratos como pamonha, canjica, curau, bolo de milho, pipoca e quentão.
Safra agrícola: motor da redução de preços
O bom desempenho das safras agrícolas foi um fator decisivo. Em 2024, condições climáticas adversas prejudicaram parte das colheitas. Já em 2025, houve recuperação significativa, com aumento da produtividade e oferta elevada de monoculturas como milho, mandioca e batata, reduzindo o preço desses produtos.
Com maior volume disponível, os preços sofrem pressão para baixo, e esse comportamento se traduz diretamente na cesta junina.
Volatilidade também reduzida em 2025
Além da inflação mais baixa, a cesta junina apresentou menor volatilidade. Em 2023, os preços desses alimentos chegaram a subir quase 50% em 12 meses, mas neste ano os reajustes ficaram em torno de 2% — um resultado mais estável, que facilita o planejamento financeiro das famílias e do comércio.
Como a tendência se distribui por regiões
Embora o estudo seja nacional, o comportamento dos preços tende a variar conforme a região. Estados produtores apresentam quedas mais acentuadas, enquanto áreas com menor produção local podem ter alta mais moderada. Os dados da FGV levam isso em consideração e validam o recuo médio mesmo com diferenças regionais.
Pressões específicas por item
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Ovos e aipim/mandioca responderam por parte da pressão inflacionária da cesta devido à maior demanda sazonal e exportações;
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Doces e leite de coco foram afetados por custos industriais e movimentação do setor alimentício durante o inverno, período tradicional de consumo junino.
O que esperar para as próximas festas juninas
Caso as safras de milho, mandioca e batata mantenham produtividade, espera-se que os preços sigam contidos durante o segundo semestre. O pesquisador do Ibre/FGV aponta que a tendência de estabilização deve se manter, com elevação leve, mas sem grandes pressões, o que traz previsibilidade e bem-estar para consumidores e comerciantes.
Dicas para economizar na cesta junina
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Observe a sazonalidade: produtos em safra têm preço melhor;
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Prefira hortifrúti de produtores locais: normalmente mais baratos que os industrializados;
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Monte a festa com antecedência: ajuda a aproveitar promoções;
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Compre ingredientes de preparo coletivo: itens a granel saem mais em conta;
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Monitore preços por região: adaptando receitas conforme disponibilidade.
A cesta junina de 2025 traz boas notícias: com alta de apenas 1,6% nos preços e quedas expressivas em itens-chave, o cenário é de alívio para os consumidoras. Apesar de alguns alimentos pressionarem a inflação, o balanço geral é positivo, refletindo safra favorável e maior oferta. O resultado fortalece a expectativa de uma festa de São João mais acessível, com equilíbrio entre tradição, sabor e economia.






