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Quebra de patente de caneta emagrecedora avança na Câmara e pode ampliar acesso à tirzepatida

por Carlos Menezes
13/02/2026 às 02h24
em Saúde
Tirzepatida - Gazeta Mercantil

Quebra de patente de caneta emagrecedora avança na Câmara em regime de urgência

A Câmara dos Deputados deve colocar em pauta, logo após o Carnaval, o debate sobre a quebra de patente de caneta emagrecedora, com potencial impacto direto no acesso a medicamentos à base de tirzepatida, como Mounjaro e Zepbound. O Projeto de Lei 68/26, apresentado pelo deputado Mário Heringer (PDT-MG), tramita em regime de urgência, permitindo que a votação ocorra diretamente em Plenário, sem passar pelas comissões permanentes. Para se tornar lei, a proposta ainda precisa do aval do Senado.

A assessoria do parlamentar informou que Heringer deverá solicitar a inclusão da matéria na pauta da próxima reunião do colégio de líderes. “Existe sim uma previsão para ser votada após o Carnaval, mas tudo depende de como serão acertadas as pautas na reunião de líderes. Até lá, tudo é apenas uma previsão”, destacou.

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Medicamentos de interesse público

O projeto considera de interesse público os medicamentos Mounjaro e Zepbound, utilizados no tratamento da obesidade, doenças crônicas associadas ao sobrepeso e diabetes mellitus tipo 2. A declaração de interesse público é um requisito legal para que o governo possa autorizar a quebra de patente.

Heringer argumenta que o alto custo desses medicamentos restringe o acesso da população. Atualmente, uma caneta de Mounjaro pode custar entre R$ 1.400 e R$ 3 mil, dependendo da dosagem. Para o deputado, ampliar o acesso à tirzepatida representa uma medida estratégica para prevenir complicações graves de saúde e reduzir gastos públicos com o tratamento de doenças associadas à obesidade.

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Alterações na Lei de Propriedade Industrial

O Projeto de Lei 68/26 propõe alterações na Lei 9.279/96, que regula a propriedade industrial, permitindo a quebra de patente em casos de emergência nacional ou interesse público. Nesse cenário, o governo pode autorizar a produção do medicamento por outra empresa, mediante pagamento ao detentor da patente. A legislação estabelece que a compensação corresponde a 1,5% do preço do produto, garantindo algum retorno financeiro ao laboratório titular da patente.

O parlamentar enfatiza que, além de ampliar o acesso à saúde, a medida pode representar economia significativa para os cofres públicos. “O custo da compensação será inferior às despesas com o tratamento de complicações decorrentes da obesidade. É vantagem para o Brasil, é vantagem para quem mais precisa. Hoje, a tirzepatida é um medicamento de elite. Precisamos democratizar a saúde pública”, afirmou.

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Reação contrária de parlamentares

Apesar da urgência do projeto ter sido aprovada pela maioria do Plenário, a proposta gerou críticas. A deputada Adriana Ventura (Novo-SP) declarou que a medida pode gerar insegurança jurídica para a indústria farmacêutica e para investidores de inovação no país. “É vergonhoso quebrar patentes sem os devidos estudos”, afirmou.

Especialistas em propriedade intelectual alertam que a quebra de patentes, mesmo quando justificada por interesse público, pode impactar o ambiente de investimento em pesquisa e desenvolvimento farmacêutico. O debate promete dividir opiniões no Parlamento, com argumentos que envolvem saúde pública, custos governamentais e segurança jurídica para o setor industrial.

Impactos na população e no sistema de saúde

A limitação do acesso à tirzepatida é apontada como uma barreira para tratamentos mais eficazes contra a obesidade e doenças associadas. Com a possibilidade de quebra de patente, medicamentos atualmente restritos a pacientes com maior poder aquisitivo podem se tornar mais acessíveis a um público mais amplo.

Para o setor de saúde pública, a medida poderia representar redução de custos a médio e longo prazo. A obesidade está relacionada a uma série de complicações, como hipertensão, doenças cardiovasculares e diabetes tipo 2. A democratização do acesso à tirzepatida poderia, portanto, reduzir internações e gastos hospitalares, promovendo mais eficiência no orçamento da saúde.

Exclusões do projeto

O projeto de lei exclui medicamentos à base de liraglutida, como o Saxenda, cuja patente já expirou, e produtos com semaglutida, como o Ozempic, cujas patentes vencem ainda neste ano. A exclusão demonstra a intenção do legislador de focar na tirzepatida como prioridade, em função de seu alto custo e impacto potencial na saúde pública.

Próximos passos no Congresso

Com a tramitação em urgência, o projeto tem caminho acelerado na Câmara, mas ainda dependerá de negociações no Senado para se tornar lei. A inclusão da matéria na pauta depende da definição dos líderes partidários, mas existe consenso de que a temática do acesso a medicamentos de alto custo será central nas discussões parlamentares nos próximos meses.

A expectativa é de que o debate envolva não apenas deputados e senadores, mas também representantes da indústria farmacêutica, associações médicas e entidades de defesa do consumidor. O tema mobiliza diferentes setores da sociedade, em torno da questão estratégica de saúde pública versus proteção de propriedade intelectual.

Debate sobre inovação e investimento

A quebra de patente levanta questionamentos sobre o equilíbrio entre saúde pública e incentivo à inovação farmacêutica. O argumento dos opositores centra-se na necessidade de garantir retorno financeiro para empresas que investem em pesquisa e desenvolvimento. Por outro lado, defensores apontam que a prioridade deve ser a ampliação do acesso a tratamentos essenciais e a redução de desigualdades no sistema de saúde.

Especialistas destacam que medidas de interesse público em saúde são praticadas em diversos países, especialmente em situações de emergência ou alto impacto social. No caso da tirzepatida, o debate no Brasil se intensifica em função do preço elevado do medicamento e do crescimento da obesidade e doenças associadas no país.

Perspectivas para o mercado farmacêutico

A aprovação da quebra de patente pode gerar efeitos significativos no mercado farmacêutico. Empresas nacionais teriam a possibilidade de produzir versões genéricas da tirzepatida, aumentando a concorrência e potencialmente reduzindo preços. Para o governo, isso representa uma oportunidade de reduzir despesas com medicamentos importados ou de alto custo.

Ao mesmo tempo, a medida pode incentivar debates sobre políticas de inovação e proteção de propriedade industrial no Brasil. O resultado desse projeto pode estabelecer precedentes para futuras decisões sobre acesso a medicamentos e políticas de saúde pública.

O Projeto de Lei 68/26 coloca o Brasil diante de um debate crucial: como equilibrar acesso a medicamentos de alto custo e proteção da propriedade intelectual. Com tramitação acelerada, atenção do Congresso e impacto direto no bolso da população, a quebra de patente de caneta emagrecedora é um tema que promete permanecer em evidência nos próximos meses, mobilizando diferentes setores da sociedade e reforçando a discussão sobre saúde pública e inovação.

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