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Santander (SANB11) Cai 2,5% no 4T25: Análise do Resultado e Dividendos

por João Souza
04/02/2026 às 12h58
em Negócios
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Documentação garantida pelo banco: a estratégia que protege compradores e agiliza investimentos imobiliários – Créditos: depositphotos.com / boggy22

Santander (SANB11) recua 2,5% após balanço do 4T25: deterioração do crédito e receitas fracas pressionam setor bancário

O mercado financeiro reagiu com forte aversão ao risco nesta quarta-feira (4), penalizando severamente os papéis do setor bancário na B3. O epicentro do movimento de correção foram as units do SANB11, que registraram queda superior a 2,5% durante o pregão, após a divulgação dos resultados referentes ao quarto trimestre de 2025 (4T25). O balanço, aguardado com expectativa por analistas e investidores, trouxe à tona preocupações estruturais sobre a qualidade da carteira de crédito e a capacidade da instituição em gerar receitas operacionais robustas em um cenário macroeconômico ainda desafiador. O desempenho aquém do esperado contaminou seus pares, arrastando o Ibovespa para o terreno negativo.

A desvalorização do SANB11 reflete uma leitura minuciosa dos números apresentados. Embora o banco tenha demonstrado resiliência no controle de custos — uma marca histórica da gestão do Santander Brasil —, as linhas de receita e, crucialmente, as provisões para devedores duvidosos (PDD) acenderam o sinal de alerta nas mesas de operações. Em um ambiente onde a precificação dos ativos exige prêmio de risco ajustado, a estabilidade do Retorno sobre o Patrimônio (ROE) não foi suficiente para sustentar o valuation no curto prazo, desencadeando ordens de venda massivas por parte de investidores institucionais.

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Análise do ROE e a “qualidade” do lucro apresentado

Um dos pontos centrais da discussão sobre o desempenho do SANB11 reside na composição de sua rentabilidade. O banco reportou um ROE de 17,6% no 4T25, um patamar que, estatisticamente, indica estabilidade em relação aos trimestres anteriores. No entanto, para um analista sênior, o número absoluto conta apenas metade da história. O mercado questiona a “qualidade” desse retorno. Relatórios preliminares de casas de análise, como o Bradesco BBI, indicam que parte desse resultado foi sustentada por uma carga tributária menor, e não necessariamente por uma expansão orgânica da margem financeira ou das receitas de serviços.

Quando o lucro líquido de uma instituição financeira como o detentor do ticker SANB11 é impulsionado por benefícios fiscais ou eventos não recorrentes, o mercado tende a descontar esse valor do preço da ação, pois tais eventos não são perpetuáveis. A expectativa dos acionistas para o final de 2025 era de uma inflexão mais acentuada na curva de receitas, o que não se concretizou. A frustração com o “top line” (receita bruta) sugere que o banco está enfrentando dificuldades para repassar preços ou expandir sua base de clientes rentáveis em um mercado bancário cada vez mais competitivo e fragmentado pelas fintechs.

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Além disso, a manutenção do ROE em 17,6% para o SANB11, embora respeitável em comparações internacionais, pode ser vista como insuficiente diante do custo de capital (Ke) vigente no Brasil. Com a curva de juros futuros ainda pressionada, o spread entre o retorno gerado pelo banco e o retorno exigido pelo acionista estreitou-se, diminuindo a atratividade do papel frente a outros ativos de renda fixa ou setores mais defensivos da bolsa.

O fantasma da inadimplência e o aumento da PDD

O calcanhar de aquiles do balanço do 4T25 para o SANB11 foi, inequivocamente, a dinâmica de crédito. Os dados mostram que a inadimplência subiu meio ponto percentual no acumulado de 12 meses. Em termos absolutos, pode parecer um movimento marginal, mas na alavancagem bancária, essa variação representa bilhões de reais em capital que deixa de circular e exige cobertura. A deterioração dos indicadores de qualidade de crédito obrigou o banco a ser mais conservador, impactando diretamente o lucro.

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Especialistas do mercado, como Felipe Sant’Ana, da Axia Investing, foram cirúrgicos ao apontar o risco embutido nas Despesas Líquidas com Provisões para Devedores Duvidosos (PDD). O aumento de 2,9% nessas despesas é um vetor de pressão considerável para o SANB11. A PDD funciona como um colchão de segurança: quanto mais o banco antevê calotes, mais dinheiro ele precisa reservar, subtraindo esse montante do resultado final. O cenário torna-se mais complexo ao observarmos que a carteira de crédito expandiu 3,7% no período.

