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STF retoma julgamento do núcleo 4 da trama golpista com voto de Alexandre de Moraes

Corte analisa responsabilidade de sete réus acusados de integrar esquema de desinformação ligado a tentativa de golpe de Estado

por Gabriel Monteiro
21/10/2025 às 09h45
em Política
Stf Retoma Julgamento Do Núcleo 4 Da Trama Golpista Com Voto De Alexandre De Moraes - Gazeta Mercantil

STF retoma julgamento do núcleo 4 da trama golpista com voto de Alexandre de Moraes

O Supremo Tribunal Federal (STF) retoma nesta terça-feira (21) o julgamento do núcleo 4 da trama golpista, em uma das etapas mais sensíveis do processo que investiga a tentativa de golpe de Estado e os ataques ao Estado Democrático de Direito. O relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, será o primeiro a apresentar seu voto, definindo o rumo da sessão e a posição do tribunal sobre as acusações apresentadas pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

A sessão será conduzida pela Primeira Turma do STF, presidida pelo ministro Flávio Dino, e deve se estender por dois dias, com encontros marcados para esta terça e quarta-feira. Sete réus foram denunciados por operar uma engrenagem de desinformação utilizada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, com o objetivo de desacreditar o sistema eleitoral e criar um ambiente favorável à ruptura institucional.

Leia também: Moraes Retira Sigilo de Inquérito Sobre Vazamento de Mensagens de Assessores.


Os sete réus da trama golpista no STF

O núcleo 4 da trama golpista é composto por figuras que atuaram em diferentes frentes da tentativa de subversão da ordem democrática, segundo denúncia da PGR. Entre os réus estão militares da ativa e da reserva, além de um agente da Polícia Federal e o presidente de um instituto ligado à auditoria eleitoral.

Os nomes incluídos nessa etapa do processo são:

  • Ailton Moraes Barros, ex-major do Exército;

  • Ângelo Denicoli, major da reserva do Exército;

  • Carlos Cesar Moretzsohn Rocha, presidente do Instituto Voto Legal;

  • Giancarlo Rodrigues, subtenente do Exército;

  • Guilherme Almeida, tenente-coronel do Exército;

  • Marcelo Bormevet, agente da Polícia Federal;

  • Reginaldo Abreu, coronel do Exército.

Esses sete réus são acusados de tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, formação de organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado — delitos que, se comprovados, podem resultar em penas severas.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu a condenação de todos os réus, reforçando a tese de que o grupo agiu de maneira coordenada para desestabilizar o processo eleitoral e fomentar um ambiente de desinformação que culminou nos atos antidemocráticos.


Alexandre de Moraes abre a votação com voto decisivo

O ministro Alexandre de Moraes, relator da ação, inicia o julgamento com a leitura do seu voto, que é aguardado com grande expectativa. Moraes deverá se pronunciar pela condenação ou absolvição de cada um dos acusados, apresentando um parecer técnico sobre o papel de cada réu dentro da trama golpista.

O voto do relator tem peso simbólico e jurídico, pois delineia a linha interpretativa que poderá influenciar os demais ministros da Primeira Turma.

Após o voto de Moraes, a votação seguirá a ordem de antiguidade na Corte, com os ministros Cristiano Zanin, Luiz Fux, Cármen Lúcia e, por último, o presidente Flávio Dino.


Sessões e cronograma do julgamento

A Primeira Turma do STF programou sessões para esta terça-feira (21) e quarta-feira (22). O julgamento ocorrerá em dois turnos: das 9h às 12h e das 14h às 19h, no plenário do tribunal.

O processo é considerado uma das últimas etapas da série de julgamentos relacionados à tentativa de golpe de Estado, iniciada após os atos de 8 de janeiro de 2023. Essa fase específica trata do núcleo operacional de desinformação, que teria sido responsável por disseminar narrativas falsas sobre as urnas eletrônicas e o sistema eleitoral brasileiro.


