A queda das ações da Tesla: como o embate entre Elon Musk e Donald Trump causou o maior prejuízo da história da montadora
A guerra de egos que abalou o mercado: entenda os impactos econômicos e políticos
A Tesla, uma das empresas mais valiosas do setor de tecnologia e pioneira no mercado de veículos elétricos, enfrentou uma de suas semanas mais turbulentas. Em um episódio marcado por tensões políticas, desentendimentos públicos e perdas bilionárias, a empresa comandada por Elon Musk registrou uma queda histórica de 14% em suas ações em apenas um dia — o que representou uma perda de impressionantes US$ 153 bilhões em valor de mercado. O estopim? Um conflito direto com o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Vejae como a queda das ações da Tesla está diretamente ligada ao conflito político entre Musk e Trump, os desdobramentos econômicos para a montadora e o que esperar do mercado nos próximos meses.
Contexto da crise: quando política e negócios se chocam
A relação entre Elon Musk e Donald Trump sempre foi marcada por idas e vindas. Em 2016, o CEO da Tesla chegou a integrar o conselho consultivo do então presidente, sugerindo um alinhamento ideológico e estratégico. No entanto, em 2025, essa aliança desmoronou de forma dramática. O que começou como uma divergência em torno de uma proposta de legislação tributária evoluiu para um confronto público, com ameaças explícitas de Trump de cortar contratos governamentais e subsídios para a Tesla e para a SpaceX — outra gigante controlada por Musk.
Esse embate teve repercussão direta no mercado financeiro. A queda das ações da Tesla em 14% marcou a maior desvalorização em um único dia na história da empresa. A fuga dos investidores, motivada por incertezas regulatórias e instabilidade política, resultou em um prejuízo sem precedentes para a companhia.
Por que a queda das ações da Tesla foi tão significativa?
Não é incomum que ações da Tesla apresentem oscilações significativas. A figura de Elon Musk está profundamente ligada ao desempenho da empresa, e seus posicionamentos públicos costumam impactar diretamente o humor do mercado. Contudo, a queda recente foi além do padrão.
Em apenas 24 horas, a Tesla perdeu US$ 153 bilhões em valor de mercado. Para se ter uma ideia da magnitude dessa perda, trata-se de um valor maior do que o PIB de muitos países de médio porte. Além disso, a desvalorização representou ganhos de US$ 4 bilhões para vendedores a descoberto, que lucraram apostando na queda da empresa.
Essa oscilação brusca expõe a fragilidade da Tesla diante de instabilidades políticas. Analistas apontam que o problema central está na concentração de poder e influência em torno da figura de Musk. Como o mercado enxerga o empresário como a personificação da Tesla, qualquer crise envolvendo seu nome afeta diretamente os ativos da companhia.
Reação do mercado: volatilidade e incerteza
Nas negociações de pré-mercado do dia seguinte ao colapso, as ações da Tesla mostraram um leve sinal de recuperação, com alta de 4,7%. No entanto, analistas apontam que esse movimento não é necessariamente indicativo de estabilização. A volatilidade continua elevada, e o ambiente político instável torna o cenário ainda mais incerto.
Daniel Ives, da Wedbush Securities, destaca que embora continue otimista com relação ao futuro da empresa, a guerra pessoal entre Musk e Trump pode representar um “obstáculo regulatório” relevante durante um possível novo mandato do ex-presidente. Isso porque, caso Trump volte ao poder, ele pode utilizar o aparato governamental para penalizar empresas ligadas a seus adversários.
Efeitos colaterais: da percepção pública ao enfraquecimento da Tesla
A queda das ações da Tesla não é apenas um fenômeno financeiro. Ela também reflete mudanças mais profundas na percepção da marca e em sua base de consumidores. A empresa, que antes era vista como símbolo de inovação e sustentabilidade, tem perdido parte desse prestígio por conta das controvérsias públicas envolvendo Musk.
Desde 2023, protestos contra a Tesla aumentaram nos Estados Unidos e na Europa, impulsionados por declarações políticas controversas do CEO. No exterior, a situação também é desafiadora. A chinesa BYD ultrapassou a Tesla em vendas na Europa pela primeira vez, com um crescimento de 169%, evidenciando a perda de competitividade da norte-americana em mercados estratégicos.
Esses fatores minam a confiança dos investidores de longo prazo e dificultam a atração de novos consumidores. A Tesla já acumula uma desvalorização de 41% em relação ao seu pico histórico registrado em dezembro.
As visões do mercado: entre crítica e cautela
Diversos analistas financeiros expressaram preocupações com o futuro da Tesla diante da instabilidade causada pela guerra de egos entre Elon Musk e Donald Trump:
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Wayne Kaufman, da Phoenix Financial Services, classificou a situação como “infantil” e lamentou o fato de a imagem de Musk estar inseparavelmente ligada ao valor das ações.
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Adam Sarhan, da 50 Park Investments, alertou para os possíveis impactos negativos nos lucros da Tesla, caso o conflito continue escalando.
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Ross Gerber, da Gerber Kawasaki, ressaltou que a única defesa real dos acionistas, nesse momento, é vender suas posições, algo que ele próprio tem feito.
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Dave Mazza, da Roundhill Financial, chamou atenção para a complexidade adicional que essa crise traz, em um momento em que a empresa já enfrentava dificuldades com as vendas de carros.
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Tom Orlik, da Bloomberg Economics, lembrou que penalizar empresas como a Tesla pode comprometer a liderança tecnológica dos EUA em áreas estratégicas como veículos elétricos, satélites e inteligência artificial.
Perspectivas: o que esperar da Tesla após a queda?
Apesar da turbulência, alguns investidores enxergam na queda das ações da Tesla uma oportunidade de entrada, acreditando em uma possível recuperação futura. Entretanto, essa é uma aposta de risco. O cenário atual envolve uma série de variáveis imprevisíveis, desde decisões políticas até a volatilidade típica das ações da companhia.
A Tesla também enfrenta uma competição cada vez mais acirrada no setor de veículos elétricos. Montadoras chinesas, como a BYD, estão expandindo suas operações globais com preços mais competitivos e forte apoio estatal. Se a empresa norte-americana não conseguir restaurar sua imagem e estabilidade institucional, corre o risco de perder terreno de forma definitiva.
O custo de uma guerra de vaidades
A maior queda de ações da história da Tesla não foi causada por fatores técnicos, econômicos ou operacionais. Foi consequência de um embate entre duas das personalidades mais influentes da atualidade: Elon Musk e Donald Trump. Essa disputa pública gerou não apenas prejuízos financeiros gigantescos, mas também um abalo de confiança que pode impactar o futuro da empresa a longo prazo.
Em um mercado onde percepção é valor, a imagem de uma companhia pode valer tanto quanto sua tecnologia. E, nesse caso, a imagem foi profundamente afetada. A Tesla continua sendo uma empresa com grande potencial, mas o caminho à frente exige mais do que inovação: requer maturidade, estabilidade e responsabilidade corporativa.






