Queda do Ibovespa Futuro: Entenda os Impactos da Guerra Comercial EUA-China e a Reação do Mercado
Contexto global leva o principal índice da Bolsa brasileira a iniciar a semana em forte baixa, refletindo temores sobre recessão e decisões de política monetária nos Estados Unidos
O Ibovespa Futuro abriu a semana em forte queda, registrando recuo de 1,18% nesta segunda-feira, 7 de abril de 2025, aos 126.020 pontos, em resposta direta ao agravamento das tensões comerciais entre os Estados Unidos e a China. A declaração do ex-presidente americano Donald Trump, sinalizando endurecimento nas tarifas contra os chineses, fez os investidores redobrarem as apostas em cortes na taxa de juros pelo Federal Reserve (Fed), e provocou uma onda de aversão ao risco nos mercados globais. O efeito dominó atingiu desde Wall Street até as bolsas da Ásia e impactou diretamente o desempenho do mercado brasileiro.
Trump intensifica guerra comercial com a China
Em meio à crescente pressão econômica global, Donald Trump afirmou que “às vezes é preciso tomar remédios”, em alusão ao tratamento duro que considera necessário aplicar à China em termos comerciais. A fala indicou que não haverá concessões enquanto o déficit comercial norte-americano não for revertido, esfriando as expectativas de qualquer acordo no curto prazo.
A postura mais agressiva do ex-presidente norte-americano reacendeu os temores de uma recessão global, já que o prolongamento da guerra comercial pode enfraquecer o comércio internacional, reduzir investimentos e derrubar a demanda por commodities, especialmente petróleo e minério de ferro – produtos essenciais na balança comercial de países emergentes como o Brasil.
Reação dos mercados globais: Wall Street e Ásia em queda
A resposta dos mercados não demorou. Os futuros dos índices norte-americanos despencaram: o Dow Jones Futuro caiu 2,13%, o S&P500 perdeu 2,50%, e o Nasdaq Futuro teve a maior queda, de 2,92%. Esse movimento refletiu diretamente nas apostas do mercado quanto às decisões do Federal Reserve. Já se espera quase cinco cortes de 25 pontos-base na taxa básica de juros dos Estados Unidos ainda em 2025.
Na Ásia, o pânico também se instalou. O Hang Seng Index, de Hong Kong, caiu 13,74%, enquanto o índice de Shanghai recuou 7,34%. A percepção é que a Ásia será diretamente impactada pelas medidas protecionistas americanas, especialmente o setor exportador chinês, o que pode desacelerar ainda mais a segunda maior economia do mundo.
Ibovespa Futuro: reflexo do cenário externo e interno
O desempenho do Ibovespa Futuro no Brasil é reflexo direto dessa instabilidade global. O índice futuro serve como termômetro das expectativas do mercado sobre o desempenho do índice Ibovespa no pregão à vista e, por isso, costuma reagir de forma antecipada a movimentos relevantes no cenário internacional.
Além das preocupações externas, o mercado local também observa com atenção os movimentos políticos e econômicos internos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está em Minas Gerais para anunciar a expansão da fábrica da Novo Nordisk em Montes Claros e, posteriormente, segue para São Paulo, onde participa da cerimônia de investimentos do Mercado Livre, ao lado do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Essas agendas demonstram uma tentativa do governo de manter o otimismo interno apesar da turbulência global.
Dólar em alta e commodities em queda
A aversão ao risco também se refletiu na cotação do dólar. Às 09h05 (horário de Brasília), o dólar à vista subia 0,85%, cotado a R$ 5,883 tanto para compra quanto para venda. O contrato futuro da moeda americana com vencimento mais próximo avançava 0,48%, negociado a 5.912 pontos na B3.
Enquanto isso, os preços das commodities – especialmente petróleo e minério de ferro – recuaram fortemente. O petróleo registrava queda de mais de 3%, e o minério de ferro atingiu o menor patamar em mais de duas semanas, pressionado pelo nervosismo dos investidores com a possível redução da demanda global, consequência de uma recessão econômica.
Essas retrações impactam diretamente a performance das ações de empresas brasileiras exportadoras e influenciam negativamente o Ibovespa, contribuindo para sua trajetória de queda.
Banco Central e expectativas de política monetária
No campo institucional, o Banco Central brasileiro também esteve sob os holofotes. O presidente da autoridade monetária, Gabriel Galípolo, participou do evento de Premiação Anual Rankings Top 5 2024, acompanhado de outros diretores da instituição. Ainda que sem declarações formais sobre a política monetária, o mercado monitora com atenção os sinais do BC, especialmente diante da possibilidade de mudanças no ciclo de juros caso o cenário externo se deteriore ainda mais.
Investidores esperam definição do Fed
O foco do mercado agora se volta ao Federal Reserve. Com a inflação americana sob relativo controle, mas com os riscos de desaceleração econômica se acentuando, cresce a expectativa de que o banco central dos Estados Unidos inicie cortes mais agressivos na taxa básica de juros.
Caso essas reduções se confirmem, pode haver alívio nos mercados emergentes, com valorização de ativos de risco e eventual queda no dólar. No entanto, até que isso ocorra, o clima seguirá volátil e os investidores deverão manter uma postura defensiva, reduzindo exposição a ativos considerados mais arriscados, como ações de empresas brasileiras.
Perspectivas para os próximos dias
Diante do cenário descrito, a tendência é que o Ibovespa Futuro siga oscilando fortemente nos próximos dias, refletindo tanto os desdobramentos da guerra comercial entre EUA e China quanto as decisões do Federal Reserve e as sinalizações do governo brasileiro.
Analistas apontam que a volatilidade pode aumentar ainda mais com a proximidade da divulgação de dados econômicos importantes nos EUA, como o relatório de emprego (payroll) e o índice de inflação ao consumidor (CPI). A depender dos resultados, as apostas em cortes nos juros podem ser intensificadas ou revistas.
No Brasil, a política fiscal e a condução da reforma tributária também seguem no radar dos investidores. Qualquer sinal de fragilidade na articulação política do governo Lula pode contribuir para ampliar a aversão ao risco e pressionar ainda mais o Ibovespa.
A queda do Ibovespa Futuro nesta segunda-feira representa um reflexo claro da tensão internacional provocada pelas declarações de Donald Trump e pela incerteza em torno da política monetária dos Estados Unidos. O mercado global vive um momento de grande instabilidade, e o Brasil, como economia emergente, sente os impactos de forma direta, principalmente em sua Bolsa de Valores e no câmbio.
Os investidores devem seguir atentos aos desdobramentos internacionais e à postura do Banco Central dos EUA, que poderá definir os rumos do mercado financeiro global nas próximas semanas. No cenário interno, as ações do governo e o avanço de projetos econômicos serão essenciais para mitigar os efeitos da crise externa.