O papel do núcleo 4 na tentativa de golpe

O núcleo 4 da trama golpista é visto como uma peça-chave dentro da engrenagem que tentou sustentar juridicamente e psicologicamente o discurso golpista. Segundo a denúncia, o grupo foi responsável por espalhar informações falsas nas redes sociais, organizar campanhas coordenadas de ataques às instituições democráticas e alimentar desconfiança nas urnas eletrônicas.

A atuação desse núcleo teria fornecido base ideológica e suporte operacional para os demais grupos que participaram dos atos antidemocráticos. De acordo com as investigações, havia uma divisão de tarefas entre os núcleos: enquanto uns cuidavam da logística e do financiamento das manifestações, o núcleo 4 se encarregava de influenciar a opinião pública e ampliar o alcance das fake news que questionavam a legitimidade das eleições.


O relator e o simbolismo do julgamento

A condução do processo por Alexandre de Moraes carrega um peso político e institucional importante. Moraes é o principal responsável pelas investigações sobre os atos antidemocráticos e tem se posicionado com firmeza na defesa da democracia e do Estado de Direito.

Seu voto será acompanhado de perto tanto por juristas quanto por analistas políticos, que veem o julgamento como um marco na responsabilização de agentes públicos e militares que ultrapassaram os limites da legalidade em nome de projetos de poder.

Além de punir os envolvidos, o STF busca reforçar a autoridade das instituições democráticas, enfraquecidas durante o período de desinformação e ataques sistemáticos às urnas eletrônicas e ao processo eleitoral.


A importância da decisão para o futuro institucional

O julgamento do núcleo 4 da trama golpista é mais do que um ato de justiça: representa um teste de resiliência do sistema democrático brasileiro. O STF busca, com esse processo, estabelecer precedentes jurídicos claros para que episódios semelhantes não voltem a ocorrer.

o caso também marca um ponto de inflexão na relação entre o Judiciário e as Forças Armadas, uma vez que boa parte dos réus é composta por militares. A eventual condenação desses integrantes pode enviar uma mensagem firme de que ninguém está acima da lei, independentemente do posto ou função que ocupe.


Os próximos passos e possíveis desdobramentos

Após a leitura dos votos dos ministros, o julgamento poderá resultar na condenação coletiva ou parcial dos acusados. Em caso de empate, caberá ao presidente da Turma, Flávio Dino, o voto de desempate.

Dependendo do resultado, o STF poderá determinar penas de prisão, perda de patente militar e proibição de exercer cargos públicos. Também é possível que o tribunal imponha multas e reparação de danos ao patrimônio público, já que parte das acusações envolve deterioração de bens tombados durante os atos antidemocráticos.

Além disso, novas fases do inquérito ainda poderão ser abertas para investigar outros agentes que tenham colaborado com o núcleo de desinformação e as fontes de financiamento das ações coordenadas.


Repercussão política e expectativa do governo

O julgamento do núcleo 4 da trama golpista acontece em um momento de forte tensão política. O governo federal acompanha de perto o processo, enquanto partidos de oposição mantêm discurso de que as punições precisam respeitar o devido processo legal.

Para o Palácio do Planalto, a decisão do STF é vista como uma oportunidade de encerrar um ciclo de instabilidade institucional e reafirmar a importância da Constituição e das eleições livres. Já para os analistas políticos, o resultado do julgamento poderá impactar o ambiente político de 2026, influenciando a narrativa dos grupos mais radicais que ainda questionam a legitimidade do atual governo.


STF reafirma papel central na defesa da democracia

A retomada do julgamento do núcleo 4 da trama golpista simboliza o compromisso do Supremo Tribunal Federal com a preservação do Estado Democrático de Direito. Ao analisar o envolvimento de militares, agentes públicos e líderes civis em um esquema de desinformação voltado para corroer a confiança nas urnas, a Corte busca não apenas aplicar a lei, mas também reconstruir a confiança institucional da sociedade brasileira.

Independentemente do resultado final, o julgamento será lembrado como um divisor de águas na história recente do país, consolidando a mensagem de que a democracia não é negociável e que qualquer tentativa de ruptura institucional será enfrentada com rigor jurídico e transparência.

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