Governo e Judiciário monitoram risco de propaganda eleitoral antecipada de Lula no Carnaval
O governo federal e setores do Judiciário acompanham com atenção o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageará o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Carnaval de 2026. Nos bastidores do Palácio do Planalto, a avaliação é de que o evento pode abrir uma frente de questionamentos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), caso seja interpretado como propaganda eleitoral antecipada Lula, ou ainda como uso indevido de estrutura pública com finalidade política.
A preocupação é reforçada por precedentes envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), declarado inelegível pelo TSE após constatação de abuso de poder político e uso indevido de meios oficiais. Em 30 de junho de 2023, Bolsonaro foi condenado por ter promovido reunião com embaixadores em julho de 2022 no Palácio da Alvorada, utilizando recursos públicos para disseminar informações infundadas sobre urnas eletrônicas, ficando inelegível até 2030.
Ministros e assessores do Judiciário destacam que eventos públicos com participação do chefe do Executivo, associados a manifestações culturais ou artísticas, precisam ser avaliados sob critérios rígidos para evitar interpretações como propaganda eleitoral antecipada Lula, o que poderia gerar ações judiciais, sanções e desgaste político em período pré-eleitoral.
Alerta no Palácio do Planalto
Aliados do presidente Lula acompanham o tema de perto, avaliando possíveis impactos jurídicos e políticos do desfile. A preocupação é que um ato simbólico de homenagem se transforme em foco de judicialização, trazendo repercussões para a imagem do governo em um momento sensível do calendário eleitoral.
A atenção do Planalto é reforçada pelo fato de que, no próximo ciclo, o TSE será presidido por Kassio Nunes Marques, indicado ao tribunal por Bolsonaro, o que aumenta o interesse do governo na condução cautelosa de eventos públicos que possam ser questionados sob a ótica eleitoral.
Integrantes do governo destacam que a situação exige equilíbrio entre celebração cultural e observância das normas eleitorais, especialmente considerando que o evento será transmitido em rede nacional por emissoras públicas, o que amplia o alcance e o potencial de críticas de opositores.
Ação do Partido Novo no TSE
Na terça-feira (10/2), o Partido Novo protocolou representação no TSE contra o presidente Lula, o PT e a escola de samba Acadêmicos de Niterói, alegando que o samba-enredo escolhido configura propaganda eleitoral antecipada Lula.
O samba-enredo, intitulado “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, foi considerado pelo partido como extrapolando os limites de uma homenagem cultural, funcionando como peça de pré-campanha ao associar a trajetória política do presidente a elementos típicos de campanha eleitoral.
O Novo solicitou a aplicação de multa de R$ 9,65 milhões, correspondente ao custo econômico total da ação, reforçando a dimensão financeira e política do litígio.
Senadora Damares Alves aciona Ministério Público Eleitoral
Paralelamente, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) acionou o Ministério Público Eleitoral (MPE), questionando o desfile e o enredo da escola de samba. Segundo a senadora, a canção promove a imagem pessoal de Lula e contém ataques diretos a adversários políticos, incluindo referência ao ex-presidente Bolsonaro.
O pedido de Damares também destacou que o evento contará com transmissão em rede nacional por emissoras públicas e será financiado com recursos públicos, reforçando o argumento de que há uso de estrutura estatal para fins eleitorais.
Recursos financeiros e estrutura do desfile
A representação cita repasses do governo do Rio de Janeiro à escolas do Grupo Especial de Samba, totalizando R$ 40 milhões, além de valores adicionais da Riotur que somam cerca de R$ 2 milhões. Esses dados reforçam o debate sobre o uso de recursos públicos em manifestações culturais que contenham menções políticas, especialmente durante o período pré-eleitoral.
Apesar das representações, a Justiça Federal já negou seguimento a algumas ações. O juiz Francisco Valle Brum, da 21ª Vara Federal do Distrito Federal, rejeitou pedido relacionado ao enredo. Além disso, o ministro do TCU, Aroldo Cedraz, já rejeitou solicitação de suspensão do repasse da Embratur à escola de samba.
Gleisi Hoffmann e a repercussão política
Nesta terça, durante sessão solene na Câmara dos Deputados, a ministra de Relações Institucionais Gleisi Hoffmann cantou trechos do samba-enredo em homenagem a Lula. “Vamos aproveitar esse Carnaval, gente, pra brincar, pra se divertir, vamos curtir o samba-enredo do presidente Lula, que é lindo e conta a vida dele”, afirmou.
A ministra destacou versos como “Quanto custa a fome? Quanto importa a vida? Nosso sobrenome é Brasil da Silva”, que reforçam a narrativa do enredo e sua ligação direta à trajetória política do presidente. O ato político-cultural gerou aplausos entre parlamentares, mas também ampliou debates sobre propaganda eleitoral antecipada Lula, intensificando a atenção do TSE e do Planalto.
Riscos políticos e estratégicos para o governo
A ação da escola de samba e a repercussão nacional do desfile representam um risco potencial de desgaste político, principalmente em cenário pré-eleitoral. Para o governo, o desafio é equilibrar celebrações culturais com cumprimento da legislação eleitoral, evitando que a homenagem se transforme em litígio que prejudique a imagem do presidente.
Analistas políticos destacam que a atenção ao tema não é apenas simbólica: envolve impactos econômicos e reputacionais, especialmente para setores empresariais e culturais que participam de eventos financiados com recursos públicos. A eventual judicialização do desfile pode gerar precedentes sobre limites de homenagens culturais associadas a figuras políticas.
Tendências e impactos na legislação eleitoral
O caso da propaganda eleitoral antecipada Lula reforça a necessidade de definição clara de critérios sobre uso de recursos públicos, transmissão em rede nacional e exaltação de figuras políticas em eventos culturais. Especialistas em direito eleitoral indicam que decisões do TSE sobre este tema poderão criar jurisprudência relevante para futuras eleições, influenciando campanhas, patrocínios e estratégias políticas em todo o país.
O governo, por sua vez, monitora ações judiciais e avalia impactos estratégicos, reconhecendo que o desfile não é apenas um evento cultural, mas também uma oportunidade de exposição política, com repercussões para alianças e posicionamentos de partidos e empresários.









