Tarcísio de Freitas se afasta de ato bolsonarista para realizar procedimento médico
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, não comparecerá à manifestação de cunho bolsonarista marcada para o próximo domingo, 3 de agosto. A ausência, confirmada pela assessoria de imprensa do governo paulista, será motivada por um procedimento médico agendado no Hospital Albert Einstein, onde o chefe do Executivo estadual será submetido a uma radioablação por ultrassonografia de tireoide. A previsão é de alta no mesmo dia, e o retorno às atividades ocorrerá na segunda-feira, com compromissos internos no Palácio dos Bandeirantes.
Esse afastamento de Tarcísio de Freitas ocorre em um momento politicamente sensível, no qual aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro demonstram expectativa pela sua presença em manifestações que devem ocorrer simultaneamente em diversas cidades do Brasil. A ausência do governador gerou reações dentro da base bolsonarista, que esperava um gesto público diante de recentes decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e da aplicação da Lei Magnitsky pelos Estados Unidos contra o ministro Alexandre de Moraes.
Quem é Tarcísio de Freitas e por que sua ausência repercute tanto?
Tarcísio de Freitas é um dos principais nomes do campo político associado ao bolsonarismo, embora tenha adotado uma postura mais institucional desde que assumiu o governo de São Paulo. Ex-ministro da Infraestrutura no governo de Jair Bolsonaro, ele se destacou por seu perfil técnico e conseguiu angariar respeito tanto de setores conservadores quanto de alas mais moderadas da política.
Sua ausência em um ato de forte apelo bolsonarista gerou questionamentos entre os apoiadores mais radicais do ex-presidente, que cobraram posicionamento mais enfático em relação a temas sensíveis envolvendo o STF e Alexandre de Moraes, figura central nos embates jurídicos com Bolsonaro e seus aliados.
Procedimento médico adia aparição pública de Tarcísio de Freitas
A assessoria do governo informou que Tarcísio de Freitas será submetido a um procedimento médico denominado radioablação da tireoide, realizado por meio de ultrassonografia. A intervenção é minimamente invasiva e costuma ser indicada para nódulos benignos que causam desconforto ou alterações hormonais.
A expectativa é de recuperação rápida, com liberação ainda no domingo e retomada das atividades administrativas já na segunda-feira. Apesar da justificativa médica, a ausência do governador nas manifestações continua sendo alvo de análises políticas e especulações nos bastidores.
Base bolsonarista cobra mais engajamento de Tarcísio de Freitas
A omissão de Tarcísio de Freitas em manifestações públicas mais contundentes contra o STF tem incomodado lideranças bolsonaristas. Críticos do governador alegam que, em ocasiões passadas, como durante o anúncio de tarifas comerciais por Donald Trump contra o Brasil, ele se posicionou de maneira mais incisiva ao responsabilizar o governo Lula, mas não o Supremo Tribunal Federal.
Entre os insatisfeitos estão parlamentares como o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que chegou a criticar a neutralidade do governador diante das tensões institucionais envolvendo seu pai e o STF. Para esses grupos, a liderança de São Paulo deveria representar um ponto de apoio firme na agenda bolsonarista.
Tarcísio de Freitas e sua relação estratégica com Alexandre de Moraes
Apesar das cobranças, interlocutores do governador afirmam que a postura adotada por Tarcísio de Freitas é estratégica. Como um dos poucos nomes do bolsonarismo com acesso direto a Alexandre de Moraes, o governador teria optado por uma linha diplomática, evitando confrontos diretos com o ministro.
Essa posição permitiria manter canais de diálogo abertos em um momento de acirrada polarização, o que, na visão de seus aliados, representa um ativo político importante, sobretudo considerando possíveis projetos eleitorais nacionais.
Manifestações bolsonaristas: o contexto da ausência
O ato bolsonarista deste domingo será realizado em diversas capitais e cidades do país. O foco da manifestação será, mais uma vez, a figura de Alexandre de Moraes, ministro do STF, que se tornou alvo constante de críticas por parte do bolsonarismo. Jair Bolsonaro, por sua vez, não poderá comparecer, já que cumpre uma ordem judicial que o impede de sair de casa aos finais de semana.
Nesse cenário, a expectativa de que Tarcísio de Freitas se tornasse um porta-voz da base conservadora ganhou força. Sua ausência, portanto, é interpretada por muitos como um sinal de afastamento ou ao menos de reposicionamento estratégico dentro do campo da direita.
Silas Malafaia e a ala religiosa também cobram Tarcísio de Freitas
Lideranças religiosas ligadas ao ex-presidente, como o pastor Silas Malafaia, também se mostraram insatisfeitas com a ausência do governador no evento. O líder evangélico afirmou que a não participação de Tarcísio de Freitas “pegaria mal” entre os fiéis e apoiadores do movimento conservador. A pressão religiosa é um fator importante, já que representa uma das principais bases eleitorais do bolsonarismo.
Malafaia defende que figuras com projeção política nacional não se omitam em momentos de mobilização popular, especialmente quando o objetivo é defender valores e princípios conservadores.
Tarcísio de Freitas mira estabilidade e governabilidade em SP
O governo de Tarcísio de Freitas tem sido pautado por uma tentativa de conciliação entre a agenda bolsonarista e a responsabilidade institucional de administrar o estado mais rico do Brasil. Com projetos de infraestrutura, educação e segurança pública em andamento, o governador tenta manter o foco na gestão, evitando se envolver em embates políticos que possam desgastar sua imagem junto a eleitores moderados.
Essa escolha por uma postura mais técnica e menos ideológica pode ser interpretada como uma preparação para voos mais altos na política nacional, inclusive como possível candidato à Presidência da República em 2026.
Ausente no ato, presente no tabuleiro político
A decisão de não comparecer à manifestação bolsonarista pode custar caro politicamente a Tarcísio de Freitas no curto prazo, especialmente entre a base mais fiel de Bolsonaro. No entanto, o governador parece estar apostando em uma estratégia de longo prazo, que privilegia a estabilidade, o diálogo institucional e a preservação de sua imagem pública.
O equilíbrio entre o apoio ao bolsonarismo e a manutenção de pontes com instituições como o STF será determinante para os próximos passos de sua carreira política. Resta saber se a base eleitoral entenderá essa escolha como prudência ou traição.









