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Prisão de Vorcaro: PF apreende arma e detalha atuação do “Sicário” do Banco Master

por Álvaro Lima
04/03/2026 às 14h38
em Economia
Prisão De Vorcaro: Pf Apreende Arma E Detalha Atuação Do “Sicário” Do Banco Master - Gazeta Mercantil

Prisão de Vorcaro: PF encontra arma e detalha atuação do “Sicário” do grupo Master

A prisão de Vorcaro nesta quarta-feira (4) marca uma nova fase das investigações da Polícia Federal sobre o grupo econômico ligado ao Banco Master. Determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, a decisão foi baseada em evidências de coação por meio de milícia privada, monitoramento de adversários e uso de violência contra funcionários e jornalistas que contrariavam os interesses do investigado.

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Durante a operação, a PF apreendeu uma arma na residência de Luiz Phillipi Mourão, conhecido como o “Sicário” do grupo de Vorcaro. Mourão seria responsável por executar as instruções do ex-banqueiro, envolvendo desde monitoramento de alvos até agressões físicas. As medidas refletem a gravidade das ações e a articulação de uma estrutura paralela de intimidação, que funcionava em paralelo às operações financeiras suspeitas do Banco Master.

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“A Turma”: grupo de WhatsApp para vigilância e intimidação

Conforme detalhado na decisão do STF, Vorcaro mantinha um grupo no WhatsApp chamado “A Turma”, utilizado para coordenar atividades de vigilância e intimidação de adversários. O grupo incluía Mourão, cunhados e outros integrantes, que executavam ordens de monitoramento e agressão física. Em mensagens interceptadas pela PF, Vorcaro orientava Mourão a “dar um sacode” em um chefe de cozinha ligado a um ex-funcionário, e a “moer” uma empregada que o ameaçava.

“Empregada Monique me ameaçando. É mole? Tem que moer essa vagabunda”, dizia uma das mensagens. Quando questionado sobre como agir, Mourão recebia instruções precisas: “Puxa endereço tudo”.

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Segundo os investigadores, essas comunicações mostram o caráter sistemático da ação e o uso da violência como instrumento de controle e intimidação, configurando coação no curso do processo, crime pelo qual a prisão preventiva de Vorcaro e Mourão foi solicitada e deferida pelo STF.

Atuação de Mourão e a relação direta com Vorcaro

O despacho de Mendonça descreve Mourão como peça central na execução das ordens de Vorcaro. Ele teria recebido R$ 1 milhão por mês para realizar atividades ilícitas, incluindo coleta de informações sigilosas, rastreamento de alvos e interferência em situações sensíveis aos interesses do grupo investigado.

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As investigações apontam que Mourão acessava dados de sistemas restritos de órgãos como a Polícia Federal, o Ministério Público Federal e até do FBI, além de bases abertas, ampliando o alcance das operações de monitoramento. A atuação de Mourão, sob coordenação direta de Vorcaro, evidencia a formação de uma rede estruturada para intimidação, espionagem e neutralização de adversários.

Compliance Zero: terceira fase

A prisão de Vorcaro ocorre no contexto da terceira fase da Operação Compliance Zero, que investiga supostas fraudes bilionárias no sistema financeiro. Desde sua primeira fase, deflagrada em novembro de 2025, a operação apura a venda de carteiras de crédito sem lastro, uso de fundos de investimento ligados à gestora Reag e movimentação de ativos problemáticos.

Na segunda fase, em janeiro de 2026, o foco se expandiu para a circulação de recursos em fundos de investimento e aquisição de ativos de alto risco. Agora, na terceira fase, a operação inclui prisões e medidas cautelares contra investigados que monitoravam e intimidavam alvos que contrariavam Vorcaro.

A investigação aponta que o grupo teria utilizado estruturas do mercado financeiro para captar recursos, movimentar ativos de alta volatilidade e ocultar prejuízos, configurando suspeitas de gestão fraudulenta de instituição financeira, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Interferência em órgãos públicos

Além das ações de violência e intimidação, a PF identificou indícios de que Vorcaro e Mourão tentaram interferir em investigações e manipular servidores públicos. Um exemplo citado na decisão é a suposta corrupção de um servidor do Banco Central, envolvendo uma viagem à Disney, para favorecer interesses do grupo Master.

O nível de articulação do esquema revela um padrão de ação meticuloso, combinando força, espionagem e influência sobre autoridades, com o objetivo de proteger interesses financeiros ilícitos. Essa combinação reforça a gravidade da conduta e justifica a manutenção da prisão preventiva do ex-banqueiro.

Impactos para o sistema financeiro

As descobertas da PF sobre a atuação do grupo Master têm repercussão direta no sistema financeiro. A utilização de milícias privadas para coagir funcionários, jornalistas e adversários, somada à manipulação de ativos de risco e fraudes, expõe vulnerabilidades regulatórias e a necessidade de reforço na fiscalização de instituições financeiras.

Especialistas destacam que a exposição pública do esquema pode impactar a confiança de investidores e clientes, além de gerar medidas de compliance mais rigorosas em bancos médios e grandes que operam no mesmo segmento. O caso reforça a importância da supervisão ativa e do controle interno robusto para prevenir abusos e proteger o mercado financeiro.

Repercussão jurídica

O pedido de prisão de Vorcaro e Mourão, deferido pelo STF, evidencia a atuação da Justiça na proteção do curso legal das investigações e na garantia de segurança de alvos ameaçados. A decisão também sinaliza o aumento da responsabilização de líderes de organizações criminosas que atuam no setor financeiro, indicando uma tendência de maior rigor contra crimes econômicos e violência associada.

A defesa de Vorcaro afirma que o ex-banqueiro colaborou com as investigações e não obstruiu a Justiça. No entanto, as evidências apresentadas pela PF — mensagens interceptadas, rastreamento de alvos e apreensão de armas — reforçam o caráter estruturado das ações de coação e violência.

Perspectivas e próximos passos

Com a terceira fase da Operação Compliance Zero, a PF segue investigando o grupo Master, incluindo possíveis novas prisões e medidas cautelares. As autoridades monitoram a continuidade das atividades ilícitas e a identificação de outros membros da rede que podem ter participado de espionagem, intimidação e manipulação de informações financeiras.

A complexidade do caso exige integração entre órgãos de investigação, monitoramento de transações financeiras suspeitas e análise detalhada das comunicações digitais. A prisão de Vorcaro representa um passo importante para o desmantelamento do esquema, mas as investigações devem continuar para garantir responsabilização plena de todos os envolvidos.

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