Essa correlação entre expansão de carteira e aumento de provisões no SANB11 sugere que o banco pode estar assumindo mais riscos para tentar crescer, ou que a safra de crédito concedida nos trimestres anteriores (vintages) está performando pior do que o modelo de risco projetava. Se a expansão de 3,7% no crédito for acompanhada de uma inadimplência crescente, o banco poderá ter que realizar “write-offs” (baixa contábil de prejuízo) mais agressivos ao longo de 2026, o que limitaria o potencial de valorização das ações no médio prazo.

Visão dos analistas: Bradesco BBI e o tom de cautela

A repercussão entre os grandes players do mercado institucional reforçou o viés de baixa para o SANB11. O relatório do Bradesco BBI classificou o resultado como “ligeiramente negativo”, uma terminologia diplomática que, no “financês”, sinaliza recomendação de cautela ou venda. O ponto nevrálgico destacado pelos analistas do BBI foi a combinação tóxica de receitas fracas com deterioração de ativos. Mesmo com um controle de custos eficiente — onde o Santander tradicionalmente brilha —, a alavancagem operacional negativa (receitas crescendo menos que despesas ou provisões) é um entrave para a reclassificação (re-rating) do papel.

Para o investidor pessoa física posicionado em SANB11, a leitura do Bradesco BBI serve como um alerta de que o “turnaround” (virada) do ciclo de crédito pode demorar mais do que o previsto. A dependência de uma menor carga tributária para sustentar os ganhos é vista como uma vulnerabilidade. Em um ano fiscalmente complexo como 2026 promete ser, contar com benefícios tributários é uma estratégia de risco. O mercado prefere ver crescimento vindo da atividade “core”: emprestar dinheiro e receber com juros, ou vender serviços e seguros.

Efeito dominó: O impacto sistêmico no setor financeiro

Não é apenas o SANB11 que sofreu no pregão desta quarta-feira. O setor bancário brasileiro, historicamente correlacionado, operou em bloco no campo negativo, evidenciando um temor de risco sistêmico ou, no mínimo, de uma tendência setorial de baixa rentabilidade. Quando um player do tamanho do Santander Brasil reporta dificuldades com inadimplência, o mercado automaticamente infere que os concorrentes — que operam na mesma economia e concedem crédito para perfis demográficos semelhantes — enfrentarão os mesmos obstáculos.

As ações do Bradesco (BBDC4) recuaram 1,48% nas preferenciais e 1,34% nas ordinárias, movimento de “simpatia” à queda do SANB11. O Banco do Brasil (BBAS3), mesmo com sua carteira fortemente ligada ao agronegócio (teoricamente mais defensiva), perdeu 1,75%, mostrando que nem as estatais escaparam do mau humor. O Itaú Unibanco (ITUB4), considerado o benchmark de qualidade do setor, cedeu 1,30%, enquanto o banco de investimento BTG Pactual (BPAC11) caiu 1,03%. Esse movimento generalizado derrubou o Ibovespa em 0,55%, reafirmando o peso que o setor financeiro tem sobre o índice brasileiro.

Macroeconomia e o investidor de SANB11

Para compreender a queda do SANB11, é imperativo olhar para além do balanço, focando na macroeconomia de 2026. O cenário de juros, embora estável, permanece em patamar contracionista. Isso encarece o crédito para as famílias e empresas, aumentando a propensão ao calote. O resultado do 4T25 do Santander é um microcosmo da economia real: as famílias estão alavancadas e a capacidade de pagamento está no limite. Para o banco, isso significa margens mais apertadas.

O investidor de longo prazo deve ponderar se a queda atual do SANB11 representa uma oportunidade de entrada a preços descontados ou se é uma “armadilha de valor” (value trap). Se a inadimplência continuar escalando nos próximos trimestres, o banco terá que queimar mais caixa com provisões, reduzindo o payout (pagamento de dividendos), que é historicamente um dos principais atrativos das units do Santander. A relação risco-retorno, neste momento, exige prudência.

Perspectivas para o ciclo financeiro de 2026

À medida que avançamos em 2026, o desempenho do SANB11 dependerá crucialmente da capacidade da gestão em higienizar a carteira de crédito sem abrir mão de participação de mercado. O balanço do 4T25 deixa claro que a estratégia de crescimento agressivo tem um custo alto em provisões. O mercado aguardará os próximos “guidances” (projeções) para entender se o aumento da inadimplência foi pontual ou se é uma tendência estrutural decorrente da deterioração da renda disponível do brasileiro.

Por fim, a volatilidade nas ações do SANB11 deve persistir no curto prazo. Até que haja sinais claros de estabilização da PDD e retomada do crescimento das receitas de serviços, o papel deve performar abaixo ou em linha com o Ibovespa. Para os demais bancos, o sinal amarelo está aceso: a temporada de balanços do 4T25 começou com um aviso severo de que a rentabilidade fácil ficou no passado, e a eficiência na concessão de crédito será o único diferencial competitivo sustentável para o ano corrente.

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