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STF reabre julgamento sobre limite de multas tributárias | Legislação

por Gabriel Monteiro
23/06/2023 às 18h38
em Economia
Stf Reabre Julgamento Sobre Limite De Multas Tributárias | Legislação - Gazeta Mercantil - Economia

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O Supremo Tribunal Federal (STF) retomou, nesta sexta-feira, o julgamento que vai definir se existe limite para a aplicação de multas tributárias. A discussão é sobre os percentuais cobrados pelos Fiscos em caso de descumprimento ou erro nas chamadas obrigações acessórias – declarações e emissões de documentos fiscais exigidos junto com o pagamento de tributos.

Esse tema é importante para a fiscalização e arrecadação dos Estados e também para todos os contribuintes.

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Dois ministros já se posicionaram: o relator, Luís Roberto Barroso, e Dias Toffoli, que, desde dezembro, estava com vista desse caso. Foi Toffoli quem, agora, reabriu as discussões.

Barroso e Toffoli entendem que precisa haver limite para a aplicação dessas multas, mas discordam em relação ao patamar que deve ser fixado.

O relator, ministro Barroso, havia proferido voto no mês de dezembro – quando esse julgamento teve início – e propôs, já naquela ocasião, que fosse fixado um teto de 20% sobre o valor do tributo.

1 de 1Ministros durante a sessão plenária.Local: Plenário do STF. — Foto: Foto: Carlos Moura/SCO/STF

Ministros durante a sessão plenária.Local: Plenário do STF. — Foto: Foto: Carlos Moura/SCO/STF

Dias Toffoli, ao liberar o voto nesta sexta-feira, apresentou outra proposta. Ele cita duas situações. Havendo tributo ou crédito, a multa por descumprimento de obrigação acessória não poderia ultrapassar 60% do valor do tributo ou do crédito vinculado – mas poderia chegar a 100% em caso de existência de circunstâncias agravantes.

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A segunda situação seria para os casos em que não existe tributo ou crédito vinculado. Havendo valor de operação ou prestação vinculado à penalidade, entende Dias Toffoli, a multa não poderia superar 20% do referido valor – mas poderia chegar a 30% em caso de existência de circunstâncias agravantes.

Nessa hipótese, ainda, a multa aplicada isoladamente ficaria limitada, respectivamente, a 0,5% ou 1% do valor total da base de cálculo dos últimos 12 meses do tributo pertinente.

Toffoli sugere, além disso, que se aplique a chamada modulação de efeitos. A proposta é que a decisão que for tomada pela Corte tenha validade somente a partir da data de publicação da ata do julgamento.

A discussão sobre esse tema ocorre no Plenário Virtual da Corte. Os ministros têm até o dia 30 de junho para publicar os seus votos no sistema (RE 640452).

A discussão envolve proporcionalidade e caráter confiscatório desse tipo multa. Chegou ao STF a partir de um recurso da Eletronorte contra uma lei do Estado de Rondônia – já revogada – que fixava multa de 40% sobre o valor da operação pelo não cumprimento de obrigações acessórias.

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No caso, a empresa ficou sujeita a pagar cerca de R$ 168,4 milhões pela falta de emissão de notas fiscais em compras de diesel para a geração de energia termelétrica.

O ICMS devido havia sido recolhido pela sistemática da substituição tributária, em que um contribuinte da cadeia adianta o pagamento em nome dos demais. O valor da pena imposta à Eletronorte pelo descumprimento da obrigação acessória foi o dobro do montante do imposto pago.

O Tribunal de Justiça de Rondônia (TJRO) reduziu a multa para 5%. A empresa, ainda assim, levou a disputa ao STF alegando confisco. Depois, aderiu a um programa de parcelamento do Estado e desistiu da ação.

Apesar do encerramento do caso concreto, o STF decidiu seguir adiante para definir uma tese sobre os limites das multas aplicadas pelos Fiscos por descumprimento de obrigação acessória – que será aplicada para todo o país.

Por causa dessa repercussão geral, segundo advogados, o julgamento é considerado tão importante.

A Associação Brasileira de Advocacia Tributária (Abat), que atua nesse caso como parte interessada (amicus curiae) fez um levantamento sobre o tema. De 16 Estados analisados, 11 aplicam multa por descumprimento de obrigação acessória sobre o valor da operação – e não sobre o valor do tributo – o que deixa a conta muito mais alta.

São eles: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Paraná, Santa Catarina, Amapá, Ceará, Rio Grande do Norte e Sergipe.

Por isso, para a entidade, um dos pontos centrais do julgamento é definir – além dos percentuais – se essas multas podem recair sobre o valor da operação do contribuinte.

(colaborou Beatriz Olivon)

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